Jorge Jesus é o eleito, mas salário ainda é um ponto a discutir
Orescaldo da eliminação de Portugal nos oitavos de final do Mundial 2026 fez-se com a confirmação da saída de Roberto Martínez do comando ao fim de quatro anos e um troféu (Liga das Nações 2025). E agora, Jorge Jesus é o senhor que se segue, tal como o DN avançou, devendo assumir o seu primeiro projeto de seleções aos 71 anos.
O valor do contrato é o único ponto que falta acertar, segundo soube o DN. Jorge Jesus auferia 12 milhões de euros por ano no Al Nassr, clube onde foi campeão em maio, mas esse é um valor que a FPF não igualará. A comitiva nacional viajou de madrugada para Portugal e a próxima missão de Pedro Proença será o dossier Jorge Jesus. O técnico irá receber uma proposta acima dos quatro milhões de euros anuais que Martínez auferia. Não se chegará ao patamar do Al Nassr - para efeitos de comparação, o selecionador mais bem pago é Carlo Ancelotti, que recebe 9,5 milhões do Brasil -, mas o acordo poderá ficar fechado entre os seis e os oito milhões, segundo disseram ao DN fontes ligadas à negociação, que é dada como encaminhada.
Para Pedro Proença, que já chegou à Federação Portuguesa de Futebol quando Roberto Martínez era selecionador (fevereiro de 2025), Jorge Jesus é o nome consensual, prioritário e o plano é ter o contrato fechado até domingo porque não há tempo a perder. As primeiras quatro jornadas da quinta edição da Liga das Nações serão disputadas entre 24 de setembro e 6 de outubro, o que significa que o novo selecionador terá de assumir funções, no máximo, até ao início de setembro.
Tanto para Jorge Jesus como para Pedro Proença há a convicção de que a ligação deve prever um contrato de quatro anos, de modo a garantir ao técnico a possibilidade de preparar a equipa para a Liga das Nações de 2027, para o Europeu de 2028 e para o Mundial de 2030, no qual Portugal é co-organizador com Espanha e Marrocos.
Proença tinha em mente uma possível mudança no cargo técnico da Seleção após a Liga das Nações de 2025, que Portugal viria a ganhar. O feito de Roberto Martínez prolongou a crença no espanhol, mas os próprios rumores de saída começaram a circular logo depois do embate com a RD Congo, na primeira jornada da fase de grupos.
Jorge Jesus treinou o Benfica em dois períodos distintos, somando três campeonatos nos seis anos da primeira passagem. Rumou ao Sporting e, apesar do bom futebol, não atingiu o título nacional. É reconhecido pelo futebol ofensivo e essa marca distintiva é vital para o consenso em torno de Jesus. Os responsáveis federativos acreditam que a alteração do esquema tático, aproximando-se de um modelo com dois avançados e com mais gente perto da baliza adversária, pode cativar o apoio das bancadas e os próprios jogadores. Apesar dos tempos no Benfica e Sporting, o nome de Jesus já fora até associado ao FC Porto, portanto distanciando-se de uma vertente clubística. Sérgio Conceição era tido em conta como hipótese, mas a forte ligação aos dragões e uma postura mais intempestiva ditaram que o nome do treinador com 12 títulos na carreira ficasse atrás do de Jesus, com 24 troféus.
O trabalho no Sporting com Bruno Fernandes, na Arábia com Ronaldo e João Félix (Al Nassr) e Cancelo (Al Hilal) e o conhecimento profundo do futebol português têm impacto na decisão. A rotura com o capitão, por agora, não deverá acontecer e será sempre decisão de CR7 a continuidade na Seleção. Certo é que no Al Nassr a parceria com Félix deu frutos e Jesus, face à boa relação Ronaldo, terá, acredita a Federação, uma gestão mais facilitada do jogador.
Quando aterrou em Lisboa a 24 de maio, decidindo rejeitar uma renovação com o Al Nassr, Jesus deixou a pista. “Quem diz não à Seleção? Eu não posso dizer que não a outra”, referiu, negando que estaria a colocar pressão em Martínez, mas recuando aos tempos em que depois de ser ídolo no Flamengo rejeitou uma abordagem do Brasil.
Desde essa afirmação que a Federação Portuguesa de Futebol tem claro que Jesus está interessado no projeto. Foi galardoado há menos de uma semana com o prémio de Mérito Desportivo na gala Liga Portugal Awards e disse que o troféu não representava uma “chegada”, antes, sim, “o ponto de partida”. Rejeitou abordagens da Turquia e da Arábia Saudita para dar continuidade à carreira porque vê a seleção nacional como uma meta a atingir. A Federação oficializou já esta quarta-feira o fim de ligação com Roberto Martínez.

