Ronaldo com o troféu do Mundial 2002: corte do cabelo peculiar do craque ficou para a história.
Ronaldo com o troféu do Mundial 2002: corte do cabelo peculiar do craque ficou para a história. Foto: DR/FIFA

História dos Mundiais. Em 2002, a Família Scolari e Ronaldo devolveram o Brasil ao topo do mundo

Primeiro Mundial disputado na Ásia terminou com o penta brasileiro que surgiu com o renascimento do Fenómeno e o triunfo de Luiz Felipe Scolari; torneio marcou uma enorme desilusão para Portugal.
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O Mundial de 2002 entrou para a história como a primeira vez que a competição se realizou na Ásia a ser a única edição organizada por dois países, Japão e Coreia do Sul. Antes do torneio, as expectativas apontavam para uma luta entre França, campeã do mundo e da Europa e a Argentina, dominadora das eliminatórias sul-americanas, mas o que aconteceu foi exatamente o contrário.

França e Argentina protagonizaram dois dos maiores fracassos da história dos Mundiais e foram eliminadas ainda na fase de grupos. Os franceses, liderados por Zidane, não marcaram um único golo. Já a Argentina de Marcelo Bielsa, que tinha Verón, Ortega, Crespo e Aimar caiu na fase de grupos, num grupo que incluía Inglaterra, Suécia e Nigéria.

Enquanto os favoritos tombavam, surgiam histórias improváveis, as famosas 'zebras': Senegal, estreante em Mundiais, derrotou a campeã França no jogo de abertura e alcançou os quartos-de-final, enquanto a Turquia chegou às meias-finais pela primeira vez. Já a Coreia do Sul, impulsionada pelo entusiasmo de jogar em casa e por decisões de arbitragem no mínimo polémicas, tornou-se a primeira seleção asiática a atingir as meias-finais de um Mundial.

O Brasil chegava cercado de dúvidas. A qualificação tinha sido turbulenta, a seleção mudara três vezes de treinador (Vanderlei Luxemburgo, Emerson Leão e, finalmente, Luiz Felipe Scolari) e Ronaldo regressava de uma sucessão de graves lesões no joelho que fizeram muitos acreditar que a sua carreira ao mais alto nível tinha terminado.

Mas quatro anos depois da misteriosa convulsão antes da final de 1998, o avançado brasileiro protagonizou uma das maiores histórias de superação da história do desporto. Depois de duas operações ao joelho e quase três anos marcados por lesões, regressou para liderar a seleção orientada por Scolari. O 'Fenómeno' marcou simplesmente oito golos, foi o melhor marcador do torneio e decidiu a final diante da Alemanha com duas bolas na rede.

Mas aquele título teve muitos outros protagonistas: Scolari criou um ambiente de união raro numa seleção pressionada por críticas e desconfiança. O grupo ficou conhecido como a "Família Scolari", expressão que atravessou fronteiras e ajudou a definir a identidade daquela equipa.

Rivaldo viveu provavelmente o melhor momento da carreira, Ronaldinho Gaúcho deslumbrou o mundo com o célebre golo sobre David Seaman frente à Inglaterra e jogadores como Cafu, Roberto Carlos, Lúcio e Gilberto Silva deram equilíbrio a uma equipa construída para competir. E vencer. A caminhada brasileira foi perfeita: sete jogos e sete vitórias. Na final, em Yokohama, o Brasil derrotou a Alemanha por 2-0 e tornou-se o primeiro país a conquistar cinco títulos mundiais.

Para Portugal, a competição ficou marcada pela desilusão. Depois do brilhante percurso no Euro 2000, a chamada Geração de Ouro chegava ao Japão e à Coreia como uma das equipas mais respeitadas da Europa. Luís Figo, Rui Costa, João Pinto, Fernando Couto e Sérgio Conceição alimentavam a esperança de uma campanha histórica.

Seleção portuguesa perdeu para os EUA na primeira jornada.
Seleção portuguesa perdeu para os EUA na primeira jornada. Foto: DR/FIFA

Mas tudo começou a correr mal logo na estreia. Os Estados Unidos surpreenderam Portugal com uma vitória por 3-2 num dos maiores choques da fase de grupos. Apesar da goleada por 4-0 sobre a Polónia, com um hat-trick de Pedro Pauleta, a seleção nacional acabou eliminada após perder por 1-0 frente à Coreia do Sul. Foi considerada uma das maiores decepções da história recente do futebol português e o ponto mais baixo da Geração de Ouro em grandes competições.

Vinte e quatro anos depois, o campeonato do mundo de 2002 continua a ser o último título mundial conquistado pelo Brasil - um jejum que agora iguala os 24 anos sem troféus vividos entre 1970 e 1994. Para os mais surpesticiosos brasileiros, o palco da final deste ano é o mesmo do título que quebrou o jejum nos anos 90, os Estados Unidos. A busca pelo hexa começa no dia 13, contra Marrocos. Faltam 6 dias para o arranque do Mundial 2026.

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