Romário, com a taça, foi o grande personagem brasileiro daquele Mundial.
Romário, com a taça, foi o grande personagem brasileiro daquele Mundial. Foto: DR/FIFA

História dos Mundiais. Em 1994, o Brasil encerrou um jejum de 24 anos e conquistou o tetra nos EUA

Com um futebol mais pragmático do que os campeões do passado, a seleção de Romário voltou ao topo do mundo e venceu a primeira final decidida nos penáltis da história dos Mundiais.
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Quando o Mundial chegou aos Estados Unidos, em 1994, muitos olhavam para a escolha da FIFA com desconfiança, afinal, um país onde o futebol era conhecido como soccer parecia um palco improvável para o maior evento do desporto mais popular do planeta. Este ano, aliás, o Mundial volta ao país após 32 anos - os EUA sediam o torneio ao lado de Canadá e México.

Dentro de campo, a grande história em 1994 foi o regresso do Brasil ao topo. Vinte e quatro anos depois do tricampeonato conquistado no México, em 1970, a seleção brasileira quebrou o jejum de títulos e voltou a levantar o troféu. Mas desta vez o título surgiu de uma forma bem diferente daquela que celebrizou Pelé, Jairzinho ou Rivellino. Em vez do futebol arte que marcou gerações, o Brasil de Carlos Alberto Parreira apostava no equilíbrio, na organização defensiva e na eficácia.

A equipa tinha qualidade, naturalmente: Romário e Bebeto formavam uma das melhores duplas atacantes do mundo. Era, porém, a defesa (com nomes como Taffarel, Jorginho e Aldair) e o meio de campo, formado por Dunga, Mauro Silva, Zinho e Mazinho, que personificavam a liderança e a disciplina tática da equipa. Mesmo que a seleção não demonstrasse o "jogo bonito", os resultados acabaram por falar mais alto do que qualquer discussão estética.

O grande protagonista foi Romário. Depois de quase falhar o Mundial por divergências com a seleção, o avançado assumiu o papel de líder técnico da equipa. Marcou cinco golos, decidiu partidas importantes e foi eleito o melhor jogador do torneio e consagrou-se como um dos maiores talentos da história do futebol brasileiro.

Camisola 11 do Brasil marcou cinco golos naquele torneio.
Camisola 11 do Brasil marcou cinco golos naquele torneio.Foto: DR/FIFA

Mas os Estados Unidos 1994 foram muito mais do que o tetra brasileiro. O torneio assistiu ao surgimento da Bulgária de Hristo Stoichkov, semifinalista inesperada depois de eliminar a campeã Alemanha, enquanto a Roménia de Gheorghe Hagi encantou os adeptos com um futebol ofensivo e criativo. Já a Suécia alcançou um surpreendente terceiro lugar, confirmando uma das gerações mais talentosas da sua história.

O Mundial ficou também marcado pelo último capítulo de Diego Maradona em fases finais. O argentino começou bem a competição, marcou contra a Grécia e parecia pronto para liderar novamente a Albiceleste. Contudo, um controlo antidoping positivo ditou a sua exclusão do torneio. A imagem de Maradona a abandonar o relvado de mão dada com uma enfermeira tornou-se um dos retratos mais tristes daquela edição.

Houve ainda espaço para uma das histórias mais trágicas da história dos Mundiais: membro de uma seleção que despertava muita esperança no seu povo, o defesa colombiano Andrés Escobar marcou um auto-golo diante dos anfitriões Estados Unidos e, dias depois do regresso ao seu país, foi assassinado em Medellín, num episódio que chocou o mundo do futebol.

A final colocou frente a frente Brasil e Itália, duas seleções tricampeãs mundiais. Depois de 120 minutos sem golos, algo inédito numa decisão de Mundial, o título foi decidido nos penáltis. Taffarel defendeu uma cobrança italiana e Roberto Baggio, o grande craque da Azzurra, enviou o último remate por cima da baliza. O Brasil venceu por 3-2 e tornou-se a primeira seleção tetracampeã do mundo.

A clássica imagem do penálti de Roberto Baggio, por cima da baliza de Taffarel: Brasil tetracampeão.
A clássica imagem do penálti de Roberto Baggio, por cima da baliza de Taffarel: Brasil tetracampeão.Foto: DR/FIFA

Para Portugal, o torneio voltou a ser acompanhado à distância. A geração de ouro começava a dar os primeiros passos na seleção principal, mas a derrota diante da Itália na qualificação impediu o regresso a um Mundial. Ainda assim, o surgimento de nomes como Luís Figo, Rui Costa, Fernando Couto e Paulo Sousa já deixava a promessa de que dias melhores estavam por chegar.

Trinta e dois anos depois, Estados Unidos 1994 continua a ser recordado como o Mundial que devolveu o Brasil ao topo após um jejum de 24 anos - curiosamente o mesmo período atual desde o último triunfo, alcançado em 2002. Chegou a hora do Hexa para os brasileiros? Descobriremos em breve, afinal, faltam 8 dias para o arranque do Mundial de 2026.

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