Gianni Infantino, presidente da FIFA.
Gianni Infantino, presidente da FIFA. FOTO: Sam Wasson / EPA

Federação norueguesa exige demissão imediata de Gianni Infantino

Líder da federação nórdica considera que o presidente da FIFA perdeu a confiança necessária para continuar no cargo e espera que outras federações europeias acompanhem a posição da Noruega.
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A Federação Norueguesa de Futebol vai pedir formalmente a demissão de Gianni Infantino da presidência da FIFA. A decisão foi tomada pelos órgãos dirigentes do organismo, reunidos na quinta-feira (6 de agosto), e anunciada esta sexta-feira (7) pela presidente federativa, Lise Klaveness.

“Vamos pedir agora a demissão do presidente da FIFA”, declarou Klaveness, defendendo que Infantino deixou de reunir condições para liderar o organismo que tutela o futebol mundial.

Ele não possui a confiança institucional necessária para dirigir a FIFA de forma estável no período que estamos a atravessar. Não há regresso possível para Gianni Infantino”, afirmou a dirigente norueguesa, citada pela Reuters.

Klaveness considera que a crise ultrapassou o plano pessoal e ameaça o funcionamento das estruturas internacionais da modalidade. “A cooperação no futebol internacional está profundamente comprometida. Precisamos de uma razão para voltarmos a unir-nos e queremos pedir ao presidente da FIFA que se demita agora”, acrescentou.

A Noruega torna-se, desta forma, a primeira federação nacional a exigir publicamente e de maneira inequívoca a saída imediata de Infantino. A posição deverá ser comunicada formalmente à FIFA através de uma carta, cuja entrega está prevista para os próximos dias.

A decisão surge na sequência da contestação provocada pelo projeto FIFA Forward Enterprise, que previa a criação de uma empresa destinada a concentrar as operações comerciais e a organização das competições da FIFA. O plano contemplava a entrada de investidores privados, através da aquisição de participações minoritárias, e pretendia captar até 4,2 mil milhões de dólares — cerca de 3,6 mil milhões de euros — com base numa avaliação inicial de 20 mil milhões de dólares.

A FIFA garantia que manteria o controlo da nova sociedade e que as receitas seriam aplicadas no desenvolvimento do futebol. A proposta acabou, contudo, por ser abandonada depois da forte oposição de dirigentes, confederações e federações nacionais, que criticaram a falta de consulta e recearam a influência de capitais privados sobre o futuro comercial das principais competições.

“Decidimos que já não existe confiança em Infantino. Para nós, essa confiança desapareceu e não há caminho de volta”, reforçou Klaveness, em declarações ao jornal britânico The Guardian.

A presidente da federação norueguesa afirmou que o futebol internacional ficou mergulhado numa situação de forte polarização e instabilidade. “Restou-nos uma cooperação global muito polarizada e, diria mesmo, o caos. Vamos pedir-lhe que se demita imediatamente, para que a comunidade mundial do futebol possa olhar em frente e voltar a cooperar”, declarou.

A Noruega não apoiou Infantino no congresso da FIFA de 2023, quando o dirigente foi reconduzido sem oposição. Klaveness explicou que a federação esperava, apesar dessa posição, que o presidente concretizasse as reformas de transparência e fiscalização aprovadas após a crise que atingiu a organização durante a liderança de Joseph Blatter.

“Ele não implementou essas reformas e por isso vamos pedir-lhe que se demita”, afirmou a dirigente.

A federação norueguesa pretende igualmente exigir uma avaliação aprofundada das reformas adotadas quando Infantino chegou à presidência da FIFA, em 2016. O organismo considera necessário verificar até que ponto as medidas destinadas a reforçar a transparência, a independência e a responsabilização interna foram efetivamente aplicadas.

Klaveness tem sido uma das vozes mais críticas da governação da FIFA. A dirigente contestou anteriormente o processo de atribuição do Mundial de 2034 à Arábia Saudita, a criação de um Prémio da Paz pela organização e a intervenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, junto de Infantino no processo disciplinar envolvendo o internacional norte-americano Folarin Balogun.

No caso de Balogun, a federação norueguesa anunciou uma queixa ao Comité de Ética da FIFA, considerando que o levantamento da suspensão do avançado, depois de uma conversa entre Trump e Infantino, colocava em causa a independência dos órgãos disciplinares.

A Noruega espera agora que outras federações europeias se associem ao pedido de demissão. “Veremos que países se juntam, caso essa venha a ser a estratégia do Comité Executivo da UEFA. Falamos frequentemente com eles, mas compete-lhes gerir essa questão”, declarou Klaveness.

A dirigente esclareceu que a federação norueguesa não pretende solicitar uma reunião extraordinária da UEFA, optando por comunicar diretamente à FIFA a sua posição.

Apesar da crescente contestação europeia, Infantino conserva apoios noutras regiões, nomeadamente em África e na América do Sul, enquanto as federações do México e da Argentina reafirmaram a confiança na sua liderança.

Gianni Infantino deverá apresentar-se a novo mandato no congresso eleitoral da FIFA marcado para março de 2027, em Marrocos. Até ao momento, não foi formalizada qualquer candidatura adversária. A tomada de posição da Noruega acentua, porém, a divisão no futebol internacional e aumenta a pressão sobre o dirigente ítalo-suíço

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