Presidente da FIFA, Gianni Infantino
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UEFA diz ter "perdido a confiança" em Infantino e agrava crise na FIFA

Organismo que tutela o futebol europeu endurece o tom após o presidente da FIFA abandonar o polémico plano de vender uma participação comercial do Mundial e acusa liderança de falta de transparência.
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A UEFA afirmou este sábado, 1 de agosto, ter "perdido a confiança" em Gianni Infantino, agravando a crise em torno do presidente da FIFA. A declaração surge menos de 24 horas depois de o dirigente suíço recuar no polémico plano de vender uma participação comercial do Campeonato do Mundo, na sequência da forte oposição de confederações, federações e outras entidades do futebol internacional.

Em comunicado divulgado nesta manhã, o organismo que tutela o futebol europeu classificou a proposta como um "acordo opaco" preparado nos bastidores e criticou a forma como o processo foi conduzido. "A atual liderança da FIFA não só perdeu a confiança da UEFA, como também a de muitos outros membros da família do futebol", refere a nota divulgada este sábado, referida pela Sky Sports.

A UEFA saudou a decisão de retirar o projeto e agradeceu às ligas, clubes, jogadores, associações e confederações que se manifestaram contra a iniciativa. Ainda assim, defendeu que o episódio deve ter consequências, apelando à identificação dos responsáveis e criticando o recurso a "planos secretos" preparados sem consulta alargada aos organismos do futebol.

O plano abandonado por Infantino, recorde-se, previa a criação de uma nova empresa para gerir ativos comerciais ligados ao próximo Campeonato do Mundo - a ser realizado em Espanha, Marrocos e Portugal - e a venda de mais de 20% dessa estrutura a investidores privados.

A proposta desencadeou uma onda de contestação internacional, levando a UEFA a admitir um boicote às competições organizadas pela FIFA, posição que acabou por receber o apoio também da Confederação Asiática de Futebol (AFC) e da CONCACAF.

Apesar do recuo, o futuro de Gianni Infantino permanece envolto em incerteza. O presidente da FIFA enfrenta eleições em março do próximo ano e a contestação provocada pelo projeto abriu, pela primeira vez em vários anos, dúvidas públicas sobre a continuidade da sua liderança à frente do organismo que rege o futebol mundial.

O desgaste de Infantino, recorde-se, vem-se acumulando desde o Mundial disputado nos EUA, México e Canadá no último mês. Antes e durante o torneio, o dirigente somou controvérsias que colocaram em causa a isenção da FIFA - a começar pela atribuição de um "Prémio da Paz" a Donald Trump no ano passado e a anulação de um cartão vermelho ao norte-americano Folarin Balogun durante este Mundial.

A estes episódios somou-se a gestão do caso da seleção do Irão. Devido a restrições de entrada em meio ao conflito no país, os atletas iranianos foram proibidos de pernoitar em solo norte-americano, sendo forçados a deslocar-se a partir do México para disputar as partidas nos EUA, antes de serem eliminados na fase de grupos.

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