Amnistia Internacional pediu ao Presidente da FIFA que se pronuncie sobre a questão dos direitos humanos durante o Mundial 2026
Pedro Casteleiro

Amnistia Internacional alerta para riscos de violações de direitos humanos no Mundial 2026

Relatório aponta políticas migratórias dos EUA, restrições ao protesto no México e impactos sociais no Canadá como ameaças à promessa da FIFA de um torneio “seguro, acolhedor e inclusivo”
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Amnistia Internacional alertou esta segunda-feira que o Campeonato do Mundo de futebol 2026 poderá expor milhões de adeptos a riscos sérios de violações de direitos humanos, sobretudo devido a políticas migratórias restritivas, limitações à liberdade de expressão e medidas de segurança consideradas desproporcionais.

Num relatório intitulado A Humanidade Tem de Vencer: Defender os direitos, combater a repressão no Campeonato do Mundo da FIFA de 2026a organização sustenta que adeptos, jogadores, jornalistas, trabalhadores e comunidades locais poderão enfrentar consequências negativas associadas à realização do torneio, especialmente nos Estados Unidos, onde se prevê a realização de cerca de três quartos dos jogos.

Segundo a Amnistia Internacional, o contexto norte-americano caracteriza-se por políticas migratórias consideradas discriminatórias e por detenções em larga escala conduzidas por agências como o Immigration and Customs Enforcement (ICE) e a Customs and Border Protection (CBP). A organização refere que, em 2025, mais de 500 mil pessoas terão sido deportadas pelas autoridades dos EUA, número superior à lotação prevista para a final do torneio no MetLife Stadium.

Steve Cockburn, diretor de Justiça Económica e Social da Amnistia Internacional, afirmou que o aumento das detenções e deportações foi acompanhado por um enfraquecimento das garantias de devido processo legal, criando um clima de receio entre comunidades migrantes e refugiadas. Segundo o responsável, este contexto poderá afetar também adeptos internacionais que pretendam deslocar-se ao país para assistir aos jogos.

A organização manifesta igualmente preocupação com possíveis restrições à entrada de adeptos provenientes de alguns países, devido a políticas de vistos e propostas que preveem a verificação de conteúdos publicados nas redes sociais por visitantes estrangeiros, consideradas intrusivas do ponto de vista da privacidade e da liberdade de expressão.

O relatório refere ainda episódios recentes de mobilização de forças de segurança em cidades anfitriãs norte-americanas. Em Los Angeles, cerca de 4000 elementos da Guarda Nacional foram destacados em junho de 2025, na sequência de protestos contra várias operações de fiscalização migratória decididas pela administração do presidente Donald Trump.

No México, a mobilização de cerca de 100 mil agentes de segurança, incluindo forças militares, para responder a níveis elevados de violência é apontada como fator de risco acrescido para manifestantes. Entre os exemplos citados estão ativistas que planeiam protestos pacíficos durante o jogo inaugural no Estádio Azteca, na Cidade do México, exigindo justiça por casos de desaparecimentos forçados.

Já no Canadá, a Amnistia Internacional alerta para possíveis impactos sociais associados à organização do torneio, incluindo o deslocamento de pessoas em situação de sem-abrigo. Em Toronto, um centro de acolhimento de inverno foi encerrado em março após o espaço ter sido reservado para utilização relacionada com a FIFA. A organização recorda também precedentes associados ao Jogos Olímpicos de Inverno de 2010, em Vancouver, que suscitaram críticas semelhantes quanto ao impacto social em populações vulneráveis.

Perante este cenário, a Amnistia Internacional apelou à FIFA e às autoridades dos três países organizadores para adotarem medidas urgentes que garantam que o Mundial de 2026 decorre num ambiente seguro e respeitador dos direitos humanos. A organização pediu ainda uma resposta direta do presidente da FIFA, Gianni Infantino, sublinhando a necessidade de assegurar que o torneio cumpre o compromisso assumido de ser “seguro, acolhedor e inclusivo” para todos os participantes e espectadores.

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