Carla Maciel e Gonçalo Waddington interpretam os papéis de Ele e Ela, um reencontro após dez anos.
Carla Maciel e Gonçalo Waddington interpretam os papéis de Ele e Ela, um reencontro após dez anos. Foto: Leonardo Negrão

'Veneno', um antigo casal que não soube lidar com a perda no Teatro Aberto

Com encenação de João Lourenço e interpretação de Carla Maciel e Gonçalo Waddington, a peça 'Veneno – História de um casamento' estreia esta quinta-feira, 19 de março, e fica em cena até 3 de maio.
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Foi escrita pela neerlandesa Lot Vekemans e centra-se na história de um casal separado que se reencontra dez anos depois. A peça Veneno – História de um casamento, estreia esta quinta-feira, 19 de março, no Teatro Aberto, em Lisboa.

Com versão de João Lourenço e Vera San Payo de Lemos, que também assina a dramaturgia, a peça centra-se num antigo casal que acaba por se separar após uma perda que abalou as suas vidas e se reencontra dez anos depois.

Após a perda sofrida, cada elemento do casal – Ele e Ela - fechou-se em si próprio incapaz de enfrentar e ultrapassar a perda em conjunto.

Peça 'Veneno – História de um casamento'.
Peça 'Veneno – História de um casamento'.Foto: Leonardo Negrão

Será que o tempo passado curou as feridas de ambos, será que o reencontro lhes permite dizerem o que calaram, superarem as mágoas e encontrarem uma nova forma de se entenderem?, interroga a apresentação da obra.

Ambos tentam ultrapassar a perda. E se um o faz de uma forma mais poética, outro fá-lo numa perspetiva mais pragmática, tentando ultrapassar os factos e seguir em frente.

Escrita em 2009, Veneno acaba por desvendar vários mistérios do ser humano e da forma como cada pessoa tenta não perder a esperança ao lidar com os percalços da vida.

Peça 'Veneno – História de um casamento'.
Peça 'Veneno – História de um casamento'.Foto: Leonardo Negrão

Baseada numa história vivida de muito perto pela autora nascida em 1965, como a própria afirma num texto publicado pelo Teatro Aberto, a peça foi escrita numa tentativa de permitir “perceber como é permanecer naquela dor”.

Segundo a autora, a história original é “um pouco diferente”, tanto “nos dados como nos factos”, da que é vivida pelas personagens, como a autora avisa. No entanto, acrescenta, sentiu necessidade de escrever a peça para a compreender.

No início, a autora apenas “precisava de ter a certeza de que a história ia ter um final feliz”, que “as personagens iam encontrar uma saída”, acrescenta Lot Vekemans no texto que reúne excertos de uma conversa da autora, publicada na estreia no Deutsches Theater Berlim, em 2013.

“Para mim, a peça trata da perda de equilíbrio, do facto de que nos acontecem coisas na vida que estão fora do nosso controle, que nos fazem perder completamente o chão. Como reagimos nessa situação?”, sintetiza Lot Vekemans sobre o que procurou explorar em Veneno.

Peça 'Veneno – História de um casamento'.
Peça 'Veneno – História de um casamento'.Foto: Leonardo Negrão

As duas personagens da peça não têm nomes, são apenas Ele e Ela. “Simplesmente não sei os nomes deles. Cheguei à conclusão de que um nome transforma uma pessoa em alguém específico, como se fosse exatamente essa pessoa. Mas isso não se aplica a estas personagens, elas são muitas pessoas, muitos eles e muitas elas. É a história de muitas pessoas”, explica a dramaturga.

Esta peça, com um “diálogo de grande densidade e intensidade emocional”, é interpretada por Carla Maciel e Gonçalo Waddington. A encenação e o cenário são de João Lourenço, os figurinos de Marisa Fernandes, a luz de Anabela Gaspar e o vídeo de João Lourenço e Kimmy Simões.

Veneno – História de um casamento está em cena até 3 de maio, com sessões à quarta e quinta-feira, às 19h00, à sexta-feira e ao sábado, às 21h30, e, ao domingo, às 16h00.

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