Trienal de Arte das Universidades Católicas chega a Lisboa
A primeira exposição da Trienal de Artes das Universidades Católicas (ArtCut) foi inaugurada no Rio de Janeiro, no Brasil, no dia 27 de agosto. Seguiu-se Santiago do Chile (3 de setembro), Bogotá (9 de setembro), Boston ( 23 de setembro) e Milão (6 de outubro). Lisboa será a próxima cidade a inaugurar uma exposição no âmbito desta iniciativa do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, no dia 12 de outubro. Segue-se Luanda ( 29 de outubro) e, a fechar a ArtCut, Veneza, no próximo ano.
São oito exposições autónomas em oito cidades de sete países que, no conjunto, reúnem 14 curadores e obras de 104 artistas sobre o tema Exercícios de Empatia. Nuno Crespo, diretor da Escola de Artes da Universidade Católica Portuguesa é o curador-chefe deste projeto comissariado pelo cardeal português no Vaticano, José Tolentino de Mendonça.
Explica Nuno Crespo que o tema da “empatia” foi uma escolha sua, apadrinhada por Tolentino de Mendonça. “Propus a ideia de empatia, porque a empatia tornou-se, no pensamento estético e teórico da arte do século XIX, um dos conceitos mais fundamentais. Sem empatia, sem essa capacidade de nos identificarmos com algo que não somos nós, não conseguimos ler um poema, ler um romance, ver um filme ou olhar para uma pintura”.
Mas não se trata apenas de empatia, mas de “exercícios de empatia”, sublinha Nuno Crespo. “A questão do exercício não é só um nome bonito para se colocar ao lado da empatia, mas o exercício tem que ver com uma conceção de dois autores fundamentais, o Wittgenstein e o Santo Inácio de Loyola, de que certas capacidades humanas, como, por exemplo, a reflexão ou a espiritualidade, se não forem exercitadas, perdem-se. É como o treino, no desporto. Se o Ronaldo deixar de exercitar todas as capacidades funcionais, mecânicas, musculares, de resistência que ele tem, vai perdê-las”.
De igual modo, o convite desta trienal de arte contemporânea é trabalhar a empatia, essa faculdade humana de nos pormos no lugar do outro. É uma forma, acrescenta o curador, de ir de encontro ao apelo do papa Leão XIV, “de permanecermos humanos neste mundo tão moldado, em primeiro lugar, por determinados contextos políticos que fazem do outro o estranho, o estrangeiro, o perigoso, e, por outro lado, pela revolução digital. É preciso não desconfiar da revolução digital, mas saber integrá-la no nosso quotidiano de maneira a que permaneçamos humanos, a que continuemos a poder relacionar-nos com aquilo que é estranho, distante, desconhecido”.
Dentro do tema Exercícios de Empatia, cada universidade desenvolveu um projeto específico. No caso da Católica de Lisboa, o lema é Exercícios de Empatia - Regresso a Casa. “É muito diferente fazer uma exposição no Rio de Janeiro, em Boston, em Lisboa ou em Luanda ou Milão, é um mundo de diferenças. E nós temos essa ambição de que as exposições sejam localmente pertinentes, quer para as comunidades universitárias que as recebem, quer para as comunidades artísticas com as quais elas têm que dialogar”, diz Nuno Crespo.
Em relação ao projeto de Lisboa, o curador diz que “é uma exposição muito complexa no sentido de ser muito fértil e porque acontece em três lugares: na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, na Brotéria e no Museu do Chiado, que são nossos parceiros e cúmplices desta primeira edição da Trienal em Lisboa”.
O tema, explica, “é a ideia do regressar a casa, sendo que o entendimento de casa não é a casa física, mas esse lugar onde nós queremos regressar. Que pode ser o lugar de onde viemos, pode ser a barriga da nossa mãe”, sublinha, remetendo para o trabalho de Carlos Bunga, um dos artistas representados nesta exposição. Mas casa também como “lugar do desejo e lugar da imaginação”, acrescenta Nuno Crespo.
A exposição, nos seus três polos, reúne trabalhos de artistas e arquitetos como Aires Mateus, Amadeo de Souza Cardoso, Ana Vieira, Augusto Alves da Silva, Daniel Blaufuks, Délio Jasse, Dimakatso Mathopa, Francesca Woodman, Gordon Matta-Clark, Heidi Bucher, Helena Almeida, Irineu Destourelles, João Abel Manta, João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, Julião Sarmento ou Vanderlei Lopes.
A trienal terminará no final de 2027 com uma exposição “síntese” no Pavilhão da Santa Sé, em Veneza, entre bienais. “Será uma exposição que resulta de todos estes diálogos e de todo este processo colaborativo que houve com as sete universidades e as sete comunidades artísticas espalhadas pelo mundo”, diz o curador. Para esta última mostra em Itália foi encomendada uma obra aos artistas Carminho e João Pimenta Gomes.

