A peça Clube dos Portas Mortos, que estreou no Teatro da Trindade, em Lisboa, a 30 de abril para uma primeira temporada até 2 de agosto, foi prolongada até 20 de dezembro e Diogo Infante, o diretor artístico daquela sala de espetáculos, admite uma terceira temporada para esta peça encenada por Hélder Gamboa e em que ele participa como ator.Com base num texto de Tom Schulman, o espetáculo tem sido um sucesso, com mais de 55 mil bilhetes vendidos. Logo na altura da estreia, Diogo Infante revelava, face à procura, que Clube dos Poetas Mortos teria uma carreira longa, mas a adesão do público superou as expectativas. Nesta segunda temporada, que se prolonga até 20 de dezembro deste ano, já foram vendidos 25 mil bilhetes, restam cinco mil, adianta Diogo Infante..Diogo Infante dá vida ao “professor que nos inspira” no Clube dos Poetas Mortos."Eu esperava que ele corresse bastante bem, como outros espetáculos que temos tido, com muita adesão. Eu não imaginava foi que a dimensão da procura fosse desta envergadura. E isso foi surpreendente. Sobretudo considerando que estreámos já com 28 mil bilhetes na rua, o que é inédito para mim, nunca me tinha acontecido", diz Diogo Infante ao DN.Havia alguma preocupação que "as pessoas saíssem desiludidas" face ao que é o filme, confidencia o diretor artístico do Teatro da Trindade. "Mas depois percebemos, no dia a dia, no confronto com o público, que elas estavam muito entusiastas, que abraçaram a proposta com muito carinho. É evidente que as pessoas têm noção que uma coisa é cinema e outra teatro, e que seria injusto comparar objetos de forma direta."Por isso, acrescenta, sem adiantar mais detalhes: "não escondo que já estou a pensar numa terceira temporada". Uma coisa é certa: a peça estará em cena no Teatro da Trindade até 20 de dezembro, viajará até ao Porto, ao Teatro Sá da Bandeira, entre 8 e 31 de janeiro de 2027, e chegará depois a outras cidades do país, estando confirmadas apresentações em Ourém, Oliveira de Azeméis, Águeda ou Paredes. Clube dos Poetas Mortos é uma coprodução entre o Teatro da Trindade e a Tenda Produções e além de Diogo Infante conta com as interpretações de Dany Duarte, Diogo Fernandes, Diogo Mesquita, Jaime Pinto Gamboa, João Maria Cardoso, João Sá Nogueira, Nuno Represas, Rafael Leitão, Rui Pedro Silva e Virgílio Castelo. O diretor artístico do Teatro da Trindade divulgou esta tarde a programação para a temporada 2026-2027, com seis estreias, entre elas muita comédia. La Nonna, de Roberto Cossa, peça descrita como "uma referência do teatro argentino contemporâneo", chega à Sala Carmen Dolores a 18 de fevereiro. Com encenação de Marco Medeiros, é protagonizada por Maria Rueff, a Nonna, uma "avó centenária com uma saúde inexplicável e um apetite insaciável". Com a comediante em palco estarão Ana Lopes, António Melo, Frederico Barata, Rita Tristão da Silva, Rui Melo e Teresa Faria. .A Sala Estúdio recebe, entre 13 de maio e 27 de junho, a comédia em três atos de Noël Coward, Vidas Íntimas, uma coprodução com a Loup Solitaire e encenação de Elmano Sancho, que também participa como ator. A peça satiriza as convenções do casamento e das relações amorosas e aborda temas como as fronteiras entre o que é intimo e o que é privado, que o encenador considera que se "esbateu". No elenco estão também Carlos Malvarez, Inês Castel-Branco e Susana Blazer.O último espetáculo da temporada 2026/2027, que estará em cena entre 20 de maio e 25 de julho na Sala Carmen Dolores, é também uma comédia. Trata-se de Florence, a Pior Cantora do Mundo, de Peter Quilter e é baseada na história verídica de Florence Foster Jenkins, uma "figura da alta sociedade que sonhava ser cantora de ópera, apesar de não acertar uma nota". Também já deu um filme, Florence Foster Jenkins, de 2016, realizado por Stephen Frears com Meryl Streep, Hugh Grant e Simon Helberg. A peça terá encenação de Diogo Infante e será protagonizada por Luísa Cruz, que interpreta Florence. Ana Brito e Cunha, Ana Cloe, Elsa Galvão, Flávio Gil e Paulo Pires compõem o resto do em elenco. . A comédia é uma aposta na nova temporada do Teatro da Trindade, para "superar o quotidiano", mas a programação não se esgota nesse registo."Há trágicomédia, há comédia negra, há comédia de costumes. A comédia é um antídoto para a depressão. Eu acho que nós estamos a viver tempos complicados. Embora não sejam todas comédias, há três ou quatro. Temos a La Nonna, Florence, as Vidas Íntimas", observa Diogo Infante. "São textos que seguramente vão entreter, vão fazer-nos rir, espero, mas também pensar. Eu gosto muito do humor inteligente. O humor é um bom antídoto e é um bom estímulo para que possamos, muitas vezes, rir de nós próprios e criar esse desconforto. É desse ponto de vista que a comédia é interessante, como provocação. O texto argentino La Nonna é um texto político, é um texto absurdo. E a Florence é um texto em que os artistas, no fundo, gozam consigo próprios e põem-se em causa, quando alguém como ela consegue editar discos". Tal como Clube dos Poetas Mortos, mais uma vez haverá uma peça que já deu um filme, Florence. É uma estratégia para atrair mais público? "Não, não tem a ver com isso. É mesmo uma questão de gosto. Não é a primeira vez que eu o faço, nos outros teatros que dirigi, muitas vezes me socorri de textos teatrais que deram bons filmes. Foram feitas muitas adaptações de Tennessee Williams para cinema. E eu, invariavelmente, gosto de textos que, de alguma forma, têm uma carga imagética, cinematográfica, que visualmente também são impactantes. A Gaivota de Tchekhov também foi".Na programação, já com estreia para da 10 de setembro na Sala Estúdio, está também a peça Uma Casa, Com Certeza, texto escrito por Constança Bourgard, atriz e dramaturga, anunciada esta segunda-feira, 22 de junho, como vencedora da 8.ª edição do Prémio Miguel Rovisco – Novos Textos Teatrais. Com encenação de Miguel Fragata e protagonizada por Ana Valentim e André Leitão, parte da crise da habitação para refletir sobre o que significa ter uma casa hoje, abordando questões como expectativas de genéro, desigualdades salariais questões de classe e estatuto. Diz Constança Bourgard que "a crise da habitação foi o ponto de partida para criar um espaço para fazer perguntas". Sob Pressão uma criação de Cristina Carvalhal a partir de Perigo: Memória!, um texto de Arthur Miller que foi adaptado para o universo português e a contemporaneidade, ocupará a Sala Estúdio entre 19 de novembro e 10 de janeiro de 2027. A peça, uma coprodução do Teatro da Trindade e Causas Comuns, incorpora duas histórias "aparentemente não relacionadas", e "é um mergulho na dificuldade de pessoas vulneráveis e idosas em lidar com uma sociedade cada vez mais rápida e digital", diz a encenadora. A segunda história é sobre "como os preconceitos enformam a nossa forma de olhar para as coisas". Entram na peça Ana Valentim, Cucha Carvalheiro e João Maria Pinto, que interpretam cinco personagens.Em fevereiro de 2027, também na Sala Estúdio, estreará Bárbara, um texto de Michelle Ferreira a partir da autobiografia A Saideira, da jornalista brasileira Barbara Gancia. Com encenação de Flávio Gil, é um monólogo que será protagonizado pela atriz Patrícia Tavares e aborda a questão do alcoolismo, que em Portugal ceifa, direta e indiretamente, 13 mil vidas por ano, sublinha o encenador. É uma coprodução com Camarote Produções e estará em cena até 4 de abril. Em atualização