Lobo Antunes morreu nesta quinta-feira, 5 de março.
Lobo Antunes morreu nesta quinta-feira, 5 de março.Arquivo

Manuel S. Fonseca: “Imagino António Lobo Antunes ao lado de Marcel Proust, James Joyce ou Jorge Luis Borges”

Ao DN, editor da Guerra e Paz reage à morte do escritor, amigo de longa data: “Perdemos um ser humano que era um repositório do melhor que escritores, romancistas e poetas em todo o mundo já fizeram.”
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Amigo de longa data de António Lobo Antunes, Manuel S. Fonseca, da editora Guerra e Paz, lamentou a morte do escritor português na manhã desta quinta-feira, 5 de março.

Ao DN, Fonseca revelou que dividiu grande parte da vida com Antunes, com quem foi vizinho e almoçou diversas vezes ao longo dos anos. Para o editor, o que fica “é o profundo amor à literatura que António Lobo Antunes tinha”.

“Não é só, digamos, o orgulho da sua própria obra, que obviamente tinha e com toda a razão, mas era o facto de ele decorar páginas inteiras de outros autores, ser capaz de recitar. Era o caso, por exemplo, da delícia que sentia ao recitar os aforismos da Agustina Bessa-Luís, páginas inteiras. O amor dele pela literatura portuguesa e internacional era imenso. Eu diria que ele vivia dentro da própria literatura e é dessa vida dentro da literatura que saem os seus romances, como é o caso, logo desde o início, de Memória de Elefante”, sublinhou.

Fonseca destacou ainda a perda que Lobo Antunes representa para a cultura, caracterizando o escritor como alguém que carregava algo muito maior do que a sua própria obra.

“O que nós perdemos é, digamos, um ser humano que era um repositório do melhor que escritores, romancistas e poetas em todo o mundo já fizeram. Tudo isso foi desaguar nele, como se fosse um rio".

Num comentário mais pessoal, imaginou o lugar simbólico para onde teria partido o amigo. “Para mim, pessoalmente, o António não morre. Não sei nada sobre a eternidade, não faço a mínima ideia do que seja a eternidade, mas imagino um lugar qualquer, nas sombras do cosmos, onde ele estará ao lado daqueles, dos maiores de todos, que nunca ganharam o Prémio Nobel", prosseguiu.

“Ele estará ao lado de Marcel Proust, de James Joyce ou de Jorge Luis Borges. E espero que esteja feliz e mais leve que a água, como é parte do segundo romance dele”, concluiu.

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