Obra de António Palolo (1972).
Obra de António Palolo (1972).Foto: Paulo Spranger

Mais 60 obras da coleção EDP em exposição: o público não só "merece", como "reclama", diz MAAT

MAAT Central mostra segundo momento de 'Turn Around. Um olhar sobre a Coleção Fundação EDP (II)'. A primeira fase da exposição abriu ao público em fevereiro. Uma oportunidade para ver trabalhos de alguns dos artistas mais importantes da cena artística portuguesa desde os anos 1960 até ao presente.
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A coleção de arte da Fundação EDP reúne mais de 2450 obras e a exposição Turn Around. Um olhar sobre a Coleção Fundação EDP mostra um conjunto de cerca de 90 peças de 58 artistas. O primeiro momento desta mostra abriu ao público no MAAT Central a 11 de fevereiro, com cerca de 30 trabalhos, e a partir desta quarta-feira, 29 de abril, juntam-se acima de 60 obras dos anos 1960 até à atualidade.

Obra de António Palolo (1972).
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Trata-se de uma coleção que permite "acompanhar de forma consistente a evolução da criação artística em Portugal nas últimas duas décadas e meia", consideram João Pinharanda, Margarida Almeida Chantre e Sérgio Mah, os curadores da exposição. Pinharanda, diretor do MAAT, diz que o público não só "merece" ver estas obras, como "reclama" para vê-las.

As obras refletem a atividade de programação da Fundação EDP e do MAAT ao longo dos anos, com a aquisição de obras de artistas que ali expuseram ou que ganharam prémios promovidos pela Fundação, como o Prémio Novos Artistas Fundação EDP ou Grande Prémio Fundação EDP Arte (que João Penalva venceu este ano).

Neste segundo momento de Turn Around. Um olhar sobre a Coleção Fundação EDP, o público é recebido pela escultura Duplo Objeto de Manuel Batista e a peça Condição Humana (2005) de Jorge Molder, com dez fotografias (a obra original tem 13, mas foi adaptada ao espaço).

'Condição Humana' (2005) de Jorge Molder,  e suspensa, de Rui Chafes, a peça 'Würzburg Bolten Landin IV'  (1993).
'Condição Humana' (2005) de Jorge Molder, e suspensa, de Rui Chafes, a peça 'Würzburg Bolten Landin IV' (1993).Foto: Paulo Spranger

Margarida Almeida Chantre explica que a obra de Manuel Batista faz a ligação entre a exposição que agora abre, mais "bidimensional" face à primeira fase desta mostra, com mais fotografia e pintura do que obras de grande volumetria, embora nesta também não faltem esculturas e obras em vídeo (é o caso do filme de oito minutos e dez segundos de João Onofre, apresentado na Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2010, em que um veleiro navega sobre os telhados de Lisboa aterrando na piscina de uma moradia no centro da cidade).

Vídeo de João Onofre, apresentado na Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2010.
Vídeo de João Onofre, apresentado na Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2010.Foto: Paulo Spranger

"Esta ideia do turn around remete para a presença do corpo, e para a ideia de alguém olhar em roda, anda sempre à volta disso, em várias peças", diz a curadora, sublinhando que a obra de Jorge Molder dá "as boas-vindas à entrada deste lado da exposição". Neste primeiro espaço veem-se ainda obras de Rui Chafes (Würzburg Bolten Landin IV, 1993), de Sara Bichão (Raia, 2018), e um quadro de Luís Noronha da Costa, de 1970, sem título.

Na sala seguinte do percurso estão expostas obras de Julião Sarmento (Corrida, 1985), de Eduardo Batarda - Baal Lug Mat (Cilulgia Maxilal), de 2010 - , de Diogo Pimentão e uma escultura de Rui Sanches (Infinitos, 1994). João Pinharanda, num texto sobre esta obra, descreve-a como "atípica" no percurso do artista. "Pesada e dividida em três blocos, surge sem referente histórico claro. Os volumes parecem três máquinas de flippers em cuja superfície algumas bolas se dispersam sem regra aparente. Os espelhos, que mais tarde o artista usará com frequência, servem aqui para acentuar a desmaterialização da peça e absorver o espaço em redor". Rui Sanches, que acompanhou esta visita de imprensa à exposição esta terça-feira, 28 de abril, explica que as bolas de borracha espalham-se de acordo com a configuração do céu noturno de Lisboa naquela altura.

Rui Sanches ao pé da sua obra 'Infinitos' (1994).
Rui Sanches ao pé da sua obra 'Infinitos' (1994).Foto: Paulo Spranger

Há 12 anos que o artista não vê esta sua criação. "Não me sinto propriamente muito próximo daquela peça, nunca faria aquilo hoje, faria outra coisa qualquer. Mas está muito bem assim, não mudaria nada também".

Seguem-se obras de Ana Cardoso (Madrugada-Raiada, 2022), António Palolo (1972), Luísa Jacinto (Desconhecidos I, 2024), Susanne S. D. Themlitz (45º, 2014) ou António Areal (1966). Ao fundo de um corredor com obras de Ana Hatherly (Alpha Shadows, 1997), Leonor Antunes (Le Hasard est L'ennemi Detous les Mètres, 2012) ou de Lourdes Castro (Sombra Projectada de Milvia Maglione (1967), encontra-se a peça Alinhamentos #3 (2022), de Sara Chang Yan, artista que foi uma das seis finalistas do Prémio Novos Artistas Fundação EDP edição de 2024 (ganho por Alice dos Reis).

'Alinhamentos #3' (2022).
'Alinhamentos #3' (2022).Foto: Paulo Spranger

A exposição prossegue com obras de Fernanda Fragateiro (Construir é Destruir é Construir, 2009), José Pedro Croft (1999), Pedro Capalez (1984), Maria José Oliveira (Mas Onde nós Estamos é a Luz, 2004), Helena Almeida (Desenho Habitado, 1975), Augusto Alves da Silva (Uma Cidade Assim, 1994), Maria Beatriz (com uma obra da série Os Comedores de Batatas), Ana Vieira (A Ciclista), Rosa Carvalho (Sangue Azul, 1998) ou Jorge Martins.

Também é possível ver nesta mostra da coleção de arte da Fundação EDP obras de Paulo Nozolino (Bone Lonely, 2009) e Salomé Lamas ( A Torre, 2015), entre outros.

A exposição termina com o quadro Vanitas (segundo Pieter Claesz), de José Almeida Pereira, que remete, assim como no início da exposição, para o corpo.

Turn Around. Um olhar sobre a Coleção Fundação EDP ficará patente até 11 de janeiro de 2027.

Ao centro, 'Construir é Destruir é Construir' (2009), de Fernanda Fragateiro.
Ao centro, 'Construir é Destruir é Construir' (2009), de Fernanda Fragateiro.Foto: Paulo Spranger
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