Quinta-Essência 75/25 é um disco e um espetáculo que Carlão levou ao Rock in Rio no último dia do festival, que decorreu nos dias 20, 21, 27 e 28 de junho no Parque Papa Francisco, em Lisboa. Ao DN, momentos antes do concerto que, afirmou, seria"um recap da carreira musical", Carlão assumiu as suas preocupações relativamente ao futuro que deixa para as filhas, tendo em conta que já passou a "maior parte" da sua vida neste planeta: "o extremismo que está a avançar desmesuradamente pelo mundo todo, e este país não é exceção."Ao anunciar "uma música difícil para tempos difícieis", Carlão despejou no público da cidade do rock Na Loucura , onde não faltaram recados para o presente e para o futuro..Antes disso, preocupou-se com a "extrema-direita e essa boçalidade dos políticos que mentem e que não só não têm problemas em ser pessoas mal-educadas como fazem disso bandeira", destratando o "próximo". "E isso faz-me pensar muito como é que chegámos a este ponto, e isso assusta-me muito. Eu já passei a maior parte da minha vida neste planeta, mas olho para as minhas filhas e fico preocupado com elas", insistiu.Na entrevista ao DN, o músico não revelou nomes, mas, no concerto, houve pistas acerca de quem falava enquanto interpretava Na Loucura, um single lançado em abril do ano passado. "A mentira, a baixesa/ A calúnia com leveza/ Nessa chico-esperteza/ À grande e à portuguesa", gritou o músico, antes de continuar com a mensagem: "Em tempo de incerteza/ O ignorante é a presa/ É prato principal, é a sobremesa/ Subimos um monte negro, caímos na desventura/ À espera de um milagre/ Sonhando com a fartura/ Escolhemos apenas ver aquilo que dá mais jeito/ Recusando ter o outro como alguém digno de respeito"..As palavras seguiram-se, vincadas pela intérprete de língua gestual portuguesa, que gingava tanto como Carlão.E depois veio o aviso:"A ditadura já esteve mais longe."Antes de Na Loucura chegar ao palco, a atenção tinha estado concentrada em Carolina Deslandes, a convidada do músico, que a escolheu nessa qualidade, "porque, quando soube do convite, para o Rock in Rio, imediatamente" pensou "que era um concerto onde valia a pena ter um convidado". No caso de Carolina Deslandes, a escolha foi fácil, porque, admite Carlão, admira-a muito."Entrei uma vez num concerto dela, mas ela não entrou no meu. E o Precipícios, que é um tema que nós temos em conjunto, um tema dela onde eu entro, é um tema que eu adoro, provavelmente é das colaborações que eu fiz que de gosto mais", assume acrescentando que "ela é uma artista incrível, ela não para, está sempre a bombar"..E o vatícínio de Carlão verificou-se com Carolina Deslandes, "pouco tempo depois de ter tido o quarto filho" – disse abertamente ao público o músico – encheu o palco Music Valley com pessoas a saltar.Por outro lado, os elogios foram retribuídos, com Carolina Deslandes a considerar Carlão "uma das lendas da música portuguesa".Num concerto com mensagens em português, inglês e crioulo de Cabo Verde, onde não faltaram músicas dedicadas às tias de amigos e às mães em geral, Carlão, depois de ultrapassar as barreiras de segurança que separavam o palco do público, ainda provocou lágrimas de alegria numa menina a quem, num gesto de delicadeza, beijou a mão..Um ritual ancestral nascido no Cacém. A música eletrónica dos Karetus no Rock in Rio.Rock in Rio 2026: está tudo pronto para a "maior edição de sempre".Rock in Rio regressa daqui a dois anos, depois de uma edição que contou com 330 mil pessoas