O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu esta segunda-feira ao primeiro-ministro Gabriel Attal que permaneça no cargo "por enquanto", de modo a "garantir a estabilidade do país", informou a presidência francesa.Após a vitória da aliança de esquerda nas eleições de domingo, o primeiro-ministro francês foi ao palácio presidencial para apresentar a sua renúncia. Macron recusou e pediu a Attal que permaneça temporariamente como chefe do Governo, após a reviravolta nas legislativas.Gabriel Attal garantiu que poderia permanecer no cargo durante os Jogos Olímpicos de Paris ou por mais tempo, se fosse necessário.Ainda de acordo com a presidência francesa, Macron agradeceu a Attal o facto de "ter liderado as campanhas" da aliança centrista. Os resultados da votação de domingo aumentaram o risco de paralisia governamental para a segunda maior economia da União Europeia (UE).Os resultados de duas voltas das eleições legislativas não deixaram um caminho óbvio para a formação de um Governo, quer para a coligação de esquerda, que ficou em primeiro lugar, quer para a aliança centrista de Macron, segunda colocada no sufrágio, ou ainda para a extrema-direita, que ficou na terceira posição.De acordo com os resultados oficiais divulgados na manhã de hoje, os três principais blocos ficaram muito aquém das 289 cadeiras necessárias para controlar a Assembleia Nacional, que tem 577 lugares, a mais poderosa das duas Câmaras legislativas da França.Os resultados mostraram que a coligação de esquerda Nova Frente Popular (Nouveau Front Populaire, em francês) obteve 182 cadeiras, ficando à frente da aliança centrista de Macron, com 168 cadeiras.O União Nacional (Rassemblement National, em francês) partido de extrema-direita, e os seus aliados ficaram restritos ao terceiro lugar, embora os seus 143 lugares ainda estejam muito acima do seu melhor resultado anterior, de 89 cadeiras em 2022.Emmanuel Macron ainda tem três anos de mandato presidencial. Espera-se que os legisladores recém-eleitos reúnam-se na Assembleia Nacional para iniciar negociações sobre os possíveis acordos partidários.Entretanto, a aliança de esquerda vencedora das eleições legislativas em França, sem maioria absoluta, deve "estar em condições de apresentar um candidato" ao cargo de primeiro-ministro dentro de uma semana, disse esta segunda-feira o socialista, Olivier Faure..O líder do Partido Socialista, uma das formações da Nova Frente Popular (NFP), afirmou que a escolha vai ser feita "esta semana".A vitória da NFP mantém em aberto a formação do novo governo de França, uma vez que nenhum dos blocos que concorreram às eleições legislativas antecipadas alcançou a maioria absoluta.A coligação de esquerda alcançou entre 177 e 198 lugares na Assembleia Nacional enquanto a aliança centrista do Presidente francês, Emmanuel Macron, ficou em segundo lugar, com 152 a 169 lugares. A União Nacional, de extrema-direita, que obteve a liderança na primeira volta ficou em terceiro lugar no domingo: entre 135 e 143 deputados. Depois de encerradas as urnas e conhecidas as projeções, Jean-Luc Mélenchon, líder do França Insubmissa que integra a aliança de esquerda, exigiu a Macron que nomeie um primeiro-ministro da NFP. "O nosso povo rejeitou claramente a pior solução possível", afirmou Mélenchon, acrescentando que o primeiro-ministro, Gabriel Attal, deve sair e a NFP deve governar, o que foi recebido com muitos aplausos e gritos de apoio por parte dos apoiantes.Desde a residência oficial, o ainda chefe do executivo anunciou que nesta segunda-feira de manhã vai apresentar a demissão ao Presidente da República, afirmando, porém, que poderá permanecer no cargo "enquanto o dever o exigir", nomeadamente no contexto dos Jogos Olímpicos que o país se prepara para acolher.O líder da União Nacional (RN na sigla em francês), Jordan Bardella, salientou que o partido registou o seu "maior avanço na história", duplicando o número de deputados, e criticou "os arranjos eleitorais" que "atiraram a França para os braços da extrema-esquerda"."A aliança da desonra e os arranjos eleitorais perigosos negociados por Emmanuel Macron e Gabriel Attal com as formações de extrema-esquerda impedem os franceses de terem uma política de recuperação nacional", criticou Bardella, enquanto Marine Le Pen, figura de proa do partido da extrema-direita, garantiu que a vitória ficou "apenas adiada".O Partido Socialista francês, integrado na NFP, avisou que não aceitará qualquer "coligação de opostos que traia o voto dos franceses e prolongue as políticas macronistas". "França merecia mais do que a alternativa entre neoliberalismo e fascismo", declarou o líder do PS francês, Olivier Faure.Stéphane Séjourné, secretário-geral do partido do Presidente francês, o Renascimento, afirmou ser óbvio que a NFP "não pode governar a França", uma vez que nenhuma coligação tem maioria na Assembleia Nacional.