Presidente Xi Jinping diz que o Partido Comunista da China está a planear "grandes" reformas.
Presidente Xi Jinping diz que o Partido Comunista da China está a planear "grandes" reformas.GREG BAKER / AFP

China discute reformas numa época de crise

Abertura do Terceiro Plenário marcada pela divulgação de um crescimento económico no 2.º trimestre abaixo do esperado.
Publicado a
Atualizado a

A China divulgou ter tido um crescimento inferior ao esperado no 2.º trimestre, com todas as atenções voltadas agora para a forma como os altos representantes do Partido Comunista, reunidos em Pequim, poderão tentar resolver o crescente mal-estar económico do país.

A segunda maior economia do mundo enfrenta uma crise de dívida imobiliária, um enfraquecimento do consumo e um envelhecimento da população. Ao mesmo tempo que as tensões comerciais com os Estados Unidos e a União Europeia - que procuraram limitar o acesso de Pequim a tecnologias sensíveis, bem como impor tarifas para proteger os seus mercados de produtos chineses baratos e subsidiados - também estão a travar o crescimento. As estatísticas oficiais mostraram ontem que a economia cresceu apenas 4,7% no 2.º trimestre, a taxa de expansão mais lenta desde o início de 2023. Analistas consultados pela Bloomberg esperavam 5,1%.

Estes números foram divulgados no mesmo dia em que o Partido Comunista da China deu início a uma importante reunião liderada pelo presidente Xi Jinping focada na economia, conhecida como Terceiro Plenário. O líder chinês apresentou um “relatório de trabalho” na abertura da reunião, segundo a agência de notícias estatal Xinhua, tendo também exposto “um projeto de decisão do Comité Central sobre o aprofundamento abrangente da reforma e o avanço da modernização chinesa”.

Pequim deu poucas dicas sobre o que pode estar em jogo, com Xi a dizer apenas que o partido está a planear “grandes” reformas.

“A reunião de quatro dias do principal órgão governamental do país já tardava”, afirmou Harry Murphy Cruise, economista da Moody’s Analytics, numa nota. Mas, “embora os argumentos a favor da reforma sejam elevados, é pouco provável que seja um assunto particularmente excitante”. “Em vez disso, esperamos um modesto ajuste político que expanda a produção de alta tecnologia e proporcione uma pitada de apoio à habitação e às famílias”, acrescentou.

O Diário do Povo, jornal oficial do PCC, pareceu confirmar expectativas mais baixas quando alertou na semana passada que “a reforma não consiste em mudar de direção e a transformação não consiste em mudar de cor”.

O Terceiro Plenário foi anteriormente uma ocasião para revelar grandes mudanças económicas. Em 1978, Deng Xiaoping anunciou reformas de mercado que colocariam a China no caminho de um grande crescimento económico, abrindo-a ao mundo.


ana.meireles@dn.pt

Diário de Notícias
www.dn.pt