O número de feridos em acidentes rodoviários na Via do Infante (A22) quase duplicou em 2025 face ao ano anterior motivado pelo aumento do tráfego com a abolição de portagens, há um ano e meio.De acordo com os dados da GNR disponibilizados à agência Lusa, dos 355 acidentes rodoviários registados no ano passado na A22 resultaram 105 vítimas, mais 58 do que em 2024.Em 2025 – quando entrou em vigor a abolição de portagens, em 01 de janeiro - foram registados mais 139 acidentes do que em 2024, tendo sido contabilizadas 216 ocorrências, refere a força de segurança.Apesar da subida do número de acidentes e de feridos graves, que passaram de três para 14, não se registaram vítimas mortais no ano passado, ao contrário de 2024, ano em que ocorreram duas mortes.O número de feridos ligeiros aumentou de 87 para 148, refere, ainda, aquela corporação.Segundo a GNR, a abolição de portagens na A22 “veio potenciar um aumento do volume” de tráfego naquela via, o que poderá contribuir para o aumento do número de acidentes registados”.O aumento do trânsito rodoviário está relacionado com a eliminação de portagens, levando à transferência de circulação de estradas secundárias para o eixo principal, aponta.A GNR esclarece ainda que os dados dizem respeito “apenas a acidentes rodoviários”, remetendo eventuais ocorrências e acidentes relacionadas com o estado do pavimento ou outras infraestruturas para a empresa concessionária da via..Utentes denunciam degradação .Os utentes da autoestrada Via do Infante (A22), no Algarve, alertaram para o avançado estado de degradação da via, denunciando o acentuado desgaste do piso como um risco crescente para a segurança rodoviária.Em declarações à agência Lusa, vários automobilistas que circulam diariamente na A22 relataram a existência de “fissuras, irregularidades e zonas de degradação avançada” ao longo do piso, referindo que estas condições “dificultam o controlo das viaturas”.Segundo os utilizadores, que partilham a preocupação com a segurança, as irregularidades do pavimento em vários segmentos da autoestrada provocam “vibrações constantes” na suspensão dos veículos, um problema que “se agrava em dias de chuva, originando riscos na condução e propiciando os despistes”.O estado da via aliado ao aumento substancial do tráfego rodoviário na A22, após a abolição de portagens naquela via, em janeiro de 2025, contribui para uma “crescente insegurança”, argumentam.Sendo utilizada diariamente por residentes, turistas e empresas, o estado do pavimento levanta também preocupações quanto à mobilidade regional e à imagem do destino turístico, sobretudo em períodos de maior afluência.“A degradação tem-se acentuado dia após dia e já não é apenas uma questão de conforto, é de segurança”, afirmou à Lusa Joaquim Castanheira, um utilizador habitual da via que a Lusa encontrou na área de serviço de Loulé.Segundo este condutor de transporte de passageiros, com uma empresa em Armação de Pêra, “as zonas em pior estado situam-se entre Alcantarilha e o nó de acesso ao aeroporto de Faro, no sentido Lagos/Vila Real de Santo António”.Também Carlos Fernandes, outro utilizador diário da A22, afirmou que “já sentiu dificuldades no controlo do veículo em várias ocasiões”.“Por diversas vezes senti algum desgoverno da viatura devido às irregularidades do piso, especialmente em certos troços mais degradados”, afirmou, reforçando o alerta para o risco acrescido de acidentes.De acordo com estimativas avançadas à Lusa por responsáveis políticos regionais, o tráfego na A22 terá aumentado mais de 30% desde a eliminação das portagens, o que tem contribuído para acelerar o desgaste do pavimento numa infraestrutura concebida como alternativa à Estrada Nacional 125 (EN125).Entidades regionais e a Comissão de Utentes da Via do Infante têm alertado o Governo para a necessidade de um plano regular de manutenção da via, sublinhando que os sinais de degradação do piso já eram visíveis durante o período de concessão, quando a circulação estava sujeita ao pagamento de portagens.Entre as principais preocupações apontadas pelos automobilistas estão o desconforto na condução, sobretudo em veículos mais leves, o risco de danos mecânicos — como o desgaste prematuro de pneus e sistemas de suspensão —, e o perigo acrescido durante manobras de ultrapassagem.Em resposta a questões colocadas pela agência Lusa, a empresa Autoestrada do Algarve – Via do Infante – concessionária da via, assegurou que cumpre as obrigações previstas no contrato de concessão celebrado com o Estado português.Segundo esta entidade, estão a ser observados “todos os deveres de conservação e manutenção, bem como de inspeção da via”, no âmbito das responsabilidades assumidas na gestão da infraestrutura.A concessionária remeteu esclarecimentos adicionais para o representante do concedente, o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), contactado pela Lusa, mas sem sucesso.A Via Infante de Sagres atravessa o Algarve e constitui a principal artéria rodoviária da região.