A Universidade de Lisboa (UL) lançou, na passada terça-feira (7 de julho,) o Colégio da Água, uma plataforma para encontrar soluções para a escassez de água, juntando investigação científica a empresas para enfrentar um desafio que já é presente.O Colégio é o resultado de um projeto impulsionado pela UL, o Projeto WISE (Water Innovation, Science and Education), que obteve financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian, no valor de 900 mil euros.Ao Diário de Notícias, a vice-reitora da UL e responsável pelo projeto, Cecília Rodrigues, explicou que a ideia é “quebrar” os limites entre disciplinas na Universidade neste tema e juntar “investigadores, docentes, estudantes com empresas e com entidades públicas” de “áreas transversais, que vão desde a Engenharia, ao Direito, das Ciências Naturais, da Economia”.Segundo a professora da Faculdade de Farmácia da UL, todas estas áreas de estudo e entidades trabalharão para encontrar soluções para um tema “de urgência tremenda”, que é a falta de água.“O que nós acreditamos mesmo é que, de facto, não há tempo a perder”, frisou a professora. “A escassez da água é real, e nós estamos a sentir isso em Portugal de uma forma muito presente”, acrescentou.Mas outros fenómenos ligados à água também são problemas a abordar, como as cheias. "Isto já não é só um problema ambiental, é um problema que mexe com áreas que são diversas, como a agricultura, ou a energia, ou a indústria”, disse.Portanto, sublinhou, quando se estuda a água, não se fala só de "uma água", mas sim de tudo o que vive no planeta. "A degradação dos ecossistemas é outro problema urgentíssimo", frisou a professora, lembrando ainda as questões da "poluição" e das "alterações climáticas".Portanto, o cruzamento de todos estes fatores exige esta resposta transversal que o Colégio da Água permite para este problema "que não é uma previsão, é uma realidade".Uma das tecnologias em destaque nesta procura de soluções para a escassez é o uso da inteligência artificial, um tema que vê como “incontornável” e que pode ser usada, por exemplo, “para prever secas e cheias antes de acontecerem” ou para detetar “fugas mais cedo”, que é “das maiores perdas de água no sistema”.A EPAL, empresa que fornece água a vários municípios da Grande Lisboa, é uma das empresas mais interessadas na inovação e uma das "grandes parceiras" desta iniciativa da Universidade de Lisboa, acrescentou a vice-diretora da UL, especialmente "nas tecnologias digitais e na segurança ligada à gestão da água".Os três pilares: testar, incubar e ensinarO Colégio da Água, que junta todas as faculdades da UL, divide-se em três pilares de ação, explicou a diretora. Primeiro, começa pela “prova de conceito”, ou seja, “testar essas soluções que nascem na Universidade em ambientes reais”.O segundo pilar, continuou, envolve acelerar essas ideias dentro do ambiente de incubadoras de startups dentro da própria Universidade, ajudando "com mentoria, com modelos de negócio e com regulação, ligamos a indústria a estas ideias de prova de conceito”."Nós queremos, lançar ideias e de tecnologias que nascem na universidade e aproximá-las da sociedade, aproximá-las das empresas, trabalhar com as empresas no sentido de fazer com que essas ideias se transformem em soluções para os problemas reais", acrescentou.Já o terceiro pilar é “o da formação”, que envolve a formação para a literacia da água desde “idades mais jovens” até a “profissionais” na área da água, onde diz haver “uma lacuna que é muito real no nosso país”.Porém, sublinhou, apesar do Colégio brotar dentro da Universidade de Lisboa, a vice-diretora realça que não se fecha dentro dele. "Como todos os todos os problemas complexos, eles nunca conseguem ser resolvidos sozinhos", afirmou Cecília Rodrigues, acrescentando que "não é nenhuma universidade, nenhuma escola, nenhuma disciplina, sozinha que o vai conseguir"."É aberto a todas as escolas, aberto a outras universidades e, sobretudo, aberto a empresas e a entidades públicas de diversas áreas que queiram colaborar", realçou ainda..Cheias urbanas. A tecnologia portuguesa que antecipa o caos e supera gigantes mundiais.As batalhas de amanhã serão pela água.Novo furo de água em Almada entra em funcionamento. Conheça o calendário dos cortes para os próximos dias