Francisco Vilaça, diretor-geral da Uber, Gonçalo Reis, vice-presidente da Câmara de Lisboa, e Mário de Morais, diretor-geral da Bolt, na assinatura do acordo.
Francisco Vilaça, diretor-geral da Uber, Gonçalo Reis, vice-presidente da Câmara de Lisboa, e Mário de Morais, diretor-geral da Bolt, na assinatura do acordo.Paulo Spranger

TVDE: Lisboa terá zonas vermelhas dentro de semanas e primeira "praça Bolt e Uber" é no Mosteiro dos Jerónimos

Acordo assinado entre a Câmara de Lisboa e as duas plataformas deve ter implementação rápida. Melhorar velocidade de circulação da Carris e eletrificação total da frota TVDE estão entre os objetivos.
Publicado a
Atualizado a

As "zonas vermelhas" de Lisboa, em que os TVDE deixarão de poder iniciar ou terminar viagens, incluindo o eixo central e zonas turísticas da cidade, serão implementadas pela Bolt e pela Uber "nas próximas semanas". Na cerimónia de assinatura do acordo, que foi revelado na edição desta quinta-feira do Diário de Notícias, foi também anunciado pelo vice-presidente da Câmara de Lisboa, Gonçalo Reis, que a primeira "zona azul", destinada a replicar o conceito das praças de táxis à procura de viaturas TVDE, vai ser criada perto do Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, dentro de meses.

Referiindo-se ao que descreveu como "um acordo de autorregulação" com as duas plataformas eletrónicas, que em conjunto terão mais de dez mil operadores a circular nas ruas da capital - sendo que muitos deles tanto transportam passageiros pela Uber como pela Bolt -, Gonçalo Reis apresentou o compromisso como uma forma de garantir "uma circulação ordenada, qualificada e segura".

Entre os quatro objetivos do acordo que foram enunciados pelo vice-presidente da autarquia, que é responsável pelo pelouro da Mobilidade, o primeiro foi a definição das "zonas vermelhas". Como o DN avançou na sua edição impressa, estas incluem algumas das principais artérias de Lisboa - eixos centrais da Avenida da República e da Avenida da Liberdade, Avenida Fontes Pereira de Melo, Praça do Marquês de Pombal e Avenida Padre Cruz -, tendo em conta o efeito da tomada e largada de passageiros na circulação da Carris nos corredores BUS, e ainda "ruas estreitas históricas que queremos valorizar e dar todas as possibilidades aos peões e ao transporte individual". A sua georreferência está em curso e será implementada pelas plataformas, impedindo a aceitação de viagens com início ou final nesses locais, ao longo das próximas semanas.

De seguida, Gonçalo Reis referiu-se às zonas azuis, especificamente organizadas para a tomada e largada de passageiros. O vice-presidente da Câmara de Lisboa deu como exemplo o Mosteiro dos Jerónimos, acrescentando-lhe a Praça do Império, o Campo das Cebolas e o Terminal do Oriente, "à semelhança do que já acontece no aeroporto".

Outros objetivos da autarquia incluem o "compromisso reforçado dos operadores de TVDE em cumprirem as regras de trânsito". Algo que, segundo Gonçalo Reis, envolve acabar com "situação bastante relevantes", incluindo não circular em faixas BUS, não estacionar em passadeiras ou em segunda fila.

Igualmente realçada foi a preocupação com a transição climática, ficando estabelecidos objetivos de eletrificação da frota TVDE ligada às duas plataformas. Deverá chegar a 60% até ao final deste ano, com subidas progressivas da fasquia em dez pontos percentuais a cada ano seguinte, até ser atingida a meta dos 100%, prevista para 2030. "Estamos seguros de que vai ser implementado", disse Gonçalo Reis ao DN, referindo-se a "um princípio de confiança entre as partes".

"Temos que ter ambição para Lisboa e para a área da mobilidade. Deve ser uma cidade civilizada, deve ser uma cidade moderna, deve ser uma cidade sustentável, que proteja os cidadãos e com as melhores práticas internacionais", disse o autarca, destacando as "vantagens do online" na rapidez de implementação das zonas vermelhas e zonas azuis de TVDE. Nesse sentido, falou num "trabalho dinâmico de melhoria contínua", em que tanto as zonas de restrição de tomada e largada de passageiros como as "praças Bolt e Uber" poderão vir a ser alteradas.

O vice-presidente da Câmara de Lisboa não se comprometeu com o efeito que as restrições a TVDE em artérias com faixas BUS terão na velocidade média de circulação da Carris, mas disse esperar que os 13,66 quilómetros por hora venham a subir. Também pelo recrutamento de 259 motoristas para a empresa municipal, reforçando a capacidade de assegurar oferta mesmo com igual número de autocarros.

Plataformas afastam quebra no negócio

Confrontado com críticas de motoristas de TVDE a um acordo que temem vir a ter impacto negativo na faturação, Mário de Morais, diretor-geral da Bolt em Portugal, descreveu o acordo como "um reforço de compromisso com a Câmara de Lisboa para que tudo esteja organizado". E, sobre a ideia de passar a haver locais para onde os passageiros se desloquem para apanhar viaturas, comentou que "faz todo o sentido", acrescentando que "não faria sentido estarmos a recolher em qualquer lado num aeroporto", pois "o ideal para as pessoas é que fosse na pista de aterragem".

Dizendo que a Bolt já teve "primeiras conversas" sobre o tema com associações de motoristas, Mário de Morais disse que a eletrificação da frota TVDE "tem ocorrido naturalmente, por uma questão de modelo de negócio, pois faz muito mais sentido ter um veículo elétrico numa cidade". E que, a nível nacional, já 43% dos veículos que utilizam a sua aplicação são elétricos, adiantando que a percentagem será superior nos que operam na capital.

Por seu lado, Francisco VIlaça, diretor-geral da Uber em Portugal, disse que o compromisso assinado com a Câmara de Lisboa se insere na estratégia seguida pela plataforma em mais de 70 países. "Queremos sempre nos posicionar como parte da solução, ajudando as cidades nas quais operamos a ter as melhores soluções para quem vive, trabalha e visita", disse, referindo o compromisso com a mobilidade elétrica, através da "criação de um ecossistema de financiamento de veículos" e de pontos e soluções de carregamento.

Afastando que o acordo implique custos acrescidos para os passageiros, Francisco Vilaça também relativizou as preocupações dos motoristas com o decréscimo no número de viagens. "Percebemos que é sempre necessário implementar medidas com cuidado, olhando para o território, mas não nos parece que muitas destas zonas vermelhas tenham esse efeito", disse, apontando a existência de faixas laterais na Avenida da República e Avenida da Liberdade, bem como à existência de "quarteirões de 50 em 50 metros".

Francisco Vilaça, diretor-geral da Uber, Gonçalo Reis, vice-presidente da Câmara de Lisboa, e Mário de Morais, diretor-geral da Bolt, na assinatura do acordo.
Câmara de Lisboa restringe TVDE em zonas turísticas e corredor Bus

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt