A Câmara Municipal de Lisboa e as plataformas Bolt e Uber vão celebrar nesta quinta-feira um acordo de compromisso que vai criar zonas vermelhas na cidade, nas quais deixará de ser possível iniciar ou terminar deslocações em viaturas TVDE, e também zonas azuis, que funcionarão em moldes semelhantes aos das praças de táxi.O documento, que será assinado pelo vice-presidente da Câmara de Lisboa, Gonçalo Reis, e por representantes da Bolt, Mário de Morais, e da Uber, Francisco Vilaça, também prevê a eletrificação total da frota TVDE que opera na capital até ao ano de 2030. Essas metas de neutralidade carbónica serão progressivas, devendo atingir-se 60% de veículos elétricos até ao fim deste ano, com a fasquia a elevar-se em dez pontos percentuais a cada ano seguinte.Entre as zonas vermelhas encontram-se algumas das principais artérias da capital, como o eixo central da Avenida da República, a Avenida Fontes Pereira de Melo, a Praça do Marquês de Pombal e o eixo central da Avenida da Liberdade, pretendendo-se eliminar a sobrecarga a que as entradas e saídas de passageiros que recorrem aos serviços das plataformas de TVDE têm sujeitado os corredores BUS, nos quais a Câmara de Lisboa garante ter-se verificado “uma redução da velocidade comercial do serviço da Carris”. Algo que também se vai aplicar à Avenida Padre Cruz, um dos principais pontos de entrada na capital, em viatura própria ou autocarros.As zonas vermelhas, que serão georreferenciadas e comunicadas às plataformas, impedindo os motoristas de aceitar solicitações de viagens que tenham origem ou destino nesses locais - embora o mesmo seja possível nas laterais da Avenida da República e da Avenida da Liberdade -, também incluem zonas históricas de elevada pressão turística, como a Rua do Ouro, a Rua de Belém, a Rua de São Pedro de Alcântara e o Príncipe Real.O acordo com as plataformas de TVDE, que a Câmara de Lisboa espera ver criar “condições para que o serviço funcione de forma ordenada, previsível e ordenada com os objetivos de circulação” e promover “princípios para um serviço mais diligente e seguro”, é defendido por Carlos Moedas como uma forma de melhorar a circulação dentro da cidade. “O nosso objetivo passa por assegurar a melhor coexistência possível entre todos, assim como a fluidez de trânsito nas artérias de Lisboa. Queremos proteger os cidadãos, as zonas históricas e de elevada pressão, e proporcionar uma mobilidade harmoniosa na cidade”, disse o autarca ao DN.Também salientada por Carlos Moedas no acordo “para melhorar o quotidiano dos lisboetas” e “garantir que as regras aplicáveis aos TVDE se tornam mais claras, otimizando a sua atividade, e também mais compatíveis com a circulação dos demais utilizadores da vida pública”, é o que o autarca descreve como a ambição da Câmara de Lisboa no que toca “à transição para uma mobilidade mais amiga do ambiente, assim como o compromisso das plataformas no que respeita à renovação da frota automóvel”.Em paralelo com a definição das zonas vermelhas, serão lançados projetos-piloto para a implementação de zonas azuis, numa lógica de funcionamento semelhante ao das praças de taxi, prevendo-se que os passageiros se desloquem a locais onde se encontram as viaturas. Numa fase inicial, decorrente do acordo entre a Câmara de Lisboa e as plataformas Bolt e Uber que vai ser assinado na manhã desta quinta-feira, nos Paços do Concelho, estará em causa a concentração de TVDE em locais de elevado interesse turístico e em interfaces de transportes públicos.Neste momento haverá cerca de dez mil viaturas de Transporte Individual e Remunerado de Passageiros em Veículos Descaracterizados a partir de Plataforma Eletrónica (TVDE). a circular nas ruas de Lisboa, incluindo as de operadores de concelhos limítrofes e que entram na cidade..Regulação dos TVDE pode ser alvo de revolução esta quinta-feira no Parlamento.Estrangeiros, sem formação e com baixo salário. Inquérito desmonta mitos sobre condutores TVDE