Alegadas torturas ocorreram na esquadra do Rato, em várias noites distintas.
Alegadas torturas ocorreram na esquadra do Rato, em várias noites distintas.Foto: Reinaldo Rodrigues

Tortura na esquadra. MP pede prisão preventiva para quatro polícias e prisão domiciliária para três

Ainda este sábado poderão ser conhecidas as medidas de coação aplicadas aos 14 polícias detidos no âmbito deste caso.
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O Ministério Público pediu este sábado, 9 de maio, a prisão preventiva para quatro polícias detidos na terça-feira no âmbito do caso de agressões e tortura na esquadra do Rato, em Lisboa. Pediu ainda prisão domiciliária para outros três agentes e a suspensão de funções para os restantes elementos da PSP que foram detidos.

Ainda este sábado poderão ser conhecidas as medidas de coação aplicadas aos 14 polícias detidos no âmbito deste caso. Os interrigatórios terminaram ao final da tarde de sexta-feira, tendo a juíza responsável remetido as medidas de coação para este sábado ou para segunda-feira.

O advogado Carlos Alves Melo afirmou que a maioria das situações tem a ver com "agentes da autoridade chamados para intervir em situações graves, algumas de violência doméstica. Lá deparam-se com agressores violentos e têm de usar da força para os manietar". "Podemos questionar a força usada, mas não passa disso", disse.

No total, foram detidos 15 polícias e um civil, segurança de um espaço noturno, tendo sido um dos polícias libertado logo depois da detenção, na terça-feira, e o civil libertado na quinta-feira, após o tribunal de instrução ter aceitado o pedido de habeas corpus por detenção ilegal.

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Caso da esquadra do Rato. Um polícia e um civil libertados

Dos 15 polícias detidos, 14 são suspeitos de 19 crimes de tortura, além de outros que incluem ofensas à integridade física, abuso de poder e falsificação de documento em nove casos apontados pelo Ministério Público, referiu à Lusa fonte próxima do processo.

Um dos polícias não terá participado nas agressões, sendo suspeito dos crimes de tortura, abuso de poder e ofensas à integridade física por omissão, uma vez que terá assistido às agressões, e outro polícia é suspeito dos crimes de ofensas à integridade física, falsificação de documento, furto e violação de correspondência.

Com a detenção de 15 polícias - 13 agentes e dois chefes -, aumenta para 24 o número de elementos da Polícia de Segurança Pública envolvidos no processo de alegadas torturas e violações nas esquadras do Largo do Rato e do Bairro Alto, numa investigação denunciada pela PSP.

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