"Gratuitidade. Alojamento. Democracia.” É este o mote da manifestação do Movimento Associativo Estudantil, que promete levar milhares de alunos a marcar presença, esta terça-feira (24 de março), na Manifestação Nacional de Estudantes do Ensino Superior.Os estudantes apontam críticas à atuação do Governo em várias frentes, desde o financiamento do sistema até às condições de acesso e permanência no Ensino Superior. Entre as principais preocupações está a possibilidade de aumento das propinas, que, segundo os organizadores, continua a ser uma intenção do Executivo, apesar da contestação já expressa em protestos realizados no primeiro semestre e a 28 de outubro.Outro dos problemas destacados prende-se com o alojamento estudantil. De acordo com os dados apresentados, existem atualmente cerca de 175 mil estudantes deslocados, mas apenas 15 mil camas disponíveis em residências públicas. Os alunos denunciam ainda o atraso na execução do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior, com apenas 13% das camas previstas concluídas.A revisão do Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior está também a ser contestada pelos estudantes, pois consideram que a proposta limita a sua participação nos órgãos de decisão e contribui para desresponsabilizar o Estado no financiamento do setor.Perante este cenário, o movimento estudantil defende a gratuitidade do Ensino Superior, o reforço da ação social escolar, o aumento da oferta de alojamento público e a garantia de uma gestão mais democrática das instituições.Ao DN, Tiago Antunes, membro da direção da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (AEFCSH), sublinha a importância do protesto, numa altura em que o Ensino Superior se encontra “numa situação insustentável, com um enorme desinvestimento e incumprimento do plano de alojamento”. “Ainda acresce a questão das propinas e todos estes problemas e estudantes sem acesso a residência. Há um conjunto de problemas que não são sustentáveis para a maioria dos estudantes e é preciso não esquecer que, este ano, temos menos alunos no Ensino Superior e da parte do Governo o que assistimos é a uma postura contrária à resolução dos problemas. Temos de lutar”, explica. E são estas dificuldades que levam o elemento da direção da AEFCSH a acreditar numa enchente na manifestação. “Contamos com milhares de estudantes de todo o país. Se olharmos para as ações anteriores, esta manifestação será expressiva”, garante. O protesto, acredita, poderá surtir efeito e levar ao cumprimento dos anseios dos jovens. “Foi assim em outubro que conseguimos derrubar o aumento da propina, tem sido com a nossa luta que este projeto do Ensino Superior (ES) de abril se criou. Temos toda a convicção que com esta manifestação vamos conseguir avançar para conseguir um ES de qualidade”, afirma. Para Tiago Antunes, neste momento, “a maior barreira dos estudantes é a propina, é um custo que é colocado independentemente dos rendimentos”. “Está em risco de ser novamente aumentada, mas há um conjunto de problemas estruturais e da própria democracia nas faculdades, que são preocupantes”, conclui. São 56 as estruturas do Movimento Associativo Estudantil, entre as quais Associações de Estudantes, Associações Académicas, núcleos, grupos académicos, tunas e comissões de residentes, as que se associaram ao apelo de luta “24 de Março - Dia Nacional do Estudante”.Governo reúne com estudantes antes da manifestaçãoApesar da mobilização nacional, nem todas as estruturas estudantis vão aderir ao protesto. Francisco Porto, presidente da Federação Académica do Porto (FAP), defende que “a via do diálogo ainda é possível” e sublinha que a associação opta por uma estratégia diferente. “Temos a possibilidade de falar diretamente com quem decide e é em sede própria que nos devemos fazer ouvir”, afirma ao DN.O dirigente reconhece, no entanto, que persistem problemas no setor, destacando “um grave problema de alojamento” e afirmando ser necessário “investir mais em ação social”. Ainda assim, considera que o momento deve ser aproveitado para apresentar propostas. “Vamos assinalar o dia de forma construtiva com propostas que vamos fazer chegar à tutela”, explica.O representante da FAP sublinha que há convergência nos objetivos, mas divergência nos métodos. “No essencial, estamos de acordo com o movimento estudantil, há é diferentes formas de fazer política. A Academia do Porto opta por uma forma mais construtiva, até porque nós acreditamos que a rua deve ser valorizada e não banalizada”, refere.A manifestação está marcada para as 14h30, com início no Rossio, em Lisboa, e surge no âmbito das comemorações do Dia Nacional do Estudante. Os organizadores apelam à participação, sublinhando a necessidade de “um Ensino Superior público, gratuito, democrático e de qualidade”, onde “ninguém fique para trás”..Movimento estudantil promete luta contra o descongelamento de propinas no Ensino Superior