Plásticos, microplásticos e nanoplásticos estão cada vez mais presentes nos oceanos. Os primeiros são aqueles que vemos: copos, garrafas, sacos, que muitas vezes agarram-se a animais marinhos ou acabam na areia das praias. Os últimos, só visíveis com lentes de microscópio, desprendem-se de peças de roupa, de embalagens e de outros objetos do dia a dia. Em comum, sejam os maiores ou os mais pequenos, um problema para o qual um grupo de cientistas reunidos em Portugal procura uma solução: 80% de todo o plástico que acaba no mar é transportado pelos rios.Quem apresenta este dado é a professora Hilda de Pablo, docente na Faculdade de Engenharia da Universidade Lusófona e especialista em oceanografia, que lidera um dos grupos de trabalho do projeto europeu Free LitterAT. "O maior aporte de plásticos que há para o oceano vem da terra, vem dos rios. Para nós é muito importante saber qual é, como entra e quanto entra. Apesar de estarmos mais focados no oceano e zonas costeiras, os convénios agora querem muito também saber qual é o papel dos rios em todo este tema da contaminação oceânica", explica a professora ao DN.Os convénios referidos pela docente são as quatro Convenções Regionais do Mar (CRMs), que abragem o Atlântico Nordeste (OSPAR), o Mediterrâneo (UNEP-MAP), o Mar Báltico (HELCOM) e o Mar Negro (Convenção de Bucareste). Representantes das quatro, além de investigadores de Portugal e mais 29 países, num total de 60 organizações internacionais, participam num evento que arranca esta quarta-feira, 25 de março, em Cascais, para discutir possíveis formas de se monitorizar o aporte de plástico que os rios levam para o oceano.Um das principais dificuldades é a falta de números relativos a este fluxo. E, quanto mais longo o curso de um rio, maior a chance de haver mais plástico a ser transportado para o mar. No caso de Portugal, "os rios são significativos, muito longos e transfronteiriços", destaca Hilda de Pablo. "A peculiaridade deles é que desaguam todos no Oceano Atlântico e, como na maioria dos países, a população está muito mais centrada nas zonas costeiras. O aporte deles [de plástico] também é significativo e tem que ser uniformizado todo esse tipo de controlo", completa.O evento faz parte do encontro de coordenação do projeto Free LitterAT, que envolve 23 organizações de Portugal, Espanha França e Irlanda, e tem como objetivo a proteção da biodiversidade marinha, promovendo estratégias de prevenção e redução do lixo nos oceanos..Alterações climáticas estão a globalizar doenças antes tropicais.Mundo falha acordo sobre plásticos com mais 50% de resíduos em vista até 2040