Após participar da apresentação do mais novo livro do ator e escritor brasileiro Gregório Duvivier, em Lisboa, Ricardo Araújo Pereira destacou a importância das trocas culturais entre Brasil e Portugal e criticou o crescimento de discursos xenófobos no país.Para o humorista português, a história e a própria formação social de Portugal tornam esse tipo de comportamento ainda mais contraditório, sobretudo num contexto em que a circulação de pessoas e culturas sempre fez parte da identidade do país.“O racismo é estúpido em qualquer lado. Em Portugal, especialmente, tendo em conta o que nós somos, a mestiçagem que há aqui, a nossa história, aqui é especialmente idiota, se é que isso é possível”, afirmou, em conversa com o DN/DN Brasil na Biblioteca Palácio Galveias, onde decorreu o evento.O humorista também chamou atenção para o papel do humor, da cultura e do contacto direto na redução de preconceitos, apontando que muitas das rejeições nascem espcialmente do desconhecimento. “A partir do momento em que as pessoas conhecem, essa diferença esbate-se e a estranheza desaparece e torna-se riqueza”, disse.Ao longo do evento do lançamento do livro - intitulado a Flor da Língua - o humorista relembrou ainda experiências partilhadas com Duvivier em palco, marcadas justamente pelo encontro entre brasileiros e portugueses e pelas diferenças linguísticas que emergem desse convívio. “O espetáculo consiste em duas partes, em que nós primeiro falamos e depois acendem-se as luzes da sala e a plateia começa a contar as suas aventuras linguísticas”, explicou.Entre os exemplos, destacou situações em que expressões comuns em Portugal ganham outro sentido no Brasil - e vice-versa. “Uma senhora brasileira disse-nos: ‘um amigo meu português disse-me sempre vais mudar de casa’, que em Portugal significa que se confirma que vais mudar, mas aos ouvidos brasileiros soa como se fosse mudar todos os dias”, contou.Para Ricardo Araújo Pereira, esse tipo de troca, muitas vezes mediada pelo humor, ajuda a transformar estranhamento em aproximação e evidencia o potencial cultural desse encontro entre os dois países. “Nós conseguimos compreender bem o sotaque brasileiro por causa das telenovelas, por exemplo. [A cultura] faz muito pela aproximação dos povos”, afirmou, lembrando o impacto duradouro desses produtos culturais na relação entre Brasil e Portugal.Confira a reportagem completa no Radar DN Brasil desta sexta-feira, 20 de março..Gregorio Duvivier lança livro em Lisboa em conversa com Ricardo Araújo Pereira nesta terça-feira.Imigração. "A literatura pode ser uma ferramenta que ajuda a sociedade a perceber o outro”, diz Alberto Santos