O Comandante Nacional da Proteção Civil alertou esta sexta-feira, 6 de fevereiro, que a próxima noite exige prudência devido às previsões de chuva e vento fortes pela passagem da depressão Marta. “Vamos ter bastante chuva e vento, com rajadas que podem chegar aos 100 km/h”, disse Mário Silvestre, realçando que, pela situação de saturação dos solos e fragilidade das infraestruturas já afetadas, é necessário adotar comportamentos seguros “para não ternos mais problemas e vítimas a registar”.Mário Silvestre referiu que as principais preocupações neste momento têm a ver com o rio Douro, devido às barragens espanholas, o rio Mondego, cuja cota na barragem da Aguieira “subiu significativamente”, e o rio Tejo, influenciado pelas descargas das barragens de Alcântara e Cedillo.“Estamos a fazer uma gestão muito fina dos caudais para garantir que o dique do Mondego não tem problemas de maior”, realçou, acrescentando que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) acompanha a situação “em permanência”.As inundações mantêm-se também em Coruche, devido ao galgamento da margem direita do Sorraia, e em Alcácer do Sal.O comandante nacional da Proteção Civil deu conta da existência de 7517 ocorrências no total, desde domingo.De acordo com o comandante nacional da Proteção Civil, estão cinco helicópteros a sobrevoar as zonas afetadas: “dois helicópteros da Força Aérea Portuguesa e três à guarda da ANEPC”.“Encontram-se a fazer a monitorização de todos os cursos de água principais com zonas previamente definidas para os voos de reconhecimento. Estamos permanentemente a recolher essa informação”, acrescentou. Mário Silvestre revelou ainda que quase 900 pessoas tiveram de ser realojadas desde domingo.“No total e até ao momento, foram deslocadas 884 pessoas, estando todas elas devidamente realojadas”, disse.As evacuações ocorreram em vários distritos, disse o responsável, exemplificando: 37 pessoas foram retiradas de um acampamento em Viana do Castelo, uma idosa em São Martinho do Porto (Leiria), duas em Ferreira do Zêzere (Santarém), oito em Vila Chã de Ourique (Santarém), dez em Reguengo de Valada no Cartaxo (Santarém), 200 em Alcácer do Sal (Setúbal), 18 em Alcobertas (Santarém), nove em Alpiarça (Santarém), 16 em Grândola (Setúbal) e duas em Odemira (Beja).Mário Silvestre lembrou que há ainda localidades isoladas no Cartaxo, Coimbra e Algarve, onde uma família de Alma Daninha (Vila do Bispo) recebe apoio dos bombeiros.Em Reguengo de Alviela, no distrito de Santarém, a Proteção Civil está a “equacionar a evacuação” preventiva da população.Com a precipitação a manter-se, a ANEPC alerta que os efeitos “vão continuar” e sublinha que o comportamento seguro dos cidadãos é crítico nesta fase.A Proteção Civil mantém até sábado o alerta máximo devido ao risco de inundação em vários rios de Portugal continental devido à depressão Marta.Segundo Mário Silvestre, o rio Vouga “apresenta afetação principal” nos municípios de Albergaria a Velha, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Mira, Murtosa, Ovar, Vagos e Cantanhede.Há também risco elevado no rio Águeda, em Águeda, e no rio Mondego, com impacto em Cantanhede, Coimbra, Condeixa a Nova, Figueira da Foz, Miranda do Corvo, Montemor o Velho e Soure.No rio Tejo, a pressão hidrológica estende-se a Abrantes, Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Constância, Coruche, Entroncamento, Gavião, Golegã, Mação, Salvaterra de Magos, Santarém, Vila Franca de Xira e Vila Nova da Barquinha.O rio Sorraia mantém risco em Coruche e Benavente, enquanto o rio Sado afeta Alcácer do Sal, Santiago do Cacém, Grândola, Alvito, Ourique e Ferreira do Alentejo.Com risco de inundação menos grave, mas ainda relevante, estão o rio Lima (Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e Ponte de Lima), o Cávado (Braga, Barcelos, Vila Verde e Esposende), o Ave (Santo Tirso, Trofa e Vila Nova de Famalicão), o Douro (Gondomar, Porto, Vila Nova de Gaia, Lamego e Peso da Régua), o Tâmega (Chaves e Amarante), o Lis (Leiria) e o Guadiana (Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António). O comandante alertou que “todos os cursos de água que desaguam nos rios principais podem criar potencial de inundação, porque não conseguem escoar”, representando “risco significativo” para as populações que vivem ou circulam junto às margens.O responsável acrescentou que os municípios têm desempenhado “um trabalho fantástico, de aproximação, evacuação e antecipação”, para mitigar os impactos das cheias.Estão atualmente ativos 89 planos municipais e sete planos distritais de emergência. As regiões mais fustigadas pelo mau tempo são Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo..Mau tempo: Governo pede ativação da reserva agrícola da UE após perdas estimadas em 500 milhões.Aldeias sem luz há 10 dias. População mobiliza-se para manifestação em Pombal