Prisão preventiva para suspeito de atirar 'cocktail molotov' na Marcha pela Vida
O homem que terá lançado cocktail molotov contra manifestantes que protestavam contra o aborto na Marcha pela Vida, a 21 de março, vai ficar em prisão preventiva. A informação foi avançada inicialmente pela SIC Notícias e confirmada pelo DN junto de fonte ligada à investigação.
O tribunal acolheu os argumentos da PJ e do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) em relação ao risco de fuga. O indiciado, de 39 anos, possui ligação com os Estados Unidos, onde viveu e trabalhou. Quando foi identificado no dia do crime, o passaporte não foi apreendido.
O suspeito foi detido na manhã de quarta-feira, 15 de abril, em Lisboa. EsTá indiciado pela tentativa da prática dos crimes de infrações terroristas, detenção de arma proibida, incêndio, explosão e outras condutas especialmente perigosas e de ofensas à integridade física grave.
Segundo apurou o DN, este homem tem 39 anos, estará ligado a movimentos de extrema-esquerda e trabalha na área do design. É ainda militante do PS, como revelou o próprio partido, que determinou a suspensão preventiva do mesmo e a instauração de um processo disciplinar.
Repercussão
O ataque, ocorrido em março em frente ao Parlamento, não deixou feridos, mas representou perigo nesta manifestação, a qual participavam mulheres e bebés. O crime foi denunciado em vídeos partilhados nas redes sociais por participantes na Marcha pela Vida e por alguns políticos, como a deputada do Chega, Rita Matias. O líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, referiu-se a “um atentado à democracia”, criticando “o ódio e a violência” que deixam “clara a diferença” em relação a “milhares que se manifestaram de forma pacífica”.
O caso também levou o ministro da Administração Interna, Luís Neves a condenar o ataque. “Não toleramos qualquer forma de extremismo violento e continuaremos a agir com firmeza para o prevenir e combater, garantindo a segurança e a defesa dos valores democráticos”, disse na altura.
De acordo com o último Relatório Anual da Segurança Interna (RASI), divulgado recentemente, “também face à acrescida assertividade da extrema-direita radical e violenta, o ‘antifascismo’ tornou-se, novamente, num dos principais veículos para efeitos de recrutamento, mobilização e radicalização da extrema-esquerda radical e violenta, amiúde interpenetrada pelo ativismo ambientalista radical”.
O mesmo documento refere que “destacou-se, contudo, o esforço do movimento autónomo e anarquista em dinamizar a causa antifascista, com os militantes preparados para o confronto físico com os seus adversários e as Forças de Segurança, e em desenvolver uma praxis de violência insurrecional, fosse através de iniciativas promovidas pelo movimento, fosse pela instrumentalização de protestos de terceiros, como sucedeu por ocasião da Greve Geral”.
