O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, disse esta segunda-feira (9 de fevereiro) que se o impacto da depressão Kristin fosse na casa de quem governa o país a resposta teria sido mais rápida, ao referir-se ao restabelecimento da energia elétrica.“Ficamos com a clara sensação de que todo este esforço importante – e não ponho em causa os trabalhos que estão a ser feitos por todos os trabalhadores envolvidos - demonstra uma outra situação, é que, de facto, o país pode ser solidário, o povo é solidário, mas continuam a existir muitas barreiras entre Lisboa e o resto do país, porque, se isto tivesse acontecido na casa de quem nos governa, a resposta teria sido mais rápida e se calhar teria sido outra”, afirmou Gonçalo Lopes.Numa conferência de imprensa nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está instalado o centro de operações municipal, o autarca socialista considerou que o grau de empatia que se deve ter na política passa por colocar-se “no lugar de quem mais sofre e não deixar para trás aqueles que são os mais desfavorecidos, aqueles que vivem nas aldeias, as populações mais idosas”. .Gonçalo Lopes: “Se isto tivesse sido em Lisboa, não haveria tanta gente a ver o Benfica com aquele entusiasmo”. Assegurando ter “uma avaliação muito clara sobre as limitações e os meios empregues no terreno”, Gonçalo Lopes considerou, contudo, que a resiliência de uma empresa como a E-Redes, a principal operadora da rede de distribuição de energia elétrica em Portugal Continental das redes de alta, média e baixa tensão, “deveria ser maior e deviam ter sido acionados mecanismos de apoio mais cedo”.“Uma empresa que tem responsabilidade de levar energia à casa das pessoas e à qual pagamos todos os meses na nossa fatura, com uma tarifa que é regulada por uma entidade própria, obrigava a outra capacidade de resposta”, declarou, lamentando que “a capacidade de resposta, a nível nacional, tenha sido insuficiente e não tenham sido acionados os meios internacionais necessários para que este restabelecimento seja mais rápido”.O presidente do município adiantou que havia 17.030 clientes sem eletricidade no concelho, “informação recolhida na plataforma” a que a autarquia tem acesso.“Quando se fala de informação, não se fala só dos contadores que estão ativos”, sustentou, sublinhando haver mais “informação que é importante, nomeadamente a do planeamento, dos trabalhos executados, das prioridades”.Nesse sentido, destacou que “a dimensão de transparência não se resume a um Excel”, assumindo ter “muitas dúvidas sobre essa informação”.Antes, o autarca lamentou a morte, hoje, de um trabalhador da empresa Canas, ao serviço da E-Redes, em Leiria, apresentando as condolências à família e à empresa.Sobre a vigília, às 20:00 de hoje, junto à Fonte Luminosa, o autarca explicou que pretende ser uma homenagem às vítimas mortais decorrentes do mau tempo, a todos aqueles, incluindo voluntários, que se têm esforçado na limpeza e reconstrução, e uma ação de solidariedade para quem está há 13 dias privado de eletricidade.No sábado, a Câmara e as 20 juntas de freguesia de Leiria criticaram “a falta de informação objetiva, atualizada e acessível” da E-Redes. .Câmara e freguesias de Leiria criticam E-Redes e pedem compensações para lesados. População "merece respeito". Numa carta aberta dirigida ao presidente do conselho de administração da E-Redes e lida nesse dia pelo presidente do Município de Leiria, Gonçalo Lopes, os subscritores reconheceram “o esforço técnico das equipas no terreno”, mas defenderam que, “num contexto de emergência, sendo a E-Redes um operador de serviço público essencial, a comunicação, a proximidade e o respeito pelas populações são responsabilidades tão relevantes quanto a intervenção técnica”.No dia seguinte, a E-Redes fez saber que iria remeter às Câmaras municipais o número de clientes sem energia na sequência do mau tempo, mas os órgãos de comunicação social estão excluídos desta informação.“Os números por concelho serão divulgados às Câmaras Municipais assim que os tivermos”, declarou à agência Lusa fonte oficial da E-Redes..Ferreira do Zêzere pede ajuda urgente a empresas da construção civil.Proteção Civil alerta para risco de inundações e deslizamentos de terras