Polícia obrigada a intervir após confrontos com homem que invadiu manifestação com bandeira de Israel
O surgimento de um homem a empunhar uma bandeira de Israel na praça D. Pedro IV, no Rossio, desencadeou cenas de alta tensão na manifestação desta quarta-feira, 21 de outubro, do movimento Acampada de Lisboa.
A situação levou a confrontos entre manifestantes e o homem, tendo a polícia sido obrigada a intervir, num momento em que as tendas estavam a ser montadas.
Na sequência dos incidentes, a estação de metro do Rossio foi encerrada.
Ao longo dos últimos dias, vários manifestantes têm empunhado bandeiras da Palestina durante os protestos.
Os manifestantes do movimento Acampada de Lisboa decidiram pernoitar na praça D. Pedro IV durante a madrugada desta quinta-feira.
A medida foi aprovada com 190 votos a favor e 270 abstenções.
Caberá aos manifestantes que ficarem a pernoitar no local da manifestação decidir, numa assembleia interna, o que fazer se a polícia avançar com uma operação para os retirar.
Está a ser aberta uma ronda para montar as tendas.
Antes do início da Assembleia Popular, às 20h30, foram entoados cânticos de “a praça é nossa e há de ser, a praça é nossa até morrer”.
A intervenção de um participante a prometer um regresso das tendas à praça havia sido muito aplaudido antes da votação, deixando antever qual seria o resultado.
Na assembleia popular desta terça-feira, mesmo após a intervenção da PSP para os retirar, foi votado voltar a montar tendas esta quarta-feira.
Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.
As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.
A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz no dia 27.
Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.

