A empresa, que, como o nome indica, assegura o transporte rodoviário na Área Metropolitana de Lisboa, é operada por quatro firmas privadas.
A empresa, que, como o nome indica, assegura o transporte rodoviário na Área Metropolitana de Lisboa, é operada por quatro firmas privadas.Foto: Leonardo Negrão

Operadoras da Carris Metropolitana têm até 57% de motoristas estrangeiros

A mão de obra imigrante é cada vez maior no setor. Das quatro operadoras privadas que fazem parte da Carris Metropolitana, a percentagem varia entre 25% a mais de 50%.
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A operação da Carris Metropolitana depende cada vez mais de mão de obra estrangeira. Dados fornecidos ao DN revelam que os motoristas de outras nacionalidades representam entre 25,3% e 57% do quadro de condutores. A maioria é oriunda de países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A empresa, que, como o nome indica, assegura o transporte rodoviário na Área Metropolitana de Lisboa, é operada por quatro firmas privadas. “Os dados já consolidados dos operadores indicam que estes representam atualmente 25,3% dos motoristas da TST - Transportes Sul do Tejo, 31% da Rodoviária de Lisboa e 37% da Viação Alvorada, sendo a grande maioria proveniente de países com língua oficial portuguesa (CPLP). No caso da Alsa Todi, atualmente os motoristas estrangeiros representam 57% do quadro de motoristas”, detalha ao DN fonte oficial da Carris Metropolitana.

Assegura que “independentemente da nacionalidade, todos os motoristas têm de cumprir integralmente a legislação portuguesa e os requisitos legalmente exigidos para o exercício da profissão”. Entre esses requisitos estão a validação ou conversão da carta de condução para a categoria D, a obtenção do Certificado de Aptidão de Motorista (CAM) e a realização das avaliações médicas e psicotécnicas.

Mas há mais. “Paralelamente, todos os novos motoristas frequentam formação inicial, teórica e prática, adaptada às necessidades de cada profissional. Nos casos de motoristas sem experiência anterior na condução de veículos pesados de passageiros em Portugal, esta formação pode ser mais prolongada, assegurando a sua preparação para a realidade operacional e para os padrões de segurança e qualidade exigidos”, sublinha.

No caso da Alsa Todi, dos 480 motoristas, 275 são de nacionalidade estrangeira. A empresa adiantou ao DN que pretende contratar mais profissionais para a operação. Ao mesmo tempo, considera que “deveriam ser implementadas diversas medidas que considera essenciais e permitiriam que o setor do transporte rodoviário de passageiros tivesse mais profissionais”.

Entre as propostas, defende uma emissão mais célere de vistos de trabalho para imigrantes e a redução do tempo de legalização desses trabalhadores. A empresa também defende a simplificação do reconhecimento da qualificação profissional dos motoristas estrangeiros, através da equivalência entre o Certificado de Aptidão Profissional (CAP), obtido no país de origem, e o CAM (Certificado de Aptidão de Motorista) exigido em Portugal.

A Viação Alvorada explica que “a política de recrutamento assenta na igualdade de oportunidades e na resposta às necessidades operacionais”. Destaca ainda ao DN que o quadro de motoristas é estável e que, em 2025, foi registada “uma taxa de turnover de apenas 1,21%, um indicador que demonstra a capacidade da Viação Alvorada em reter os seus profissionais”. O objetivo é “assegurar talento em território nacional, independentemente da sua nacionalidade ou género, privilegiando sempre a competência, a qualificação e o cumprimento dos requisitos exigidos para o exercício da função”.

Na perspetiva da empresa, as medidas para o setor devem assentar na valorização destes profissionais. “Na nossa opinião, é essencial valorizar a profissão de motorista de serviço público. As empresas do setor devem continuar a apostar na formação contínua, abrangendo tanto competências ao nível operacional como áreas complementares, com vista à capacitação e valorização dos colaboradores. Motoristas qualificados e motivados são essenciais para garantir a continuidade, a qualidade e a eficiência do serviço”, refere.

Ao mesmo tempo, defende ser “fundamental simplificar e reduzir a burocracia associada ao processo de obtenção da carta de condução da categoria D e do CAM de passageiros”. Outra medida proposta passa pela criação de um curso técnico especializado para a função, “que permitisse a obtenção da categoria D e do CAM de passageiros, bem como o desenvolvimento de programas de formação específicos que preparem novos profissionais para a atividade”. A TST e a Rodoviária de Lisboa não responderam aos pedidos de informação do DN.

amanda.lima@dn.pt

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