Está a aumentar a troca de cartas de condução estrangeiras por cartas portuguesas. Até 1 de junho, foram emitidos 44.417 documentos, o que representa um aumento de 26,3% face ao mesmo período do ano passado. E as trocas de cartas de condução estrangeiras até junho já representam 44,5% do total de 2025. Os dados foram facultados ao DN pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT). A média é de 292 trocas efetuadas por dia.Entre janeiro e junho de 2025, o IMT concluiu 35.175 processos de conversão destes documentos, uma média de 231 por dia. O que compara com as 44.417 do mesmo período este ano, um aumento de 61 trocas diárias. No total de 2025, o IMT concluiu 99.862 processos de troca de cartas de condução, uma média de 274 trocas por diaNestes números estão representadas várias nacionalidades. Importa salientar que nem todos os cidadãos estrangeiros extracomunitários precisam de efetuar este procedimento para poderem conduzir em Portugal. O país tem acordos que reconhecem os títulos de condução do Brasil e dos restantes países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).Existe igualmente um acordo com os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Destes, 12 dos 38 países membros não integram a União Europeia (UE) nem o Espaço Económico Europeu (EEE): Austrália, Canadá, Chile, Coreia do Sul, Estados Unidos da América, Israel, Japão, Nova Zelândia, Reino Unido, Suíça e Turquia. Assim, Portugal possui acordos com 17 países extracomunitários cujos cidadãos não necessitam de trocar a carta de condução para poderem conduzir no país. Esta situação leva muitos imigrantes a não efetuarem o procedimento, cujo custo é de 30 euros. No entanto, continuam a existir requisitos obrigatórios, como ter menos de 60 anos, ter efetuado a última renovação ou emissão há menos de 15 anos e possuir um título de condução válido. Estes acordos aplicam-se apenas à condução de veículos ligeiros e não abrangem atividades que exijam certificações adicionais, nomeadamente o transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica (TVDE).Ou seja, qualquer cidadão estrangeiro que pretenda trabalhar como motorista profissional em plataformas TVDE tem de efetuar previamente a troca da carta de condução. Depois, o passo seguinte consiste em obter a certificação específica necessária para exercer a atividade.Mais de 40 mil motoristas de TVDEOs dados mais recentes do IMT sobre este setor reportam-se a maio. Nesse mês estavam ativos 40.858 motoristas em todo o país e cerca de metade são portugueses, enquanto a outra metade é constituída por cidadãos de diversas nacionalidades, sendo a brasileira a mais representada, com 20%. São 20.226 portugueses, 8233 brasileiros e 4759 indianos, que constituem o top 3. Seguem-se 2257 cidadãos do Bangladesh (5%) e 2230 paquistaneses (5%). Os condutores de Angola, Cabo Verde, Itália, Argélia e Marrocos representam menos de 1% cada, num total de 1724 motoristas no top 10.Os homens constituem a esmagadora maioria, representando 90% do total, com 36 .913 condutores. As mulheres correspondem aos restantes 10%, num total de 3945. Estes números também contrariam notícias recentes que apontam para uma saída de condutores TVDE estrangeiros de Portugal. Segundo os dados oficiais do IMT, entre abril e maio verificou-se um aumento do número de condutores estrangeiros, e não uma redução. O número total de motoristas estrangeiros aumentou em 443 entre os dois meses. Em abril estavam ativos 20.189 motoristas estrangeiros, enquanto em maio esse número subiu para 20.632.amanda.lima@dn.pt.Estrangeiros, sem formação e com baixo salário. Inquérito desmonta mitos sobre condutores TVDE.Supremo Tribunal de Portugal decide que dirigir com CNH brasileira vencida é infração e não crime