Luís Neves, ministro da Administração Interna, em visita à sede da Proteção Civil
Luís Neves, ministro da Administração Interna, em visita à sede da Proteção CivilGerardo Santos

Onda de calor. Governo avança com declaração de situação de alerta a partir da meia-noite

Situação de alerta, em vigor até às 23h59 de segunda-feira, engloba, por exemplo, a proibição de realização de queimadas e de trabalhos nos espaços florestais com recurso a qualquer tipo de maquinaria
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O ministro da Administração Interna, Luís Neves, informou esta quinta-feira, 2 de julho, que o Governo vai avançar "com a aplicação, a partir da meia-noite, da declaração de situação de alerta", devido à persistência de temperaturas elevadas, com os termómetros a ultrapassarem os 40 graus Celsius em algumas regiões. Situação de alerta vai estar em vigor até às 23h59 de segunda-feira (6 de julho).

Após uma reunião com a equipa que integra o Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), nos Bombeiros Sapadores de Leiria, o ministro alertou para o “agravamento muito significativo das condições atmosféricas".

“Para situações de grande emergência, o Governo vai avançar com uma declaração de situação de alerta, que são medidas de exceção para momentos extraordinários e de dificuldades”, afirmou, referindo-se à aplicação de "diplomas de exceção".

Apelo do primeiro-ministro. "Peço a todos que respeitem as indicações das autoridades"

O primeiro-ministro justificou, mais tarde, nas redes sociais, a situação de alerta decretada pelo Governo “devido às altas temperaturas que o país enfrenta”, estando a acompanhar “ao detalhe” a evolução dos acontecimentos.

“Cada um de nós tem a responsabilidade de prevenir e fazer a sua parte. Peço a todos que respeitem as indicações das autoridades. Todos somos necessários para proteger a nossa comunidade e o nosso território”, apelou Luís Montenegro, numa mensagem publicada na rede social X.

Proibição da utilização de maquinaria em atividades agrícolas

O responsável pela pasta da Administração Interna detalhou que a declaração de alerta está relacionada, sobretudo, "com a proibição de acesso e circulação" a determinados espaços florestais "previamente definidos", a "proibição de realização de queimadas e queimas, sobrantes da exploração agrícola". "É aqui que muitas das vezes há problemas", admitiu o governante.

A declaração de situação de alerta engloba também a "proibição da realização de trabalhos nos espaços florestais com recurso a qualquer tipo de maquinaria", com exceção nas situações de combate aos incêndios rurais, exemplificou.

"Proibição de realização de trabalhos nos mais espaços rurais com recurso a motorroçadoras de lamina ou riscos metálicos , corta-matos, destroçadores e máquinas com lamina ou pá frontal", adiantou o ministro, referindo que, "normalmente, são pequenas faíscas" que, com este calor, podem resultar numa ignição.

Luís Neves referiu ainda que não é permitida a "utilização do fogo de artificio, outros materiais pirotécnicos, independentemente da sua forma de combustão, bem como a suspensão de autorizações que já tenham sido emitidas". Está também incluída a "proibição de lançamento de balões com mecha", disse o ministro, referindo-se às "linhas mestras" do despacho do Governo que determina a situação de alerta.

Trata-se de um "reforço de medidas e de proibições de comportamentos", resumiu. "A omissão de determinado tipo de ações é um facto chave de sucesso", considerou. "Pequenos momentos de negligência transformam grandes momentos de desgraça", enfatizou.

Luís Neves voltou a alertar que as "noites vão ser tropicais". "Não vai haver espaço para as nossas florestas, matas arrefecerem. Por isso disse ontem que podíamos estar aqui a falar de um barril de pólvora. É é isso que não queremos que possa vir a suceder", disse.

"Cada um de vós tem que ser responsável"

Perante a onda de calor que assola o país, com quase todo o território continental em risco máximo e muito elevado de incêndio, Luís Neves, apelou novamente ao "coletivo" para redobrar os cuidados face a este período de elevadas temperaturas, que se pode prolongar até 10 dias, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

"Reitero todo o cuidado ao cidadão. Cada um de vós tem que ser responsável. Se há algum que não tem um comportamento adequado , o outro tem a obrigação de chamar a atenção e de alertar. Se esse comportamento for reiterado há que denunciar esse comportamento", defendeu o governante.

Mais tarde, esclareceu que "o denunciar é no sentido de se alguém tiver um comportamento incauto em que ponha em causa o coletivo". "E se reiterar depois de chamado à atenção, há autoridades que fazem cumprir as medidas de proibições", clarificou, para reforçar que "todos são responsáveis".

Por causa da persistência das temperaturas elevadas, o IPMA elevou a partir de sexta-feira a 12 distritos o aviso vermelho (o mais grave).

Esta quinta-feira estão sob aviso vermelho os distritos de Beja, Évora, Portalegre, Santarém, Setúbal e Lisboa, estendendo-se este aviso na sexta-feira a Leiria, Coimbra, Aveiro, Porto, Braga e Viana do Castelo.

O aviso vermelho devido ao calor foi alargado, entretanto, até domingo em 10 distritos do litoral e do interior sul do país, anunciou IPMA.

O aviso vermelho surge numa altura em que Portugal continental atravessa num período de temperaturas elevadas, com máximas que podem chegar aos 44 graus Celsius (ºC) e mínimas entre os 24ºC e os 28ºC.

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