Luís Neves, ministro da Administração Interna, em visita à sede da Proteção Civil
Luís Neves, ministro da Administração Interna, em visita à sede da Proteção CivilGerardo Santos

Onda de calor. Governo avança com declaração de situação de alerta a partir da meia-noite

Declaração de situação de alerta engloba, por exemplo, a proibição de realização de queimadas e de trabalhos nos espaços florestais com recurso a qualquer tipo de maquinaria.
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O ministro da Administração Interna, Luís Neves, informou esta quinta-feira, 2 de julho, que o Governo vai avançar "com a aplicação, a partir da meia-noite, da declaração de situação de alerta", devido à persistência de temperaturas elevadas, com os termómetros a ultrapassarem os 40 graus Celsius em algumas regiões.

Após uma reunião com a equipa que integra o Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), nos Bombeiros Sapadores de Leiria, o ministro alertou para o “agravamento muito significativo das condições atmosféricas".

“Para situações de grande emergência, o Governo vai avançar com uma declaração de situação de alerta, que são medidas de exceção para momentos extraordinários e de dificuldades” , afirmou, referindo também a aplicação de "diplomas de exceção".

Detalhou que esta declaração está relacionada, sobretudo, "com a proibição de acesso e circulação" a determinados espaços florestais "previamente definidos", a "proibição de realização de queimadas e queimas, sobrantes da exploração agrícola". "É aqui que muitas das vezes há problemas", admitiu o governante.

A declaração de situação de alerta engloba também a "proibição da realização de trabalhos nos espaços florestais com recurso a qualquer tipo de maquinaria", com exceção nas situações de combate aos incêndios rurais, exemplificou.

"Proibição de realização de trabalhos nos mais espaços rurais com recurso a motorroçadoras de lamina ou riscos metálicos , corta-matos, destroçadores e máquinas com lamina ou pá frontal", adiantou o ministro, referindo que, "normalmente, são pequenas faíscas" que, com este calor, podem resultar numa ignição.

Luís Neves falou ainda na "questão da utilização do fogo de artificio, outros materiais pirotécnicos, independentemente da sua forma de combustão, bem como a suspensão de autorizações que já tenham sido emitidas". Está também incluída a "proibição de lançamento de balões com mecha", disse o ministro, referindo-se às "linhas mestras" do despacho do Governo que determina a declaração de alerta.

Trata-se de um "reforço de medidas e de proibições de comportamentos", resumiu. "A omissão de determinado tipo de ações é um facto chave de sucesso", considerou. "Pequenos momentos de negligência transformam grandes momentos de desgraça", enfatizou.

Luís Neves voltou a alertar que as "noites vão ser tropicais". "Não vai haver espaço para as nossas florestas, matas arrefecerem. Por isso disse ontem que podíamos estar aqui a falar de um barril de pólvora. É é isso que não queremos que possa vir a suceder", disse.

"Cada um de vós tem que ser responsável"

Perante a onda de calor que assola o país, com quase todo o território continental em risco máximo e muito elevado de incêndio, Luís Neves, apelou novamente ao "coletivo" para redobrar os cuidados face a este período de elevadas temperaturas, que se pode prolongar até 10 dias, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

"Reitero todo o cuidado ao cidadão. Cada um de vós tem que ser responsável. Se há algum que não tem um comportamento adequado , o outro tem a obrigação de chamar a atenção e de alertar. Se esse comportamento for reiterado há que denunciar esse comportamento", defendeu o governante.

Mais tarde, esclareceu que "o denunciar é no sentido de se alguém tiver um comportamento incauto em que ponha em causa o coletivo". "E se reiterar depois de chamado à atenção, há autoridades que fazem cumprir as medidas de proibições", clarificou, para reforçar que "todos são responsáveis".

Por causa da persistência das temperaturas elevadas, o IPMA elevou a partir de sexta-feira a 12 distritos o aviso vermelho (o mais grave).

Esta quinta-feira estão sob aviso vermelho os distritos de Beja, Évora, Portalegre, Santarém, Setúbal e Lisboa, estendendo-se este aviso na sexta-feira a Leiria, Coimbra, Aveiro, Porto, Braga e Viana do Castelo.

O aviso vermelho devido ao calor foi alargado, entretanto, até domingo em 10 distritos do litoral e do interior sul do país, anunciou IPMA.

O aviso vermelho surge numa altura em que Portugal continental atravessa num período de temperaturas elevadas, com máximas que podem chegar aos 44 graus Celsius (ºC) e mínimas entre os 24ºC e os 28ºC.

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