O Município de Leiria aprovou esta segunda-feira, 16 de março, por unanimidade uma alteração ao Fundo de Emergência Social na sequência do mau tempo, que vai permitir mais apoio financeiro no âmbito da habitação para as famílias.Segundo a deliberação, o regulamento daquele fundo previa, até agora, um apoio máximo de 1.500 euros ao pagamento de renda ou prestação de empréstimo bancário.Contudo, a depressão Kristin, em 28 de janeiro, “provocou danos estruturais em habitações, inundações, infiltrações e situações de perda ou impossibilidade temporária de utilização da residência habitual, originando evacuações e realojamentos urgentes”.“Muitos agregados familiares, na sequência deste evento de força maior, externo e imprevisível, foram confrontados com encargos imprevistos e avultados, designadamente pagamento de rendas, celebração urgente de novos contratos de arrendamento com o consequente pagamento de cauções”, reconheceu.Por outro lado, “o contexto atual do mercado habitacional caracteriza-se por uma subida significativa e persistente dos preços da habitação, quer na aquisição, quer no arrendamento, fenómeno particularmente sentido no concelho de Leiria”.“O aumento das rendas, conjugado com o acréscimo do custo de vida, tem agravado a taxa de esforço das famílias e ampliado o risco de incumprimento e perda da residência habitual”, adiantou a Câmara.Assim, o limite que estava previsto no regulamento “revela-se desajustado”, impondo-se “a sua revisão, não apenas como resposta conjuntural à tempestade Kristin, mas também como adequação estrutural deste instrumento regulamentar à evolução dos preços da habitação”.A alteração aprovada visa “reforçar a capacidade de resposta municipal através do alargamento do apoio ao pagamento de renda até cinco meses, do aumento do montante máximo global para três mil euros e da previsão expressa do pagamento de caução até 700 euros para novos contratos de arrendamento”.Na reunião extraordinária do executivo municipal, a vereadora Ana Valentim, com o pelouro do Desenvolvimento Social, esclareceu que devido ao mau tempo “houve famílias a residirem em habitações de arrendamento e que nem sempre os senhorios irão ter capacidade para efetuar as respetivas obras”.“O que pretendemos é apoiar estas famílias a poderem ter um novo contrato de arrendamento e, de alguma forma, a estabilizarem também a sua situação financeira, não só com o apoio à renda por um período de cinco meses, mas também a possibilidade de terem apoio na questão da caução”, referiu, notando que pessoas que aufiram o salário mínimo nacional dificilmente vão ter capacidade para pagar dois ou três meses de caução.Segundo Ana Valentim, a Câmara de Leiria quer “garantir que as famílias em maior situação de vulnerabilidade social possam ter acesso a um contrato de arrendamento no caso de os senhorios não conseguirem fazer as obras nas habitações que são objeto de contrato de arrendamento”.“Não queremos ter famílias que tenham de escolher entre o pagamento de uma renda ou pagar a medicação ou a aquisição de alimentação”, acrescentou a vereadora.O Fundo Municipal de Emergência Social foi criado em 2020, na sequência da pandemia de covid-19, e permite atribuir apoios pontuais na área do apoio alimentar, habitação e saúde.Desde o início do programa já foram apoiadas cerca de 3.500 pessoas, o equivalente a cerca de 800 famílias..Autarca de Leiria recusa discutir telefonemas (com Nuno Melo) quando há população sem comunicações.Único dinheiro que Leiria recebeu foi 5 milhões de euros de seguradora, diz presidente