Mais 15 polícias e um segurança detidos esta terça-feira no caso de alegada tortura em esquadras de Lisboa
Foto: Gerardo Santos

Mais 15 polícias e um segurança detidos esta terça-feira no caso de alegada tortura em esquadras de Lisboa

Há já nove agentes em prisão preventiva no âmbito deste caso. Ministro da Administração Interna anunciara que a operação estava a conhecer avanços.
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Quinze agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) e um segurança de um estabelecimento de diversão noturna estão desde o final da manhã desta terça-feira, 5 de maio, a ser detidos, no seguimento das novas diligências de investigação no caso de alegada tortura de detidos na esquadra do Rato, em Lisboa, avança a TVI/CNN Portugal.

O ministro da Administração Interna havia anunciado também esta terça-feira que a operação estava a conhecer avanços.

"Hoje estão a decorrer novas diligências e poderá haver novas detenções no final do dia de acordo com a prova que vier a ser carreada", revelou Luís Neves, à margem das comemorações do 18.º aniversário da Unidades Especial de Polícia (UEP) da PSP, em Belas, Sintra.

O governante precisou que os suspeitos visados são todos polícias que exercem atualmente funções e "que de alguma forma poderão ter interagido com o comportamento desviante" ocorrido em 2024 e 2025 na esquadra do Rato.

Além das detenções, há buscas a decorrer em várias esquadras onde estão colocados os suspeitos, nomeadamente na sede da 1.ª Divisão da PSP de Lisboa.

De acordo com um comunicado entretanto enviado às redações, a PSP confirma que foram emitidos 15 mandados de detenção para polícias da PSP e um para um civil e que se encontram em curso 14 buscas domiciliárias e 16 não domiciliárias, estas últimas em esquadras da Polícia de Segurança Pública.

Segundo essa nota, estas diligências acontecem no âmbito do segundo inquérito relativo a factos ocorridos nas Esquadras do Rato e do Bairro Alto.

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Tribunal manda julgar polícias acusados de tortura e violação na esquadra do Rato

Ao todo são nove os agentes que estão em prisão preventiva desde o início de março no âmbito deste caso. Nessa altura sete foram detidos na sequência da investigação a crimes de tortura grave, violação, agressões e abuso de poder na esquadra do Rato, em Lisboa. Anteriormente outros dois já tinham sido detidos, os quais, segundo decisão de 27 de abril do Tribunal Central de Instrução Criminal, irão a julgamento.

O principal arguido, de 22 anos, responde por 29 crimes - incluindo seis de tortura, cinco de violação, uma das quais consumada, e sete de abuso de poder - e o outro, de 26 anos, por sete crimes, entre os quais três de abuso de poder e dois de tortura.

Foram os dois primeiros detidos no âmbito desta operação, em julho do ano passado, tendo sido acusados formalmente em janeiro deste ano pelo MP por crimes que visaram sobretudo toxicodependentes, pessoas sem-abrigo e estrangeiros, numa investigação que teve por base denúncias desta força de segurança.

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Dois agentes da PSP acusados de crimes de tortura e violação. Agressões filmadas e uma das vítimas terá sido sodomizada

Na acusação relativa ao inquérito contra os dois agentes é referido que agrediam pessoas que tinham detido com “socos e chapadas e coronhadas na cabeça, tendo inclusivamente filmado e fotografado algumas dessas situações e as respetivas vítimas”.

O MP referiu que os agentes escolhiam maioritariamente toxicodependentes, pessoas que cometeram pequenos delitos, muitos com nacionalidade estrangeira e ilegais, ou em situação de sem-abrigo.

Um dos casos relatados é o de um cidadão marroquino que alegadamente terá sido sodomizado com um bastão por um dos arguidos e espancado e depois levado no carro patrulha e abandonado na rua.

Muitos desses abusos foram filmados e partilhados em grupos de WhatsApp com dezenas de outros agentes.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) anunciou que correm três processos disciplinares sobre este caso, além de estar a investigar os polícias que assistiram aos vídeos partilhados pelos agentes sobre os alegados casos de tortura e violação na esquadra do Rato, tendo aberto um processo de inquérito em colaboração com a PSP.

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Ministro defende "esmagadora maioria dos profissionais da PSP" após prisão preventiva de sete agentes
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