O WhatsApp está a ser usado pelos jovens para partilhar imagens suas e de colegas nus, criadas com recurso à Inteligência Artificial (IA), alertou esta quarta-feira, 6 de maio, o diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ).Ouvido na Assembleia da República a propósito do projeto de lei do PSD que limita o acesso de crianças e jovens a plataformas 'online' e redes sociais, Carlos Cabreiro revelou que o WhatsApp tem sido usado pelos jovens para criarem grupos destinados à distribuição de "material com intervenção preocupante da IA, nomeadamente na intervenção dos chamados 'nudes' ficcionados".Embora estas imagens sejam falsas, mantêm o rosto dos jovens, originando a ostracização que uma fotografia verdadeira causaria, defendeu."A foto da turma que aparece toda desnudada vai fazer referência àqueles corpos que são menos aceites", exemplificou o dirigente.Carlos Cabreiro recomendou, por isso, que o projeto de lei em debate abranja, além das redes sociais, plataformas de comunicação que não se baseiam em linhas telefónicas, como o WhatsApp, o Messenger, o Signal ou o Telegram.Nesta audição, o diretor nacional da PJ defendeu ainda a criação do crime de usurpação de identidade digital, para combater o roubo por terceiros de contas pessoais nas redes sociais."É algo que nos preocupa constantemente na avaliação de pessoas que chegam à Polícia Judiciária e se vêm queixar da usurpação da conta do Facebook, da usurpação da conta no LinkedIn", justificou Carlos Cabreiro.PSP preocupada com eventual migração de jovens das redes sociais para a 'dark web'A PSP admitiu entretanto estar preocupada com uma eventual migração de jovens para a 'dark web', uma parte oculta da Internet, na sequência de uma maior limitação do acesso de menores às redes sociais."Essa é uma preocupação", afirmou António Santos, do Centro Internet Segura da PSP, ouvido também na Assembleia da República.Reconhecendo que essa migração aconteceu noutros países europeus que restringiram o acesso de menores às redes sociais, o superintendente alertou que, enquanto antes os fenómenos criminais demoraram dois ou três anos a chegar a Portugal, hoje tal é muito mais rápido."Já temos situações de redes do Norte da Europa que recrutam através destes meios miúdos de 13 ou 14 anos para a prática de homicídios noutros países", alertou António Santos, antevendo que o recrutamento e a radicalização 'online' serão algo que "daqui a alguns tempos" estará a ser abordado em Portugal.O projeto de lei dos sociais-democratas foi aprovado na generalidade em 12 de fevereiro de 2026 com os votos favoráveis de PSD, PS, PAN e JPP, a oposição de Chega e IL e a abstenção de CDS-PP, PCP, Livre, BE e do socialista Miguel Costa Matos.O diploma estabelece que é preciso ter pelo menos 16 anos para aceder a redes sociais como o Instagram, o Tik Tok ou o Facebook e que, entre os 13 e os 16 anos, o acesso só é permitido após o "consentimento parental expresso e verificado".O debate na especialidade visa aprimorar o projeto de lei inicial antes da aprovação final e decorre nas comissões parlamentares..PSD e PS aprovam proibição das redes sociais a menores de 13 anos.Imagens falsas espalhadas na Internet levam primeira-ministra italiana a fazer alerta.Meta vai analisar estrutura óssea dos utilizadores nas publicações para determinar idade