Implacável e incansável. Governo mantém aposta no diretor da PJ por mais três anos

Em declínio notório desde o início da década, a PJ conseguiu sob a liderança de Luís Neves inverter a tendência de rutura de recursos humanos e de meios. Mas ainda há muito que fazer e, principalmente, o cumprimento da lei do orçamento de Estado quanto a novos recrutamentos

Já se emocionou em público, convidou líderes religiosos, antirracistas e LGBT para cerimónias na PJ, não teme condenar e partilhar o que pensa sobre extremismos e discurso do ódio, ou a extrema-direita, nem apelar ao "fim dos cinismos" no combate à corrupção.

O diretor nacional da PJ, Luís Neves, marcou nos últimos três anos uma nova forma de dirigir a polícia de investigação criminal, assertiva, focada na defesa dos Direitos Humanos e sem temer assumir posições sobre os temas mais controversos, como o fez na grande entrevista que deu ao DN - a única do seu mandato.

O governo decidiu renovar o seu mandato por mais três anos, uma notícia avançada este sábado pelo Observador e que o DN também confirmou junto a fonte da direção da Judiciária.

Luís António Trindade Nunes das Neves, que tomou posse no cargo de diretor nacional a 18 de junho de 2018, entrou na PJ em 1995 e fez o seu percurso sempre ligado às investigações da criminalidade mais violenta, incluindo terrorismo, na antiga Direção Central de Combate ao Banditismo e na sucessora Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo (UNCT).

Quando assumiu funções encontrou uma PJ em situação crítica de recursos humanos, sendo a polícia mais envelhecida no sistema de segurança interna.

Um dos seus combates foi, desde logo, o inverter a tendência de declínio e voltar a dar sangue novo à PJ, onde não eram admitidos inspetores desde 2014. Nestes três anos entraram 158 (primeiro 38 que vinham de um concurso do anterior governo e depois mais 120) novos inspetores e estão a dias de começar o curso mais uma centena - o que significa um acréscimo de inspetores na casa dos 23%.

No entanto, continua em aberto que o governo aprove o que ficou definido na Lei do orçamento do Estado quanto a uma reserva de recrutamento, aproveitando os candidatos já selecionados no último concurso, para novos cursos em 2022 e 2023, que a PJ defende que sejam, pelo menos, com mais 100 vagas cada um.

Conhecido nos meios policiais como o "diplomata", investigador implacável, indomável e incansável, Luís António Trindade Nunes das Neves é licenciado em Direito e foi diretor da UNCT durante 9 anos, até ser convidado para liderar a PJ.

Na UNCT este histórico liderou ou esteve envolvido em algumas das investigações mais emblemáticas deste corpo especial de polícia, como a da atividade da ETA em Portugal, a da célula jihadista de Aveiro, a dos jihadistas que rumaram à Síria, a do rei Ghob, a dos skinheads, entre as quais a que levou à condenação de Mário Machado, a da inédita detenção do quadro do SIS que espiava para a Rússia, a da "machadada" no gangue dos Hells Angels em Portugal, a do processo dos agentes da PSP de Alfragide acusados de racismo e, mais recentemente, Tancos e Rui Pinto - sendo que em ambos a sua intervenção direta lhe valeu ser chamado como testemunha aos julgamentos que decorrem.

Este ano a PJ comemora o seu 75ª aniversário e teve a visita do Presidente da República, a primeira do seu mandato a esta polícia. Marcelo Rebelo de Sousa ficou "impressionado" com o que viu o ouviu durante a sua vista de mais de duas horas.

Sentiu "paixão" e "amor à camisola" nas conversas com alguns dirigentes e muitos funcionários. "Esta ideia humana é muito importante para compreender o espírito desta casa, o amor à camisola nesta casa. E é isto que faz a força de uma instituição", frisou.

"Na conversa com alguns de vós", assinalou o chefe de Estado olhando para os presentes, "houve quem falasse quase em paixão, quem dissesse que coloca muitas vezes à frente da vida pessoal e familiar, o cumprimento do dever funcional. É isso que dá alma às instituições. E queria agradecer-vos esta dedicação".

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