Atendimento nas urgências atinge os 8,5 milhões nos hospitais portugueses, só no SNS foram registados mais de 6,5 milhões.
Atendimento nas urgências atinge os 8,5 milhões nos hospitais portugueses, só no SNS foram registados mais de 6,5 milhões.Foto:Pedro Correia/Global Imagens

Hospitais superaram atividade pré-pandemia em 2024: 24 milhões de consultas, 1,2 milhões de internamentos e 1,3 milhões de cirurgias

Dados divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatísticas, no âmbito do Dia Mundial da Saúde, que se assinala a 7 de abril, revelam que unidades de saúde, do SNS e setor privado, um ano depois do fim da pandemia, já tinham superado a atividade de 2019. O SNS continua a responder à esmagadora maioria dos cuidados.
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A pandemia da Covid-19 afetou fortemente a atividade programada das unidades de saúde, nomeadamente das que integram o Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas um ano depois de a Organização Mundial da Saúde ter decretado o fim da pandemia (23 de maio de 2023) já a atividade programada superava a que se tinha registado na pré-pandemia (2019). Isto mesmo comprovam os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) nesta segunda-feira, dia 6 de abril, no âmbito do Dia Mundial da Saúde, que se assinala terça-feira (7).

De acordo com a nota do INE, a atividade em contexto hospitalar, quer em unidades do SNS quer do setor privado, registava valores máximos desde 2019, com 23,9 milhões de consultas, mais de 1,2 milhões de internamentos, correspondentes a 10,5 milhões de dias de internamento e 1,3 milhões de cirurgias.

A nível da atividade da urgência, entre a resposta dos hospitais do SNS e do setor privado, foram registados 8,5 milhões de atendimentos, um pouco abaixo do valor registado em 2019.

O relatório do INE refere ainda que “os hospitais públicos ou em parceria público-privada continuaram a ser os principais prestadores de serviços de saúde em 2024, assegurando 85,1% dos atos complementares de diagnóstico e/ou terapêutica, 79,9% dos atendimentos em urgência, 73,5% das cirurgias em bloco operatório e 73,0% dos internamentos. Os hospitais do setor público asseguraram mais de 60% das consultas médicas”.

No entanto, esta última área é aquela em que a “atividade dos hospitais privados conseguiram atingir o peso mais expressivo, representando 37,6% do total”.

Das consultas médicas ao maior número de exames de diagnóstico

Em 2024, foram efetuadas 23,9 milhões de consultas médicas nas unidades de consulta externa dos hospitais portugueses, mais um milhão de consultas (mais 4,5%) do que no ano anterior. Segundo o INE, este reforço nas consultas médicas nos hospitais portugueses permitiu alcançar um novo máximo na série iniciada em 1999.

Ou seja, em comparação com o ano de 2023, “os hospitais públicos ou em parceria público-privada realizaram mais 835,6 mil consultas médicas (mais 5,9%), tendo assegurado 62,4% do total de consultas efetuadas nas unidades de consulta externa dos hospitais portugueses (84,4% em 1999). Os hospitais do setor privado efetuaram mais 193,6 mil consultas médicas (mais 2,2%), concentrando 37,6% das consultas médicas realizadas nos hospitais portugueses (15,6% em 1999)”.

Em relação às especialidades com maior número de consultas médicas nos hospitais públicos ou em parceria público-privada foram a Oftalmologia, a Ortopedia, a Ginecologia-Obstetrícia, a Cirurgia Geral e a Oncologia Médica. No caso dos hospitais privados, foram as especialidades de Ortopedia, de Oftalmologia, de Ginecologia-Obstetrícia, de Otorrinolaringologia e de Pediatria.

O INE destaca ainda, em relação a 2023, os aumentos no número de consultas de Oftalmologia (mais 143,7 mil), de Ginecologia-Obstetrícia (mais 79,4 mil), de Ortopedia (mais 75,6 mil) e de Otorrinolaringologia (mais 65,0 mil), salientando na sua análise que os hospitais públicos foram os que mais contribuíram para este aumento nas consultas das especialidades de Oftalmologia e de Ginecologia-Obstetrícia, enquanto os hospitais privados foram os que contribuíram mais para o aumento de atividade nas especialidades de Ortopedia e de Otorrinolaringologia.

Em 2024, as estatísticas do INE revelam também que, em 2024, foram realizadas 321,9 mil teleconsultas nos hospitais portugueses, mais 67,1 mil do que o ano anterior (mais 26,4%), um aumento que decorre da realização de mais 60,2 mil teleconsultas nos hospitais públicos (mais 31,5%) e de mais 6,9 mil teleconsultas nos hospitais privados (mais 10,9%).

Mas foi no número de exames de diagnóstico e terapêutica que se registou o maior aumento de atos, mais de 19,9 milhões em relação ao ano de 2023: foram mais de 230,2 milhões os exames complementares de diagnóstico ou terapêutica nos hospitais portugueses em 2024, revela o INE.

Ou seja, exames necessários para um diagnóstico (análises laboratoriais, exames imagiológicos, endoscopias, biópsias e outros) ou atos destinados à prestação de cuidados curativos após o diagnóstico e a prescrição terapêutica (fisioterapia, radioterapia, litotrícia, imunohemoterapia e outros). Segundo o INE, os 19,9 milhões de atos complementares correspondem a um aumento de 9,5% em relação a 2023 e constituem o máximo observado no período de 1999 a 2024.

Ao todo, foram realizadas 152,9 milhões de análises clínicas, 19 milhões de atos complementares de Medicina Física e Reabilitação e 15,1 milhões de exames de Radiologia, valores que representam mais 15,1 milhões de análises clínicas, mais 888,6 mil atos complementares de Medicina Física e Reabilitação e mais 1,1 milhões de exames de Radiologia em relação a 2023.

Do total de exames, 85,1% foram realizados nos hospitais públicos ou em parceria público-privada (94,5% em 1999), enquanto os hospitais privados foram responsáveis pelos restantes 14,9% atos complementares de diagnóstico e/ou terapêutica realizados no país (5,5% em 1999).

Mais de 10,5 milhões de dias de internamento e mais de 8,5 milhões de urgências

A análise realizada pelo INE indica que em 2024 foi o ano em que se registou o valor mais alto de internamentos e de dias de internamento, desde 2019: cerca de 1,2 milhões de internamentos nos hospitais portugueses e 10,5 milhões de dias de internamento, mais 18,7 mil internamentos em relação a 2023 (mais 1,6%). Os hospitais públicos ou em parceria público-privada (PPP) asseguraram a esmagadora maioria dos internamentos: 846,8 mil (73,0% do total) e 7,6 milhões de dias de internamento (72,3% do total). Estes valores significam mais 3,4 mil internamentos e menos 13,7 mil dias de internamento, o equivalente a mais 0,4% e a menos 0,2% em comparação com a atividade registada em 2023.

Nos hospitais privados foram efetuados 312,5 mil internamentos que originaram 2,9 milhões de dias de permanência, ou seja, cerca de mais 15,3 mil internamentos (mais 5,1%) e mais 90,2 mil dias de internamento (mais 3,2%).

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Do total de internamentos ocorridos em 2024, 74,3% ocuparam camas de enfermaria, com especial relevo nas especialidades de Medicina Interna, Cirurgia Geral e Ginecologia-Obstetrícia, respetivamente com 24,6%, 14,7% e 11,8% do total de internamentos em enfermarias. No caso dos hospitais públicos e em parceria público-privada, estas foram as três especialidades com percentagens mais expressivas, mas no caso dos hospitais privados destaca-se o internamento em camas de enfermaria das especialidades de Ortopedia (23,0%) e de Psiquiatria (13,0%).

No ano de 2024, os doentes permaneceram internados nos hospitais portugueses, em média, 9,1 dias, menos 0,1 dias do que em 2023. Nos hospitais públicos e em parceria público-privada, a estada média situou-se em 9,0 dias (tal como em 2023), enquanto nos hospitais privados o tempo médio de internamento foi de 9,3 dias (9,5 dias em 2023).

Em relação ao atendimento nos serviços de urgência, o ano de 2024 registou um total de 8,2 milhões, mais 77,5 mil atendimentos do que em 2023 (mais 1,0%). O INE refere no seu relatório que “a recuperação observada a partir de 2022 permitiu uma aproximação ao nível anterior a 2020, ano em que os atendimentos realizados na urgência hospitalar diminuíram 30,3% e atingiram o valor mais baixo da série iniciada em 1999”.

Revela também que os hospitais públicos realizaram menos atendimentos nas urgências (6,5 milhões de atendimentos em 2024, o que representa menos 15,0 mil atendimentos comparativamente a 2023, menos 0,2%) e que os hospitais privados efetuaram mais (1,6 milhões de atendimentos em 2024, mais 92,5 mil do que no ano precedente, mais 6,0%, e o número mais elevado desde 1999).

No entanto, foi nos hospitais públicos ou em PPP que se realizaram mais atendimentos, 79,9% do total (80,8% em 2023 e 95,8% em 1999). Nos hospitais privados, realizaram-se 20,1% do total dos atendimentos (19,2% em 2023 e 4,2% em 1999).

A grande maioria dos atendimentos nos serviços de urgência dos hospitais em 2024 foi assegurada pela urgência geral (73,6%), enquanto a Pediatria e a Obstetrícia asseguraram, respetivamente, 21,5% e 4,8% dos atendimentos. Em 2024 foram efetuados 6 milhões de atendimentos na urgência geral dos hospitais portugueses, o que representa um acréscimo de 1,7% em relação ao ano anterior: mais 98,4 mil atendimentos, dos quais 63,4 mil foram efetuados em hospitais privados e 35,0 mil em hospitais do setor público.

Número de cirurgias atinge o máximo de 1,3 milhões

O relatório do INE reflete ainda que na área da cirurgia atingiu-se um novo máximo de atos em 2024, 1,3 milhões de cirurgias em sala operatória, mais 96,7 mil cirurgias do que no ano precedente e o número mais elevado da série iniciada em 1999. Nos hospitais públicos foram efetuadas 923,8 mil cirurgias, o que representa um acréscimo de 10,2% em relação ao ano anterior. Nos hospitais privados foram realizadas 332,9 mil cirurgias desta natureza, o que representa um acréscimo de 3,6%.

As especialidades de Oftalmologia, de Cirurgia Geral e de Ortopedia foram as que registaram os maiores aumentos no número de cirurgias realizadas em bloco operatório, tendo conjuntamente assegurado mais 59,8 mil cirurgias (61,8% do aumento verificado entre 2023 e 2024 no total de cirurgias). Os hospitais do setor público foram os que mais contribuíram para o reforço de atividade nessas três especialidades.

Do total de cirurgias em bloco operatório realizadas em 2024, 73,5% tiveram lugar em hospitais públicos ou em parceria público-privada, das quais 88,2% foram programadas, ou seja, resultaram de admissões com marcação prévia. No caso dos hospitais privados, as cirurgias programadas tiveram um peso maior, representando 95,7% do total.

Em 2024, foram efetuadas 188,7 mil pequenas cirurgias, 117,4 mil das quais (62,2%) realizadas em hospitais do SNS. O número total de pequenas cirurgias realizadas em 2024 aumentou em relação ao ano anterior (mais 6,7 mil pequenas cirurgias, o correspondente a mais 3,7%).

Em Portugal existem 242 hospitais, 111 do SNS

Segundo o INE, o número de hospitais do setor público em funcionamento tem permanecido relativamente estável desde 2016. Em 2024, havia 242 hospitais, 111 do SNS. O rácio dos hospitais de acesso universal por 100 mil habitantes era de 1,0 em 2024, tal como no ano anterior. Em 2024, estavam em funcionamento 131 hospitais privados, mais 29 do que em 2010. A predominância numérica dos hospitais privados iniciou-se em 2016 e abrange o Continente e as Regiões Autónomas.

Cerca de 75% dos hospitais existentes em 2024 eram hospitais gerais, ou seja, integravam mais do que uma valência. Entre os 61 hospitais especializados, mantinha-se a predominância da Psiquiatria (23 hospitais). Em 2024, existiam nos hospitais 35,4 mil camas disponíveis e apetrechadas para internamento imediato, mais 91 camas do que em 2023 e o correspondente a 3,3 camas de internamento por 1 000 habitantes. Do total de camas, 68,6% estavam em hospitais públicos ou em PPP.

No entanto, em relação a 1999, assistiu-se a uma redução no número total de camas de internamento nos hospitais portugueses (menos 2,9 mil camas, o equivalente a menos 7,5%) causada principalmente pela evolução nos hospitais públicos ou em parceria público-privada (menos 5,5 mil camas, o equivalente a menos 18,4%). Em contrapartida, entre 1999 e 2024 registou-se um acréscimo de 2,6 mil camas de internamento nos hospitais privados (mais 30,4%).

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