Graça Freitas e o Natal: "Podemos ter uma duplicação de novos casos"

Diretora Geral da Saúde disse em entrevista à RTP que os hospitais já têm reforços necessários para um eventual aumento de internados. E pediu calma com a variante Ómicron, agora com 19 casos, todos ligados ao surto do Belenenses SAD.

Portugal tem 19 casos da variante Ómicron. Todos eles ligados ao surto de covid-19 do Belenenses SAD, segundo a diretora-geral da Saúde. Graça Freitas admitiu ainda numa entrevista à RTP que a maioria dos infetados internados está vacinada, defendeu a vacinação em crianças, pediu calma com a nova variante e revelou que o número de casos diários poderá duplicar até ao Natal - esta quarta-feira foram reportados 4670 e 17 mortes.

Desde fevereiro que o número diário de novos casos não era tão elevado. "A tendência é crescente", tanto ao nível de novos casos, como de internamentos e óbitos. "Podemos ter uma duplicação de novos casos dentro de 26 dias", admitiu a diretora geral da Saúde, prevendo assim que Portugal chegue ao Natal e Ano Novo com uma média de oito mil casos diários. E garantiu que os hospitais "já têm escalas previstas para o Natal e os reforços necessários" para um eventual impacto ao nível dos internamentos.

Tendo em conta que o "Natal é uma época muito especial", que "coincide com uma grande mobilidade de pessoas e acontece no Inverno" não se pode "desprezar" o efeito do frio e a tendência para fechar portas e janelas. "Vou fazer uma confissão: abro a janela do gabinete e depois ando com um casaco muito forte a trabalhar", disse, recomendando fortemente que se continue com o arejamento dos espaços, nem que para isso seja necessário "camadas de roupa no inverno".

O país atravessa a quinta vaga da pandemia, que começou em março de 2020, "uma vaga que não tem tido a mesma gravidade das anteriores devido à vacinação", segundo Graça Freitas. Defendendo que as medidas em vigor desde hoje "estão a tentar fazer o equilíbrio entre a nossa saúde, a saúde pública e a vida económica", admitiu também que podem ser alteradas até ao Natal.

Maioria dos internados "está vacinada"

"As vacinas não são 100% seguras contra a infeção e doença. Mas a maioria das pessoas internadas têm fatores de risco associados", disse a líder da DGS, revelando assim que a "maioria" dos infetados internados têm vacinação completa.

No entanto, é preciso ter em conta que "as vacinas protegem muito contra a doença grave" e que "é muito diferente" ter casos ou ter óbitos a reportar. "Se toda a população estiver vacinada, é normal que os internados também sejam vacinados", disse, recusando a ideia de que houve laxismo na fase final da vacinação e congratulando-se por 100% das pessoas com mais de 80 anos terem sido vacinadas. E avançou que 1, 9 milhões de pessoas já fizeram a vacinação de reforço até terça-feira.

Vacinação em crianças? Peritos entregam parecer quinta-feira

Segundo Graça Freitas "há casos graves de covid-19 em crianças", defendendo por isso a vacinação dos 5 aos 11 anos e revelando que esse grupo etário é "de longe" o que mais casos regista, até porque é aquele que não está vacinado. No entanto, e mesmo mostrando preocupação pela "saúde mental" das crianças obrigadas a isolamento, lembrou que a DGS só faz recomendações de vacinas quando "está certa que vacinação é segura e à partida é efetiva". Por isso mesmo foi pedido a um grupo de especialistas de pediatria para elaborar uma recomendação. O relatório será entregue na quinta-feira.

Depois assumiu que se sabe pouco sobre a rapidez da transmissão e a eficácia da vacina nesta variante Ómicron. A diretora-geral da Saúde pediu "calma", uma vez que uma variante de preocupação não tem de ser uma variante preocupante.

Graça Freitas revelou que os 19 casos conhecidos até agora são todos ligados ao surto do Belenenses SAD, que no sábado teve 13 positivos reportados, que mais tarde foram identificados como Ómicron.

Apesar disso e de saber que um dos infetados tinha estado na África do Sul, a delegada de saúde não isolou o plantel, permitindo assim que a equipa se apresentasse no jogo com o Benfica com apenas nove jogadores. Uma "decisão legítima", com base numa análise de risco: "O jogador que testou primeiro teve um primeiro teste antigénio positivo, mas todos os testes que fez posteriormente, incluindo o PCR, foram negativos."

Portugal é um dos países do mundo com mais casos confirmados da nova variante e a tendência é para aumentar. "Quem procura, encontra", argumentou Graça Freitas preferindo destacar a eficácia da testagem.

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