Instituição europeia divulga relatório anual
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Exclusão social, imigração, habitação. Eurostat divulga relatório estatístico de 2026

Relatório do Eurostat divulga dados sobre população, economia e trabalho na Europa. Desigualdade salarial continua a ser problema geral mas há um país em que mulheres ganham mais que homens.
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O Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat) lançou, esta sexta-feira, o seu relatório sobre os dados mais importantes dos 31 países que pertencem à UE e ao espaço de livre comércio europeu (EFTA), com dados relativos ao ano de 2024 e 2025.

Desde a população portuguesa em crescimento, à desigualdade salarial e ao crescimento da taxa de emprego, eis alguns dos dados apresentados no relatório publicado no website da instituição europeia.

População portuguesa cresce graças ao aumento da imigração

Olhando para os dados da população total, Portugal e a União Europeia mantém uma taxa de estabilidade no crescimento da população, havendo mais 36 mil habitantes em Portugal.

Mas, olhando para de onde vem esta população, verificamos que a maioria dos valores positivos vem da entrada de imigrantes, com uma migração líquida de mais 70.862 imigrantes em Portugal. Já no que toca ao crescimento natural, ou seja, diferença entre nascimentos e mortes, apresenta números negativos (-34 053).

Na imigração, o país que mais cresceu foi mesmo a vizinha Espanha, com uma migração líquida de +582 896. Apesar dos nascimentos negativos, Espanha é mesmo o país com maior crescimento da população na UE em 2025. Em sentido contrário, a Polónia é o país com a taxa de crescimento mais baixa, tendo perdido 164 730 pessoas.

Espanha é também o país com mais requerentes de asilo em 2025 (141 055), muito longe dos 1 755 requerentes que Portugal registou no mesmo ano e que deixam o nosso país em 20º. lugar nos 31 países analisados.

Apesar de haver mais mortes que nascimentos, tanto em Portugal como em toda a UE, a esperança média de vida voltou a crescer. Tendo em conta os dados de 2024, os últimos contabilizados, o nosso país voltou a continuar a estar acima da média europeia nas mulheres (85,2 contra 84,1) e nos homens (79,7 em Portugal contra 78,9).

Já na esperança média de vida contando ambos os sexos, Portugal (82,5 anos) está em 13º lugar comparado com os outros países europeus, à frente de países como a Bélgica (82,4), a Áustria (82,1), os Países Baixos (81,9) ou mesmo a Dinamarca (82).

Mas se olharmos para o espaço da União Europeia, é a Espanha que volta a estar à cabeça em termos da esperança média de vida, tendo uma esperança média de vida de 84 anos de idade, um número que chega aos 86,5 anos se estivermos a falar só de mulheres.

Taxa de emprego em Portugal acima da média da UE mas iguala-a na taxa de desemprego

Olhando para a taxa de emprego, Portugal continua acima da média europeia face a 2024, com 79,6% da população portuguesa empregada em comparação com 79,1% na UE. Porém, se estivermos na taxa de desemprego, o nosso país está em igualdade numérica com a média europeia.

Em termos de taxa de empregabilidade, Portugal está mesmo à frente de países como a Espanha, a Alemanha, a Itália ou a Itália, ocupando o 14.º lugar em 36 países analisados. Portugal ocupa também o mesmo lugar nos números do desemprego, tabela onde a Espanha surge com a maior taxa de desemprego: 10,5%, seguida da Finlândia.

Os dados dos jovens NEET, ou seja a percentagem de jovens entre os 15 e os 24 anos que nem estudam, nem trabalham, também colocam Portugal abaixo da média europeia. Portugal tem 6,9% da população jovem em NEET, enquanto a UE está cerca de dois pontos percentuais à frente com 9%. Ainda assim, a média está muito abaixo do país com maior percentagem de NEET, a Roménia, que conta com 16,5% desta população sem estar a estudar nem a trabalhar.

Mulheres continuam a receber menos que os homens. Mas há um país em que recebem mais

A desigualdade salarial entre géneros continua a ser um problema que afeta a esmagadora maioria dos países da União Europeia, com as mulheres a ganharem, na média da UE, menos 11,1% do que os homens.

Portugal, apesar de registar uma desigualdade em prol dos homens, é o 23.º país com menor desigualdade salarial (mulheres recebem 7% menos), tendo países como a Estónia ou a República Checa as maiores desigualdades entre mulheres e homens, 18,8% e 18,5%, respetivamente.

Em todos os dados analisados, só há um país em que as mulheres recebem mais que os homens, em média: o Luxemburgo. Nesse pequeno país, as mulheres recebem, em média, 0,8% mais do que os homens. A vizinha Bélgica, em comparação, tem a desigualdade mais baixa que é favorável aos homens, com o sexo masculino a receber mais 0,8% do que o feminino.

20% da população europeia está em risco de pobreza ou exclusão social

Um dos dados analisados no Eurostat é a capacidade da população da UE pagar as suas despesas. Em 2025, 92,7 milhões de pessoas estavam em risco de pobreza ou de exclusão social, uma percentagem que corresponde a mais de 20% da população europeia. Porém, explica o relatório, há menos 500 mil pessoas em risco de pobreza ou exclusão social comparado com 2024.

Os dados em Portugal não divergem muito da média europeia. Em Portugal, 18,6% da população está em risco de pobreza. À frente da tabela, a Bulgária tem a maior percentagem: 29% e a República Checa tem a menor percentagem (11,5%) de população em risco de pobreza.

E caso sejam enfrentadas com despesas inesperadas, uma boa percentagem da população da UE também não conseguiria lidar. Em 2025, de acordo com os dados do Eurostat, quase 3 em cada 10 habitantes da União Europeia não conseguiria encaixar essa despesa nos seus orçamentos, equivalendo a 29,2%. Ainda assim, conta o relatório, é um número menor 0,8 pontos percentuais do que em 2024.

O país com maior percentagem de população que não conseguem cobrir estas despesas é a Grécia, onde a percentagem ultrapassa mesmo os 50%. Portugal, em contraste, situa-se exatamente no mesmo valor da média europeia (29,2%).

Preço da habitação em Portugal cresceu em 2024, apesar de preços abaixo da média da UE

A crise na habitação em Portugal e a subida dos preços das casas também se refletiram nos dados apresentados no relatório do Eurostat.

Colocando a média da UE nos 100%, os custos médios em 2024 com a habitação e as despesas de habitação estão 20 pontos percentuais abaixo da média europeia, aproximadamente (80,1%). Ainda assim, em 2023, os preços eram cerca de 3% inferiores ao ano anterior, uma tendência que já vinha em subida desde o ano antes.

Os custos com a alimentação em 2024 também foram acima da média europeia, lê-se nos dados do Eurostat, embora apenas 1,5% superiores. Ainda assim, quebrou-se a tendência dos anos de 2020-2022, em que a pandemia fez subir os preços de vários bens, tendo descido quase 1,5% em 2023.

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