A taxa de pobreza em Portugal, já após transferências e apoios sociais, esteve a descer desde 2022, mas, em 2025, ano a que dizem respeito os rendimentos agora analisados, o peso do fenómeno interrompeu a tendência que marcou o período pós-pandemia, revelou esta terça-feira o Eurostat, que não avançou com números, mas apontou em que direção irá o indicador que será apurado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mais no final do corrente ano, em princípio, em dezembro.Com os dados que tem em sua posse e que procedem dos 27 países da União Europeia (UE), o instituto sediado no Luxemburgo avançou com este exercício "experimental" para antecipar uma estatística crucial que costuma surgir muito tarde face ao período observado. Normalmente, o desfasamento é de quase um ano.Segundo o Eurostat, uma vez que as estatísticas da UE sobre rendimento e condições de vida mais recentes [extraídas dos Inquéritos às Condições de Vida e Rendimento ou ICOR] "se referem a 2024", o Eurostat decidiu elaborar "estimativas preliminares para os rendimentos de 2025, de forma a prever a evolução da taxa de risco de pobreza no próximo UE-ICOR 2026".Estas novas estimativas que refletem a situação vivida no ano passado, "apontam para uma estabilidade geral, com um ligeiro aumento, estatisticamente não significativo, da taxa de risco de pobreza na UE, para 16,4% [da população total]".Pobre é quem ganha até 723 euros por mêsEm Portugal, segundo o gabinete oficial europeu, a incidência da pobreza deverá "manter-se" próxima de 15,4% da população, o nível de 2024, o que corresponderá a mais de 1,7 milhões de pessoas em situação de pobreza.De acordo com o INE, em 2024, era pobre quem auferia um rendimento na ordem de 8.679 euros anuais, cerca de 723 euros por mês (rendimento que tem como limiar 60% da mediana nacional).Mas, também segundo o INE, o quadro nacional seria muito pior não fossem os apoios do Estado, da Segurança Social e o sistema de pensões. "Antes de qualquer transferência social", o fenómeno da pobreza teria o dobro da violência. A pobreza pura e dura, sem apoios e prestações sociais, atingiria 40,7% da população residente em Portugal.Como referido, após transferências sociais, a incidência da pobreza alivia para 15,4% da população. Durante dois anos esteve a recuar. Em 2022, a pobreza atingiu 17% das pessoas em Portugal, em 2023, 16,6%.Segundo o Eurostat, em 2025, a intensidade da pobreza vai estagnar próxima daquele valor do ano precedente, assim como em mais 17 países da UE.Os únicos que devem assistir a um recuo na pobreza serão Espana e Roménia.Pelo contrário, Alemanha, Irlanda, Bulgária, Croácia, Hungria e Eslovénia devem registar um agravamento no indicador.Maior risco entre idosos, jovens, mulheres, imigrantesEm Portugal, novamente de acordo com o INE (dados a partir dos rendimentos de 2024), a pobreza está mais presente entre os mais idosos e jovens e as mulheres. A incidência da pobreza das mulheres atingiu 16,3% (14,5% nos homens). O grupo dos mais velhos (65 anos ou mais) registou uma taxa de pobreza de quase 18%. Os mais jovens (menos de 18 anos), idem.Estudos paralelos de outros economistas indicam que as populações imigrantes e os trabalhares mais precários também estão a ser crescentemente afetados por situações de exclusão e de privação material, sobretudo num quadro que hoje é afetado por pressões ao nível da inflação muito elevada e pela carência de habitação digna e a preços comportáveis para as classes médias e baixas.Segundo a Cáritas, os estudos mais recentes indicam que a taxa de privação material e social severa é mais elevada entre pessoas estrangeiras do que entre cidadãos nacionais.A Rede Europeia Anti-Pobreza cita estudos sobre Portugal que apontam a população estrangeira como um dos grupos sistematicamente mais vulneráveis ao risco de pobreza e exclusão social.De modo geral, e não menos importante, a maioria dos especialistas adverte ainda para o problema dos "trabalhadores pobres", defendendo que os estudos mostram que o risco de pobreza piora quando se combinam fatores como baixa escolaridade, famílias com crianças, situação laboral instável e residência em zonas com menor rendimento (regiões ou bairros mais pobres)..Taxa de pobreza nos idosos aumentou em Portugal