Mais de 15% da população portuguesa não conseguia, em 2024, manter a casa quente, de acordo com os dados mais recentes do Eurostat, divulgados esta segunda-feira, 2 de fevereiro, o que deixa Portugal entre os países com piores resultados neste indicador de pobreza energética em toda a União Europeia. O valor (15,7%), no entanto, representa uma melhoria expressiva face a 2023, quando a percentagem era de 20,8% - uma redução de 5,1 pontos percentuais que é a maior entre os países da UE no espaço de um ano. A nível europeu, a situação melhorou de forma geral. Em 2024, 9,2% da população da União Europeia não conseguiu manter a casa suficientemente quente, menos 1,4 pontos percentuais do que no ano anterior. Ainda assim, as disparidades entre países continuam a ser acentuadas.Portugal surge num grupo onde predominam países do sul e do leste da Europa. Os valores mais elevados foram registados na Grécia e na Bulgária (ambos com 19,0%), seguidos da Lituânia (18,0%) e de Espanha (17,5%), os quatro países que se encontram pior do que Portugal nesta matéria. Em contraste, países do norte e do centro da Europa apresentam níveis muito inferiores, como a Suíça (0,7%), Noruega (2,2%), Finlândia (2,7%), a Polónia e a Eslovénia (3,3%), ou a Estónia e o Luxemburgo (3,6%).A pobreza energética em Portugal surge habitualmente associada a fatores como baixos rendimentos, habitação mal isolada e edifícios antigos, num contexto em que os preços da energia continuam elevados para muitas famílias. Os dados divulgados pela Eurostat mostram que, embora Portugal esteja a recuperar, o conforto térmico continua longe de estar ao alcance de uma parte significativa da população.