As intempéries que assolaram o país em janeiro e fevereiro fragilizaram, ainda mais, várias infraestruturas escolares. E com milhares de situações pelo país a necessitar de intervenção, destacam-se salas de aulas onde chove, tetos e paredes danificados, com o risco que tal comporta, e até possíveis situações de curto-circuito. Na Área Metropolitana de Lisboa, o caso é também grave e ao DN chegaram relatos de profunda preocupação escolar e de ações conjuntas de protesto. Na Escola Básica 2/3 de Telheiras, uma de dez do agrupamento, que é descrito como “o maior de Lisboa”, Ana Rita Barros divulga que na próxima segunda-feira “haverá um cordão humano” à porta da escola. Devidamente anunciado à direção escolar, os operacionais educativos terão acordado “com o sindicato ter duas horas” ao lado dos pais, entrando ao serviço às 10h00. A medida de condicionamento da entrada da escola deve-se ao protesto dos pais depois de terem tido conhecimento de que “foi discutido na Câmara Municipal de Lisboa que as intervenções na escola só aconteceriam daqui a pelo menos cinco anos.” A representante da associação de pais refere-se ao plano de Carlos Moedas, de mil milhões de euros sem recurso a fundos europeus, para intervencionar 49 escolas em 15 anos. A questão é que foram elencadas 28 escolas prioritárias para receberem obras até 2030, apesar de existirem 141 no parque escolar lisboeta e mais de seis dezenas a reportar necessidades prementes.“Já tivemos situações de curto-circuito, os alunos acumulam-se em salas, estão sempre a mudar de salas para haver aulas porque chove dentro dos espaços e agravaram-se as situações nos pátios, com quedas de alunos e professores já por isso mesmo”, relata Ana Inês Barros, assinalando que “o edificado de meio da década de 90 só teve intervenção profunda para se retirar o amianto.” Agradece a cooperação da escola neste sentido, que divulgou aos pais “fotografias e um pedido de ajuda”, afirmando ainda que a direção pediu “respostas” e que “relata cada nova situação à câmara municipal.” É ainda dito ao DN que faltam implementar planos de simulacros e que faltam operacionais, mencionando existirem "14 auxiliares para um universo de 600 jovens", que vão do 5.º ao 9.º ano. .Na Portela de Sintra, na EB 1 do Agrupamento das Escolas D. Carlos I, Caroline Bandeira detalha que foi feita uma “greve na segunda-feira” e que, além do “ginásio que ficava sempre alagado quando chovia”, agora são “as goteiras que não param”. “Já aconteceu terem de estar duas turmas numa sala, porque não há muitas salas. São 45 miúdos num espaço”, revela, lembrando o caso do seu educando, do segundo ano de escolaridade. Os pais trocaram e-mails, procuraram conhecer a realidade e os baldes necessários para socorrer na aflição e Caroline agradece à professora que denunciou o caso. “Escreveu um e-mail a pedir ajuda, para comunicar o que tem acontecido nas salas e na escola”, relata, criticando a omissão por parte da direção do estado da infraestrutura. “O agrupamento justifica que não há verbas e que precisam que os vereadores responsáveis venham a libertar financiamento para se poderem resolver os problemas”, explica, pedindo ação do Executivo liderado por Marco Almeida, embora diga não saber se estão obras previstas. .Lisboa. Carlos Moedas apresenta plano de mil milhões de euros em 15 anos para intervenção nas escolas.Lisboa. Moedas não recorre ao PRR para reabilitação de 49 escolas.Promessas para requalificar escolas existem desde 2023. Próximo ano arrancará sem obras