Não se prevendo o impacto da depressão marta, a Nils poderá contribuir para aumentar o deslizamento de terras
Não se prevendo o impacto da depressão marta, a Nils poderá contribuir para aumentar o deslizamento de terrasFoto: Reinaldo Rodrigues

Depressão Nils: “Seremos influenciados, mas a severidade será menor do que a da Marta”, diz o IPMA

Nuno Lopes, meteorologista do IPMA, afirma que a Nils terá em Portugal um impacto inferior ao da depressão Marta — “com a Kristin não há comparação possível”. Alerta para chuva “por persistência”, a norte e centro, e para o risco de deslizamentos de terras, já que “os solos estão muito fragilizados”
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“A Nils não terá o impacto de Marta.” O aviso é de Nuno Lopes, responsável pela previsão meteorológica e vigilância do IPMA, ao traçar o cenário para as próximas horas. Em declarações ao DN, o meteorologista lembra que a depressão, já nomeada em França, “irá atingir em força o território francês”.  Em Portugal, explica, “seremos influenciados pela Nils mas, como estamos afastados do seu núcleo, a severidade será menor do que a da Marta”.

A comparação com outros episódios recentes ajuda a ajustar expectativas. “Com a Kristin não há comparação possível”, afirma, sublinhando que a depressão que devastou a zona centro  “é de outro campeonato”. Considerando que “em termos de evento, no Nils há normalidade”, apontando para vento de “75 km/h para os litorais e 100 km/h para as serras”,  alerta para que o maior motivo de atenção está na chuva, sobretudo pela duração da mesma. “Estamos a falar de precipitação por persistência”, refere, isto é, “uma precipitação de 40 mm em seis horas”. O impacto, acrescenta, deverá concentrar-se em zonas específicas a Norte e  Centro, causticando  sobretudo “a primeira linha das serras”, onde a saturação do terreno aumenta a vulnerabilidade.

É precisamente esse contexto prévio que, para o IPMA, agrava o risco. “Se não houvesse já uma acumulação de água nos solos, esta precipitação seria perfeitamente gerível, pode dizer-se até que não seria um problema”, nota. Mas há e daí a distinção: “neste caso,  a questão não é meteorológica mas sim hidrológica”. Com mais chuva, admite, “haverá mais pressão nas barragens”, sobretudo “na zona centro”,  onde “temos um problema com caudais de rios e ribeiras”.

Atenção, portanto, à possibilidade de cheias e inundações,  lembra  o especialista,  que reforça uma preocupação adicional, com potencial para se manter nos próximos dias: “um das consequências da saturação e da fragilização dos solos continuam a ser deslizamentos de terras, questão que está e vai continuar a surgir”.

 Quanto à evolução do episódio, Nuno Lopes prevê que “a chuva irá persistir até quarta-feira, 11 de fevereiro, ao final da tarde, no norte e zona centro”.  E a pausa poderá ser curta: “na quinta-feira, ao final do dia até madrugada de sexta-feira vai recomeçar a chover ainda que mais espaçadamente”.

Sobre as descargas das barragens, em Espanha, o meteorologista  traça um cenário positivo. “lá, como cá, são menores e lentamente estamos a conseguir regular os caudais”.

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