Depressão Nils: “Seremos influenciados, mas a severidade será menor do que a da Marta”, diz o IPMA
“A Nils não terá o impacto de Marta.” O aviso é de Nuno Lopes, responsável pela previsão meteorológica e vigilância do IPMA, ao traçar o cenário para as próximas horas. Em declarações ao DN, o meteorologista lembra que a depressão, já nomeada em França, “irá atingir em força o território francês”. Em Portugal, explica, “seremos influenciados pela Nils mas, como estamos afastados do seu núcleo, a severidade será menor do que a da Marta”.
A comparação com outros episódios recentes ajuda a ajustar expectativas. “Com a Kristin não há comparação possível”, afirma, sublinhando que a depressão que devastou a zona centro “é de outro campeonato”. Considerando que “em termos de evento, no Nils há normalidade”, apontando para vento de “75 km/h para os litorais e 100 km/h para as serras”, alerta para que o maior motivo de atenção está na chuva, sobretudo pela duração da mesma. “Estamos a falar de precipitação por persistência”, refere, isto é, “uma precipitação de 40 mm em seis horas”. O impacto, acrescenta, deverá concentrar-se em zonas específicas a Norte e Centro, causticando sobretudo “a primeira linha das serras”, onde a saturação do terreno aumenta a vulnerabilidade.
É precisamente esse contexto prévio que, para o IPMA, agrava o risco. “Se não houvesse já uma acumulação de água nos solos, esta precipitação seria perfeitamente gerível, pode dizer-se até que não seria um problema”, nota. Mas há e daí a distinção: “neste caso, a questão não é meteorológica mas sim hidrológica”. Com mais chuva, admite, “haverá mais pressão nas barragens”, sobretudo “na zona centro”, onde “temos um problema com caudais de rios e ribeiras”.
Atenção, portanto, à possibilidade de cheias e inundações, lembra o especialista, que reforça uma preocupação adicional, com potencial para se manter nos próximos dias: “um das consequências da saturação e da fragilização dos solos continuam a ser deslizamentos de terras, questão que está e vai continuar a surgir”.
Quanto à evolução do episódio, Nuno Lopes prevê que “a chuva irá persistir até quarta-feira, 11 de fevereiro, ao final da tarde, no norte e zona centro”. E a pausa poderá ser curta: “na quinta-feira, ao final do dia até madrugada de sexta-feira vai recomeçar a chover ainda que mais espaçadamente”.
Sobre as descargas das barragens, em Espanha, o meteorologista traça um cenário positivo. “lá, como cá, são menores e lentamente estamos a conseguir regular os caudais”.
