Ministra da Justiça na cerimónia de encerramento do “Curso de Formação Inicial da Carreira de Guarda Prisional de 2025”.
Ministra da Justiça na cerimónia de encerramento do “Curso de Formação Inicial da Carreira de Guarda Prisional de 2025”.Foto: Paulo Spranger

Curso para formar guardas prisionais é "essencial" para encerrar EPL

Ministra da Justiça diz que o reforço de guardas prisionais vai permitir encerrar uma das alas do Estabelecimento Prisional de Lisboa ainda este ano e outra ala "no ano seguinte".
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A ministra da Justiça afirmou este sábado, 25 de julho, que o curso de formação inicial da carreira de guardas prisionais é essencial para o processo de encerramento do Estabelecimento Prisional de Lisboa e espera encerrar uma ala "até ao final deste ano".

Em declarações aos jornalistas à margem da cerimónia de encerramento do “Curso de Formação Inicial da Carreira de Guarda Prisional de 2025”, Rita Alarcão Júdice realçou que "a conclusão deste curso é essencial" para o plano delineado tendo em vista o encerramento do Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL).

Segundo a governante, os novos guardas prisionais vão entrar já em funções e, com a respetiva colocação "nos locais de destino, será iniciado o processo de movimentação", para que seja possível "até ao final deste ano encerrar uma ala no EPL".

Rita Alarcão Júdice indicou ainda que o objetivo é também que "no ano seguinte, já com os novos guardas [prisionais]" seja possível encerrar outra ala.

No discurso de encerramento, a ministra da Justiça revelou ainda, que, o concurso para recrutar 200 guardas prisionais aberto no início do mês passado "registou 575 candidaturas", o que segundo a governante, é "um sinal claro de que é uma carreira que desperta vocação de serviço público".

Questionada à margem sobre quantas destas candidaturas foram consideradas elegíveis, indicou que estas ainda "estão a ser analisadas", pelo que processo ainda não terminou.

Na sessão de encerramento da cerimónia, a governante deixou ainda umas palavras aos 55 novos guardas prisionais, sublinhando que marca "o início de uma nova etapa de grande responsabilidade" e exigência, garantindo que o Governo está "determinado em garantir melhores condições de trabalho, de progressão nas carreiras e de reforço contínuo dos efetivos".

"A partir de agora, integram o Corpo da Guarda Prisional e assumem de pleno direito uma das funções essenciais para a Justiça, para a segurança e para a defesa do Estado de Direito", afirmou, lembrando ainda que "pertencer ao Corpo da Guarda Prisional é garantir a ordem, mas é também garantir a segurança e a estabilidade indispensáveis para que os estabelecimentos prisionais cumpram plenamente a sua finalidade", sem esquecer "o respeito pelos direitos humanos".

Antes, também o diretor-geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais, Orlando Carvalho, tinha sublinhado que o facto de o curso ter começado com 58 candidatos e terminado com 55 formandos, "é revelador da exigência do processo formativo, mas também da determinação, do empenho e da capacidade de superação daqueles que hoje ingressam" na carreira.

Orlando Carvalho disse ainda esperar que com o novo concurso e com as novas regras introduzidas pelo Governo possa ser possível "acolher um número significativamente mais elevado de novos formandos", tendo em vista "responder às necessidades do sistema prisional português".

O EPL tem motivado diversas condenações do Estado português junto do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos pelas más condições deste estabelecimento prisional, que há anos tem o seu encerramento anunciado e por diversas vezes adiado.

O último compromisso é de que será encerrado gradualmente até 2028, tendo a ministra da Justiça adiantado no parlamento no final de março que começaria por ser encerrada a ala A, seguida da ala E, “as duas mais problemáticas” da cadeia.

Para que o encerramento aconteça, estão a ser feitas obras em 11 estabelecimentos prisionais e serão abertos 1.142 lugares para reclusos em outros estabelecimentos até final de 2028 para acomodar a transferência de presos do EPL, que tem atualmente 1.017 reclusos, 409 dos quais preventivos, adiantou a ministra aos deputados.

Na sexta-feira, o Ministério da Justiça anunciou uma verba de 42 milhões de euros para financiar projetos de requalificação das prisões e centros educativos e que cobrem também o processo de encerramento do EPL.

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