Cinco detidos e buscas na sede do PS em operação da PJ que envolve autarquias socialistas

Duarte Moral, antigo assessor do ex-primeiro-ministro António Costa, é um dos detidos. Está em causa nesta operação a "prática dos crimes de prevaricação e participação económica em negócio".
Sede nacional do Partido Socialista, no Largo do Rato, em Lisboa
Sede nacional do Partido Socialista, no Largo do Rato, em Lisboa PS

A Polícia Judiciária (PJ) está a realizar esta quinta-feira, 28 de maio, buscas numa operação que está a envolver centenas de inspetores da unidade de combate à corrupção e que tem como epicentro a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa. A sede nacional do PS, no Largo do Rato, é um dos locais visados pelas buscas. Entre os crimes em causa está o de prevaricação, como avançou a CNN Portugal e confirmou o DN.

Segundo aquilo que o DN apurou, foram realizadas quatro detenções fora de flagrante delito e uma detenção em flagrante delito, por posse ilegal de arma, e foram ainda constituídos 37 arguidos.

A operação visa suspeitas de um alegado esquema de favorecimento associado ao Partido Socialista. O antigo presidente da junta de freguesia, Miguel Coelho (PS), será um dos visados desta operação, que investiga a adjudicação de serviços por ajuste direto, que ascenderam a mais de 800 mil euros, e que terão ocorrido entre 2016 e 2022, explica o canal de notícias.

O PS confirmou as buscas na sede nacional, afirmando que as diligências estão relacionadas com um dos seus trabalhadores e não com o partido.

“O Partido Socialista confirma que a Polícia Judiciária está na Sede Nacional do Partido Socialista, a realizar diligências relacionadas com atividades que são imputadas a um dos seus trabalhadores”, refere o PS, em comunicado enviado à Lusa.

Na nota, o PS sublinha que o partido “não é, como tal, visado pela investigação” da Polícia Judiciária. Acrescenta que está a colaborar com a PJ em tudo o que está a ser solicitado, “no sentido de assegurar a boa condução das investigações e no respeito integral dos princípios e regras do Estado de direito”.

A PJ informa, em comunicado, que a operação visa dar cumprimento a 60 mandados de busca domiciliária e 32 mandados de busca não domiciliária, nas zonas de Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra, "em que se investiga a prática dos crimes de prevaricação e participação económica em negócio, envolvendo a adjudicação de diversos contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia".

No centro da investigação estarão "alegados favorecimentos na contratação de militantes socialistas e na adjudicação direta de serviços a empresas ligadas ao partido”, noticia a CNN Portugal, adiantando que um dos detidos é Duarte Moral, antigo assessor do ex-primeiro-ministro António Costa e próximo do atual líder do PS, José Luís Carneiro.

Ainda segundo a estação de televisão, no centro da investigação desta operação da PJ, denominada "Imergente", estará precisamente a atividade de uma empresa de comunicação, Diálogo Emergente, criada por Duarte Moral em 2021, com um sócio, Rui Pedro Nascimento.

A operação mobiliza cerca de 400 inspetores e peritos da PJ, assim como sete magistrados do Ministério Público. Em causa "estão procedimentos de ajuste direto ou de consulta prévia, em clara violação das normas legais aplicáveis e com evidente prejuízo para o erário público", confirma a polícia de investigação criminal sobre este inquérito dirigido pelo DIAP Regional de Lisboa.

Os cinco detidos desta megaoperação serão agora presentes no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, para primeiro interrogatório judicial e aplicação de medidas de coação, informa a PJ.

Reação do deputado do PS André Rijo

"No momento em que o PS aparece novamente a reconquistar alguma confiança, demostrada em sucessivas sondagens, aparece este tipo de notícias". A afirmação é de André Rijo, deputado socialista e antigo coordenador autárquico do partido, em reação à operação da PJ que envolve buscas na sede nacional do PS.

Em declarações ao programa Entre Políticos, da RTP Antena 1, o deputado socialista recusa fazer "uma relação direta causa-efeito", tendo afirmado: "Acho que os portugueses já têm muita informação sobre essa matéria ao longo dos últimos anos em Portugal para tirar algumas conclusões também".

André Rijo referiu que "a justiça portuguesa ainda não conseguiu resolver o caso Tutti-Frutti", que envolve elementos do PS e do PSD na cidade de Lisboa, e "aparentemente aparece com outro caso para resolver". "As entidades terão que fazer o seu trabalho, os órgãos de polícia criminal terão de fazer o seu trabalho, o Ministério Público fará seguramente o seu trabalho e a nós compete tirar consequências políticas se as houver", afirmou.

Em atualização 

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