Christa Pike queixa-se de múltiplas dores após "incompetência" na tentativa de execução
Christa Pike acordou no hospital "confusa e com dores", depois da sentença de execução pelo crime de tortura e assassinato de Colleen Slemmer, uma colega de escola de 19 anos, ter falhado.
Nas suas primeiras palavras públicas, ditadas à equipa jurídica que a acompanha e tornadas públicas esta sexta-feira, 30 de outubro - um mês depois da tentativa de execução -, Christa Pike fala em dor, incompetência e na família da vítima.
"Dói-me o corpo. Doem-me os braços, as mãos, a garganta. Ainda tenho dificuldade para falar. E a dor não é só física. Tenho dor na minha mente e na minha alma", diz na declaração.
Pike sobreviveu a duas injeções letais ministradas em Tennessee, EUA, tendo sido levada em estado crítico para o hospital. Sobreviveu, mas a sua recuperação foi "contra todas as probabilidades" e "sem precedentes na medicina", disseram os advogados.
Um mês depois, queixa-se de dores em variadas partes do corpo. Segundo revela, "desde aquela noite, não houve um momento sequer em que eu não tenha sentido dor".
Christa Pike afirma estar "profundamente magoada com a incompetência que colocou tantas pessoas nesta terrível situação". Diz continuar "a pensar na família da minha vítima e na terrível dor e perda que eles sofreram."
Pike, que esteve 30 anos no corredor da morte, procura "um sentido para o que aconteceu".
Na declaração ditada aos advogados, elogiou os médicos, a equipa jurídica e "todos que lutaram por mim, estiveram ao meu lado e recusaram desistir de mim".
"Não sei porque sobrevivi àquela noite", disse. "Não sei o que vem a seguir. Há dias em que encontrar esperança é mais difícil do que noutros."
Christa Pike e o namorado, Tadaryl Shipp, foram condenados por torturar e matar Colleen Slemmer, em Knoxville, EUA, em 1995.
O namorado tinha 17 anos quando cometeu o crime, tendo sido condenado a prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional.
Pike, com 18 anos na altura do crime, foi condenada à morte. Os seus apoiantes defendem que o Estado deveria levar em consideração a idade, a sua doença mental e um histórico de abuso sexual grave que começou na infância.
Segundo os advogados, após o assassinato, foi diagnosticada com transtorno bipolar e stress pós-traumático.

