Um chefe de serviço da Autoridade Tributária (AT) e três empresários foram detidos pela Polícia Judiciária (PJ) numa operação de combate à imigração ilegal. As detenções e as 16 buscas decorreram em Cantanhede, Pombal, Alcobaça e Porto na terça-feira, 7 de julho, de acordo com um comunicado divulgado pela PJ esta quarta-feira, 8.Segundo a Polícia Judiciária, o grupo é suspeito de ter regularizado, de forma fraudulenta, "milhares de imigrantes" em Portugal. A investigação teve início em setembro do ano passado. "Da complexa investigação em curso, iniciada em setembro de 2025, verificou-se que este grupo criminoso dedicava-se à legalização fraudulenta de milhares de cidadãos estrangeiros, em Portugal, ao longo de vários anos", detalha a PJ.O esquema passava pelo pagamento de "elevadas quantias monetárias" para a obtenção da "documentação necessária à instrução dos respetivos processos de regularização". Os valores envolvidos não foram divulgados pela Polícia Judiciária.Segundo a investigação, alguns dos cidadãos estrangeiros nem sequer residiam em território nacional, mas figuravam como residentes junto da Autoridade Tributária e da Segurança Social. "Muitos deles [estavam] em diversos países do espaço europeu, pese embora figurem, perante a Autoridade Tributária e a Segurança Social, como exercendo atividade profissional em Portugal", refere a PJ.De acordo com as autoridades, os suspeitos recorriam a "elaboradas estratégias" para concretizar o esquema. "Os suspeitos atuavam movidos pelo propósito de obter elevados proventos financeiros, recorrendo, para o efeito, a elaboradas estratégias destinadas a dissimular a sua atuação e a ludibriar diversas instituições do Estado português", acrescenta.Durante as buscas, os investigadores apreenderam "um vasto acervo documental relacionado com processos de regularização irregular de cidadãos estrangeiros e equipamento informático". Foram ainda apreendidas três armas de fogo e cerca de 50 mil euros em numerário.Os detidos têm idades compreendidas entre os 33 e os 55 anos e não têm antecedentes criminais conhecidos. Serão presentes à autoridade judiciária competente para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação.A operação, denominada "Neblina Atlântica", contou com a participação de 90 inspetores e especialistas da Polícia Judiciária. A coordenação foi da Diretoria do Centro da PJ.amanda.lima@dn.pt.PJ prende brasileiro por falsificação de centenas de contratos de arrendamento.PJ desmantela rede criminosa que legalizou ilegalmente 4 mil imigrantes e lesou Segurança Social em 10 milhões