O esquema envolvia pagamentos de "elevadas quantias monetárias" para obtenção de documentos.
O esquema envolvia pagamentos de "elevadas quantias monetárias" para obtenção de documentos.Foto: Jorge Firmino

Chefe de balcão das Finanças detido pela PJ por fraude na legalização de "milhares de imigrantes"

Investigação começou em setembro do ano passado. PJ desencadeou ações em Cantanhede, Pombal, Alcobaça e Porto.
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Um chefe de serviço da Autoridade Tributária (AT) e três empresários foram detidos pela Polícia Judiciária (PJ) numa operação de combate à imigração ilegal. As detenções e as 16 buscas decorreram em Cantanhede, Pombal, Alcobaça e Porto na terça-feira, 7 de julho, de acordo com um comunicado divulgado pela PJ esta quarta-feira, 8.

Segundo a Polícia Judiciária, o grupo é suspeito de ter regularizado, de forma fraudulenta, "milhares de imigrantes" em Portugal. A investigação teve início em setembro do ano passado. "Da complexa investigação em curso, iniciada em setembro de 2025, verificou-se que este grupo criminoso dedicava-se à legalização fraudulenta de milhares de cidadãos estrangeiros, em Portugal, ao longo de vários anos", detalha a PJ.

O esquema passava pelo pagamento de "elevadas quantias monetárias" para a obtenção da "documentação necessária à instrução dos respetivos processos de regularização". Os valores envolvidos não foram divulgados pela Polícia Judiciária.

Segundo a investigação, alguns dos cidadãos estrangeiros nem sequer residiam em território nacional, mas figuravam como residentes junto da Autoridade Tributária e da Segurança Social. "Muitos deles [estavam] em diversos países do espaço europeu, pese embora figurem, perante a Autoridade Tributária e a Segurança Social, como exercendo atividade profissional em Portugal", refere a PJ.

De acordo com as autoridades, os suspeitos recorriam a "elaboradas estratégias" para concretizar o esquema. "Os suspeitos atuavam movidos pelo propósito de obter elevados proventos financeiros, recorrendo, para o efeito, a elaboradas estratégias destinadas a dissimular a sua atuação e a ludibriar diversas instituições do Estado português", acrescenta.

Durante as buscas, os investigadores apreenderam "um vasto acervo documental relacionado com processos de regularização irregular de cidadãos estrangeiros e equipamento informático". Foram ainda apreendidas três armas de fogo e cerca de 50 mil euros em numerário.

Os detidos têm idades compreendidas entre os 33 e os 55 anos e não têm antecedentes criminais conhecidos. Serão presentes à autoridade judiciária competente para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação.

A operação, denominada "Neblina Atlântica", contou com a participação de 90 inspetores e especialistas da Polícia Judiciária. A coordenação foi da Diretoria do Centro da PJ.

amanda.lima@dn.pt

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