Em causa está uma operação policial realizada em abril do ano passado.
Em causa está uma operação policial realizada em abril do ano passado.Foto: Reinaldo Rodrigues

"CEO Fraud". PJ conclui caso de burla internacional que movimentou mais de 3,5 milhões de euros

A PJ identificou 17 vítimas, lesadas em 1,4 milhões de euros, não se excluindo a possível existência de outras, destaca a PJ.
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Mais de 3,5 milhões de euros. Esse foi o montante movimentado por uma organização suspeita de aplicar os golpes conhecidos como “CEO Fraud” e “Invoice Fraud”. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Ministério Público (MP), de acordo com comunicado da Polícia Judiciária (PJ) enviado às redações esta terça-feira, 08 de abril.

“Da análise financeira efetuada, foi possível apurar a circulação de montantes superiores a 3,5 milhões de euros, por meio de contas controladas pela organização, dos quais uma parte significativa teve origem em esquemas de burla por meio informático, designadamente nas modalidades conhecidas como CEO Fraud e Invoice Fraud”, destacou a PJ.

Em causa está uma operação policial realizada em abril do ano passado, que resultou na detenção de nove pessoas, de nacionalidade brasileira. Todas receberam prisão preventiva e permanecem privadas de liberdade. Algumas residiam no país, enquanto outras deslocavam-se a Portugal para a prática criminosa, segundo a PJ.

“A investigação evidenciou ainda a existência de uma estrutura hierarquizada e funcionalmente organizada, com divisão de tarefas entre os diversos intervenientes, incluindo um núcleo de direção sediado no estrangeiro, elementos responsáveis pela logística e financiamento, coordenadores intermédios e operacionais encarregados da execução material das operações bancárias e societárias”, concluiu a PJ.

Foram congelados e apreendidos cerca de 418 mil euros, “valores que apresentam forte conexão com a atividade criminosa em investigação”, pontuou a corporação. Ao todo, foram identificadas 17 vítimas, com prejuízos que somam cerca de 1,4 milhões de euros. A PJ não descarta a existência de outras vítimas.

Os investigadores sugeriram ao MP o recurso a mecanismos de cooperação judiciária internacional, nomeadamente com as autoridades brasileiras e com jurisdições europeias. Além disso, a PJ destacou que “esta investigação assumiu particular relevância no âmbito da atuação da Polícia Judiciária no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro”.

"CEO Fraud"

De acordo com o mais recente Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), à semelhança de 2024, “a CEO Fraud mantém-se uma ameaça relevante”. Foram 192 incidentes registrados em 2025, o que representa um aumento de 20% face ao ano anterior. Com isso, essa burla tornou-se o subtipo mais frequentemente observado no período.

Nesse tipo de golpe, baseado em engenharia social, os alvos são empresas e os seus departamentos financeiros. Os criminosos fazem-se passar por altos executivos, como o CEO ou diretores, utilizando e-mails falsificados ou contas comprometidas para solicitar transferências financeiras, como o pagamento de faturas.

Para tornar a fraude mais convincente, os golpistas utilizam informações públicas sobre a estrutura e os colaboradores das organizações, frequentemente obtidas em redes sociais. A eficácia do esquema está na manipulação psicológica e na exploração da confiança hierárquica dentro das empresas.

amanda.lima@dn.pt

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