Belém ainda não duvida que possa haver um entendimento, após “diálogo”, entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos e quer “agir” para evitar que o país entre “em crise política”. Os recorrentes alertas, desde maio, e reforçados nos últimos dias com pedidos de “bom senso” não esquecem as consequências, que no entender do Presidente da República, são óbvias “porque o mundo, a Europa, o PRR, tudo isso aponta para haver Orçamento. Por outro lado, porque o Governo é minoritário, portanto precisa de falar com as oposições. E por outro lado, porque as oposições sabem que realmente a estabilidade é fundamental para elas próprias. Para amanhã serem Governo, verdadeiramente, precisam que a situação seja estável, porque se não estiver estável, também não são o Governo”..O recado ao PS, para além do aviso de que “o problema não se resolve com o Orçamento retificativo”, não passou despercebido aos que no PS duvidam - pelas consequências que um chumbo pode provocar no “calendário político” e nas “contas certas” do país - que Pedro Nuno Santos seja “inflexível” a ponto de “causar eleições antecipadas”. .É, aliás, sublinhado a “disponibilidade séria” manifestada, na sexta-feira, pelo líder socialista porque, justificou, um Orçamento do Estado “não são duas medidas”. .Entre os autarcas socialistas, ouvidos pelo DN, há “pressões” repetidas, garantem, para que não haja “instabilidade” que leve a “parar tudo” e junte às eleições Autárquicas de 2025 umas Legislativas e logo depois umas Presidenciais..Os “cálculos eleitorais”, que o secretário-geral do PS diz recusar - mas que dirigentes socialistas, contactados pelo DN, dizem valorizar -, foram no domingo , na SIC, verbalizados pelo conselheiro de Estado Marques Mendes. .“Se houver uma crise teríamos o seguinte calendário eleitoral: eleições legislativas [antecipadas] em fevereiro de 2025; Autárquicas em setembro de 2025; presidenciais em janeiro de 2026. Três eleições em onze meses. Uma loucura total”, constatou..O que Marques Mendes chama de “loucura” é, para as fontes ouvidas pelo DN, um “descalabro”. .E essa “preocupação”, que é “em tudo idêntica” nos autarcas social-democratas, foi já “apresentada” em maio, nos 40 anos comemorações dos 40 anos da Associação Nacional dos Municípios Portugueses, ao ministro Adjunto e da Coesão, Manuel Castro Almeida e ao Presidente da República. A “preocupação” traduz-se numa frase: “consequência fatal para os fundos europeus”. .Ou seja, não é apenas um receio do “lobby socialista do poder local”, refere fonte socialista ao DN, é uma “preocupação nacional” [referência aos autarcas do PSD] que percebe a “insistência” de Marcelo Rebelo de Sousa para que não se perca “a prioridade e o foco nos fundos europeus em 2024 e 2025” - e os prazos para 2026. .A convocação de um Conselho de Estado “para analisar a situação económica e financeira internacional e nacional” , para dia 1 de outubro, outro “já mais adiante, depois de ter sido apresentada a proposta de lei do Governo (…) e depois de ver as reações” e também as reuniões que serão marcadas com os partidos são a “prova”, constata Marques Mendes, de que Marcelo Rebelo de Sousa “não quer facilitar (…) para evitar uma nova crise”..O primeiro passo é dado na reunião que vai juntar esta terça-feira Alexandra Leitão, líder parlamentar, António Mendonça Mendes, Marina Gonçalves e Carlos Pereira [do PS] ao ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, ao ministro da Presidência, António Leitão Amaro, e ao ministro dos Assuntos Parlamentares, Pedro Duarte. E já é sabido que o PS quer “saber qual é o cenário orçamental para 2025, com o respetivo saldo para perceber qual é o espaço que existe para apresentar propostas”. .“Queremos garantir que o próximo OE é equilibrado e não queremos começar a fazer propostas que não tenham cabimento orçamental”, já explicou Pedro Nuno Santos. .O que já se sabe? O Orçamento do Estado para o próximo ano deverá prever um aumento da despesa pública, sem contar com os reembolsos e emissão de dívida, e da receita fiscal a rondar os 4% - ou seja : mais 6,4 mil milhões de euros..Do lado dos impostos, as previsões do ministério das Finanças apontam para que a receita fiscal no próximo ano registe um crescimento, “mitigado pelas propostas de redução de IRS do Governo, também em torno do valor referido”, ou seja, dos 4%. .Do lado do PSD não se alterou a vontade de “negociar” e foi “bem entendido” o “recado” do Presidente de que o “Governo é minoritário” - há que “ceder”, dizem fontes do PSD ao DN. .Porém, nada “parece” ter mudado no desafio que Luís Montenegro, no discurso da tomada de posse, fez a Pedro Nuno Santos: o PS será “oposição” ou força de “bloqueio”? .A resposta, indicam fontes socialistas, está nas declarações do secretário-geral do PS, na sexta-feira passada, que insistiu que o PS “está disponível para viabilizar o OE do PSD” desde que “não sejam introduzidas no Orçamento medidas que violentem o quadro de princípios programáticos do PS”..É uma “disponibilidade séria”, afirmou, dando até o exemplo do “profundo desacordo com a estratégia que o Governo tem para a Saúde (…) mas nem por isso nos colocamos de fora da possibilidade de viabilizar o OE que traduz essa política e isto já é pedir muito ao PS”. .Esta segunda-feira, o Chega confirmou que vai à reunião com o Governo para conhecer “o cenário macroeconómico”, mas mantém que está fora das negociações. .“O PSD quer negociar com o PS é com eles que terá de o fazer. Nós iremos ouvir o que têm para apresentar”, disse ao DN Pedro Pinto, líder parlamentar do partido.