"Temos uma situação que nos mobiliza de forma generalizada em todo o território, porque o efeito da precipitação intensa e prolongada faz-se sentir em todo o lado". A afirmação é do primeiro-ministro, Luís Montenegro, na visita a Peso da Régua neste sábado, 7 de fevereiro. O chefe do Governo disse que o país está concentrado na resposta imediata, na prevenção e na reconstrução dos estragos causados pelo mau tempo numa perspectiva alargada a todo o território nacional.“Nós temos um programa que neste momento é específico dos municípios que tiveram o maior impacto da depressão Kristin e que estão na situação de calamidade, mas evidentemente que não vamos desproteger, nem vamos deixar de acompanhar tudo o resto que é preciso fazer em todo o território nacional”, afirmou aos jornalistas, após a visita à cidade do distrito de Vila Real que está em alerta para cheias devido à subida do caudal do rio Douro.Mas, para além das cheias, contabilizam-se ainda prejuízos em derrocadas, quedas de muros e aluimentos de estradas em concelhos do Douro que ficaram de fora dos apoios extraordinários anunciados pelo Governo e que já pediram ao executivo para reavaliar a decisão.Com a chuva persistente e prolongada, existem algumas "zonas que têm um risco maior em determinadas alturas", disse. "É o caso hoje sobretudo na Bacia do Tejo, no rio Sado, em particular em Alcácer do Sal, do rio Mondego, mas sempre com todas as áreas mais expostas, como é o caso do rio Douro e em particular do Peso da Régua", disse Luís Montenegro, que fez a visita debaixo de chuva intensa.Afirmou que constatou, no terreno, que "há uma estrutura de coordenação que funciona 24 horas por dia", com acompanhamento diário em relação às ocorrências devido ao mau tempo que se faz sentir.Realçou que todas as situações de risco que estão a acontecer no país, como as cheias nas bacias do Tejo, Mondego ou do Sado, precisam de uma “resposta imediata”, salientando que é preciso “avisar as populações, evitar perigos excessivos” e “olhar para o futuro” e “prevenir os próximos dias” para se “estar à altura de poder responder a situações de maior pressão”.“E começarmos e executarmos a reconstrução do país. Neste momento não é apenas a reconstrução da zona centro, que é de facto a zona que ficou mais fustigada pela depressão Kristin, mas nós temos neste momento necessidade de alargar uma perspectiva de recuperação a todo o território nacional”, salientou..Destaca "grande interação com Espanha" na gestão das descargas das barragens.Disse que "tudo está a ser monitorizado", referindo-se, por exemplo, ao caudal dos rios, ao aumento dos níveis de águas, com uma "grande interação com Espanha".Aliás, o aumento do caudal dos rios tem sido uma preocupação, com o primeiro-ministro a destacar hoje que tem havido uma "articulação permanente, que já leva quase quatro semanas, entre o governo português e o governo espanhol" e com as entidades que, em cada país, têm responsabilidades nos recursos hídricos."Tem sido fundamental para evitar males maiores por esta altura. É o caso do que tem sucedido no rio Douro e em particular no Peso da Régua", declarou Montenegro sobre a gestão das descargas das barragens espanholas e portuguesas. Uma articulação que tem permitido "gerir com alguma serenidade" esta situação.Montenegro admitiu "pressão", tendo em conta a chuva contínua, referindo que há "zonas e barragens que estão a atingir os limites da sua capacidade, há descargas que têm de ser feitas, mesmo quando a pressão é menor". "É outra das coisas que estamos a fazer há várias semanas", disse."É uma gestão que, neste momento, está num pico de sensibilidade porque quer Portugal e quer Espanha estão a viver a mesma situação", reconheceu, na altura.Na "bacia do Tejo, no rio Sado, no rio Mondego e em rios que confluem com estes há uma pressão elevadíssima. Aí temos uma gestão de emergência, de salvaguarda a vida das pessoas", sublinhou. .Ainda falta energia elétrica a mais de 63 mil clientes, a maior parte em Leiria."Cerca de 1200 famílias recorreram à ajuda". No que se refere aos apoios, segundo dados de hoje, "mais de 1650 empresas já recorreram às linhas de crédito que estão abertas para tesouraria e para a reconstrução", anunciou o primeiro-ministro, "num montante que está praticamente a atingir os 400 milhões de euros".Luís Montenegro disse ainda que "cerca de 1200 famílias recorreram à ajuda, apresentaram a sua candidatura, para reconstrução das suas casas" e cerca de 8000 pessoas já interagiram com a plataforma nos movimentos preparatórios para consumar essa candidatura."Mais de 1400 agricultores já apresentaram as suas candidaturas" para recuperar dos efeitos do mau tempo, disse ainda Montenegro.“E, portanto, temos um trabalho que está direcionado a recuperar aquilo que já aconteceu. Temos um trabalho que está absolutamente concentrado na emergência daquilo que está a acontecer neste momento, está a acontecer um pouco por todo o país, que não se esgota apenas nas cheias e nas inundações”, frisou o primeiro-ministro.Luís Montenegro apontou ainda para situações de saturação de solos, de estragos em estruturas públicas e privadas.“Eu hoje já vi aqui na Régua casas que ruíram, partes de casas que ruíram, estradas que abriram fissuras e que estão interrompidas”, descreveu.O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas..Proteção Civil regista 1163 deslocados e considera como "bastante elevada" a probabilidade de mais evacuações