O Presidente da República, António José Seguro, promulgou esta sexta-feira (7 de agosto) o decreto-lei que cria a Prestação Social Única (PSU), no âmbito do subsistema de solidariedade, tendo presente o prazo de 31 de agosto a que o Estado português se vinculou para o cumprimento das metas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), sob pena de perder o financiamento europeu associado a esta reforma. Mas avisa: "Uma reforma desta dimensão deve ter como primeiro critério a proteção das pessoas. Nenhum processo de simplificação pode traduzir-se numa diminuição da proteção social."Na nota divulgada pela Presidência da República, António José Seguro salienta que a reforma, que reúne treze apoios sociais numa única prestação, pretende tornar o sistema "mais simples, mais justo e transparente".O chefe de Estado considera que a redução da burocracia, a eliminação de sobreposições e a garantia de que os apoios chegam a quem mais necessita constituem um passo na direção certa, mas deixa uma advertência quanto à execução da reforma, afirmando que se exige "particular atenção", nomeadamente na portaria que vier a ser adotada, de forma a assegurar "que ninguém é prejudicado face à situação de que hoje beneficia".António José Seguro destaca, em particular, a necessidade de proteger os mais vulneráveis, incluindo as famílias de menores rendimentos, os idosos, as pessoas com deficiência e todos aqueles que vivem em situação de maior fragilidade.O Presidente da República sublinha ainda que as prestações sociais são essenciais no combate à pobreza e à exclusão social, lembrando que um estudo recente da OCDE evidencia que o valor destes apoios permanece relativamente reduzido e que a sua cobertura e impacto têm sido insuficientes para tornar plenamente eficaz esse combate.Outra das advertências do chefe de Estado prende-se com o reforço das competências das autarquias previsto no diploma. António José Seguro alerta para a necessidade de "garantir que o aumento de competência das autarquias - que também acontece no âmbito deste diploma - seja acompanhado do adequado reforço de meios, nomeadamente financeiros".PS mantém dúvidas sobre impacto da nova prestaçãoJá o Partido Socialista mantém reservas sobre vários aspetos da Prestação Social Única, sobretudo quanto ao impacto das novas regras no acesso aos apoios e nos montantes recebidos pelas famílias mais vulneráveis.Entre as principais dúvidas estão as regras de cálculo da prestação e os seus efeitos sobre beneficiários de apoios como o subsídio social de desemprego, o subsídio social de parentalidade ou a pensão social.Em documento enviado ao Governo, os socialistas querem também esclarecimentos sobre a forma como os apoios à habitação e outros rendimentos serão contabilizados, bem como sobre as regras das majorações previstas na PSU, em particular no caso do desemprego.Outro ponto de preocupação é o regime das atividades de solidariedade social, que o PS considera dever ser suficientemente claro para evitar que possa ser interpretado como uma obrigação generalizada dos beneficiários. Há ainda dúvidas sobre a proteção de menores vulneráveis que não sejam órfãos e sobre a articulação da nova prestação com as políticas ativas de emprego.O reforço do papel das autarquias suscita igualmente reservas, devido ao alargamento das funções de acompanhamento e fiscalização e às dúvidas sobre os meios disponíveis para assegurar essas novas responsabilidades.Neste ponto, as preocupações socialistas coincidem com a advertência deixada pelo Presidente da República sobre a necessidade de acompanhar o aumento das competências municipais com o correspondente reforço de recursos.A regulamentação que vier a ser aprovada por portaria será, por isso, determinante para esclarecer várias destas questões e avaliar os efeitos concretos da reforma na proteção dos beneficiários..Governo garante que atuais beneficiários das 13 prestações agregadas pela PSU não serão prejudicados.Prestação Social Única vai ter valor de referência de 268 euros.Despedimento por justa causa não exclui acesso à Prestação Social Única