Seguro acusa Ventura de "pequena manobra" por sugerir adiamento eleitoral
JOSÉ COELHO/LUSA

Seguro acusa Ventura de "pequena manobra" por sugerir adiamento eleitoral

Candidato mais votado da primeira volta das Presidenciais quer que "eleitores não pensem que está ganho." Promete Presidência aberta na zona Centro e voltou a criticar ineficiência do Governo.
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António José Seguro terminou o comício em Lisboa nesta quinta-feira com um ataque direto a André Ventura, esperando, por isso mesmo, que os eleitores compreendam a importância de votar. "Trabalharei cada dia dos meus cinco anos de mandato, em troca peço que trabalhem arduamente para levar o máximo de portugueses a votar. Dizem-me muitas vezes que está ganho. Pois bem, não está ganho, isso é o que o nosso adversário quer que se pense. É preciso votar para não acordarmos com um pesadelo no domingo", vincou o candidato apoiado pelo PS.

Foi visível o desagrado por André Ventura ter usado o espaço mediático para pedir o adiamento das eleições, o que, constitucionalmente, não seria possível, porém durante o dia Seguro não foi confrontacional. Desta feita, à noite, no Fórum Lisboa, perante os apoiantes, viu nas declarações do opositor "uma pequenina manobra." "Quanto mais votos tiver, mais força eleitoral tem o Presidente da República para fazer exigências ao Governo", posicionou-se.

Usando uma ideia semelhante a Churchill, de valorizar a Cultura como forma de motivação para o combate pelos valores da liberdade, Seguro disse que essa [Cultura] "é o maior antídoto para os autoritarismos." Disse mesmo que "talvez nunca tenha sido tão fácil ver o que é tão claro", enumerando que André Ventura "utiliza métodos que não são da democracia, opta pela desinformação e por tentar dividir o povo português."

"Não são definitivos os valores da liberdade, solidariedade e justiça social. Estes dois caminhos podem ser sintetizados: nós queremos mudar o regime, o outro candidato quer mudar de regime. Não me surpreende que a nossa candidatura acolha tantos que não estariam no mesmo espaço político. Porque percebem onde deviam estar e acolhemo-los. São todos bem-vindos, é a candidatura dos democratas e um espelho do que ambiciono fazer como Presidente da República", prosseguiu.

Estabeleceu a Saúde como prioridade para 2026, a demografia para 2027 e vincou o relevo de "habitação a custos justos, oportunidade para os jovens, mitigação da desigualdade salarial entre homens e mulheres e o combate à violência doméstica e à pobreza."

Presidência aberta ao jeito de Soares

O termo Presidência aberta é caro para os socialistas. A iniciativa de maior proximidade de Mário Soares como chefe de Estado (1986-1992) descentralizou e valorizou as regiões. Seguro fez promessa semelhante. "Vou fazer uma Presidência aberta, o tempo que for preciso, na zona Centro nestes quatro distritos mais afetados. Assumo ser um Presidente próximo das pessoas e uma ação para ajudar os portugueses", salientou sem precisar os locais em concreto. Sabe-se que, indiscutivelmente, Leiria, Coimbra e Santarém foram os mais prejudicados, mas Setúbal, Portalegre e Castelo Branco também têm elevados danos a registar.

Críticas ao Governo

O candidato que promete "estabilidade" e que se pronuncia contra as dissoluções do Parlamento já refere que vai "fazer exigências ao Governo". E em dias consecutivos ataca a gestão na depressão Kristin. "O Estado não está preparado para as intempéries, que serão cada vez mais frequentes. As alterações climáticas não são um mito. A ajuda tem de chegar na altura certa às famílias e aos empresários. Temos de fazer com que os instrumentos do Estado sejam geridos de forma eficiente. É inaceitável que passado uma semana existam pessoas sem telecomunicações. Não é próprio de um país do século XXI, precisamos de planos de redundância e de emergência", aponta, defendendo um rácio de geradores pelo país, pedindo o "fim da cultura de improviso", lembrando que existem tecnologias para "ver quais são as vias que estão ocupadas, que estão inundadas." Sem detalhar, também apontou a necessidade de "melhor articulação das forças armadas com a proteção civil."

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