Ricardo Carrilho rejeita acusações de gastos irregulares e fala em “falsidade” do MAI
O Ministro da Administração Interna, Luís Neves, mandou avançar com uma auditoria a “toda a atividade da Secretaria-Geral do MAI e do SIRESP”, depois de os serviços do MAI terem sido confrontados com um relatório da Inspeção-Geral das Finanças (IGF), que aponta para gastos da Secretaria-Geral do MAI (SGMAI) na ordem dos 4,5 milhões de euros e que terão sido feitos sem cobertura legal.
A notícia é avançada esta sexta-feira, 16 de outuibro, pelo Observador, citando documento de setembro passado.
Em declarações enviadas ao DN, o ex-secretário-Geral do MAI, Ricardo Carrilho, contesta a leitura feita pelo Ministério. E usa mesmo o termo "fake news". Rejeita categoricamente que esteja em causa qualquer despesa irregular por parte da SGMAI.
Segundo o responsável, a situação reportada resulta de um procedimento de auditoria relacionado com a execução de financiamento comunitário pela Guarda Nacional Republicana (GNR), e não de uma utilização indevida de verbas pela estrutura administrativa do ministério.
"Com respeito à notícia trazida a público, por parte do gabinete do Ministro da Administração Interna, referente a alegações de 4,5 milhões de euros de gastos irregulares na SGMAI, gostaria de manifestar a seguinte posição, destacando tratar-se de informação falsa ou fake news", afirma Carrilho ao DN. "Sem prejuízo de esclarecimentos mais detalhados, que possa considerar adequados, importa clarificar que estamos perante um procedimento inserido no âmbito de auditoria à absorção de financiamento comunitário por parte da Guarda Nacional Republicana", continua. "Em resultado, verificar-se-á a necessidade de a GNR proceder à devolução do referido montante à SGMAI, para que o mesmo seja colocado a concurso, para absorção pelas entidades beneficiárias finais", justifica o antigo responsável da Secretaria.
"Trata-se, portanto, de uma falsidade do Gabinete de Luís Neves, alegando tratarem-se de gastos irregulares na SGMAI".
Ricardo Carrilho, secretário-geral do Ministério da Administração Interna (MAI) desde 2025, foi exonerado pelo ministro Luís Neves na última segunda-feira, 12 de outubro.
A decisão foi formalmente justificada pelo Governo com a reorganização da Secretaria-Geral do MAI e a necessidade de imprimir uma nova orientação à gestão do serviço.
No entanto, a exoneração rapidamente evoluiu para uma disputa pública entre o ex-dirigente e a tutela. Carrilho classificou o seu afastamento como um "ato de retaliação" e uma "purga política", alegando ter sido alvo de pressões ilegítimas e interferência política na gestão de vários dossiês sensíveis do ministério. Entre eles, destacou-se o SIRESP, sistema de comunicações de emergência do Estado, cuja estrutura defendia que deveria ser profundamente reformada ou mesmo integrada na Secretaria-Geral, argumentando que isso permitiria poupanças anuais significativas.
Em resposta, o Ministério da Administração Interna invocou uma "quebra de confiança" e acusou Carrilho de ter assumido uma postura de confronto permanente com a tutela. O Governo apontou vários episódios que considera terem comprometido o funcionamento dos serviços, incluindo divergências sobre a gestão do SIRESP, a extinção do Centro de Operações e Gestão da rede de emergência, atrasos em projetos considerados prioritários e a alegada não comunicação de um relatório de auditoria relacionado com fundos europeus.
